Segundo Cintia, o homem foi indicado para acompanhar o tratamento da filha pela empresa Health+ Cuidados e Gestão, que presta serviço de home care vinculado ao plano de saúde Unimed.
Em fevereiro de 2021, Diogo também constava na lista de profissionais que trabalhavam na Clínica da Família Miguel Couto, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Após ser preso, segundo a polícia, ele afirmou que cursa medicina em uma universidade particular e que está no 12º período. A investigação também vai apurar como ele conseguiu atuar utilizando registros de médicos no Conselho Regional de Medicina (CRM).
De acordo com a polícia, ele atendia a menina desde outubro de 2025 e havia feito pelo menos 6 atendimentos e cobrava entre R$ 700 e R$ 1 mil por visita. A Polícia Civil informou que, nesse período, Diogo prescreveu medicamentos, pediu exames e fez encaminhamentos em nome de outro médico.
A menina tem meduloblastoma grau IV, um tumor cerebral maligno. A polícia afirmou que as prescrições feitas por uma pessoa sem habilitação poderiam colocar a saúde da criança em risco.
O delegado Thiago Venturini Antunes afirm que a atuação do suspeito representa um risco ainda maior por se tratar de uma criança que já estava em estado grave.
“É assustador. Como uma criança em extrema gravidade… É claro e concreto o risco que ele causou a essa criança”, disse o delegado.
Com ele, os agentes apreenderam um carimbo e receituários de controle especial em nome de Targino, além de documentos já carimbados em nome de outro médico e blocos de receituários.
De acordo com o delegado, a polícia vai investigar se havia algum tipo de relação entre Diogo e os médicos cujos registros profissionais teriam sido utilizados por ele.
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Investigação
Diogo foi autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, tentativa de estelionato e perigo para a vida ou saúde de outra pessoa, segundo a Polícia Civil.
A Polícia Civil informou ainda que Diogo aparece como autor em outros 4 procedimentos policiais, relacionados a falsidade ideológica, furtos e peculato.
Os investigadores apuram agora se outras pessoas foram atendidas por Diogo enquanto ele se apresentava como médico. A polícia também investiga a informação de que ele seria estudante de medicina e a origem dos recursos usados para custear os estudos.
O que dizem os envolvidos
Diogo Serpa ficou em silêncio na delegacia. O RJ2 não conseguiu contato com a defesa dele.
A Unimed Nova Iguaçu declarou que o estudante preso não faz parte do quadro de médicos e que ele é vinculado a uma empresa terceirizada. Disse ainda que notificou a prestadora de serviços para que apresente esclarecimentos. A Unimed afirmou também que registrou o caso na delegacia e enviou uma equipe à casa da paciente.
O RJ2 procurou a Health Home Cuidados e Gestão, mas não teve retorno.
A AlphaCare informou que assumiu, a pedido da Unimed Nova Iguaçu, a assistência aos pacientes da HealthMais em 31 de dezembro de 2025 e que manteve temporariamente as equipes que já atendiam a paciente Maria Eduarda para garantir a continuidade do tratamento.
Segundo a empresa, o médico que se apresentava como Jefferson Targino Sampaio já acompanhava a menor antes da transição e possuía registro ativo no Cremerj, sem registros de intercorrências relatadas pela família ou pela operadora.
A empresa afirmou que, durante a atualização cadastral, exigiu a apresentação dos documentos originais do profissional e, diante do descumprimento da solicitação, o substituiu imediatamente por um médico de seu quadro.
A AlphaCare ressaltou que o investigado nunca integrou oficialmente sua equipe, disse ter sido vítima de estelionato e falsidade ideológica e informou que registrou boletim de ocorrência para colaborar com as investigações.