14 de maio de 2026
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Bolsonaro pede para Flávio ‘ficar firme’ e diz que Michelle não é opção

Após revelação de mensagens com Daniel Vorcaro, senador afirma que buscou apenas patrocínio privado para filme sobre Jair Bolsonaro e reforça defesa da CPMI do Banco Master

 

O senador Flávio Bolsonaro afirmou ter recebido apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação de um áudio enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em que cobra repasses milionários para a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-chefe do Palácio do Planalto.

Em conversa com a CNN Brasil, Flávio relatou que esteve com o pai na tarde desta quarta-feira (13), antes da repercussão pública do caso, para avisá-lo de que adversários políticos utilizariam o episódio para atacá-lo.

O ex-presidente cumpre prisão domiciliar após condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Segundo o senador, Bolsonaro reagiu com tranquilidade às informações divulgadas pela imprensa e defendeu a legalidade da busca de financiamento privado para o projeto audiovisual.

“Estive com meu pai à tarde nesta quarta. Antecipei à ele que iriam explorar, de forma pejorativa e mentirosa, a questão do filme sobre a vida dele. Ele me disse pra ficar firme, pois não havia absolutamente nada de errado com o filme e que nada melhor do que a verdade para esclarecer os fatos. Errado seria usar dinheiro público para isso, como faz o PT em prol de seu projeto de poder. Disse ainda que não existe nenhuma possibilidade de Michellle ser candidata à Presidência, como alguns veículos de comunicação começaram a ventilar”, relatou.

A declaração ocorre em meio à repercussão da reportagem publicada pelo site Intercept Brasil, que revelou mensagens, documentos e áudios atribuídos a conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo a publicação, o senador teria negociado diretamente com o empresário um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar o filme “Dark Horse”, produção centrada na vida e na trajetória política de Jair Bolsonaro.

Reação após divulgação do áudio

Após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro convocou uma reunião de emergência com integrantes do núcleo político ligado ao bolsonarismo para discutir os desdobramentos do caso.

Na sequência, o senador passou a se manifestar publicamente em defesa da legalidade da negociação e voltou a defender a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, proposta que vem sendo discutida no Congresso Nacional.

Flávio afirmou que conheceu Daniel Vorcaro apenas em 2024, período posterior ao fim do governo Bolsonaro, e destacou que, naquele momento, ainda não existiam acusações públicas contra o banqueiro.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, disse.

O senador também negou qualquer tipo de contrapartida política ou intermediação de interesses em favor do empresário.

Segundo ele, o contato ocorreu exclusivamente para cobrar a continuidade do pagamento das parcelas previstas para o financiamento do longa-metragem.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já”, concluiu.

Banco Master no centro das investigações

Daniel Vorcaro está preso em Brasília e é investigado por suspeita de participação em um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. As apurações conduzidas pela Polícia Federal apontam que os prejuízos investigados podem alcançar cifras bilionárias.

O caso ampliou a pressão política no Congresso pela instalação da CPMI do Banco Master, defendida tanto por parlamentares da oposição quanto por integrantes da base governista.

O requerimento para criação da comissão já atingiu o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento do Congresso Nacional, mas a instalação do colegiado ainda depende de leitura formal pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

Nos bastidores, o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro passou a ser tratado como mais um elemento de pressão sobre a cúpula do Legislativo para destravar a investigação parlamentar.

Enquanto aliados do governo e da oposição defendem o avanço da comissão, o episódio também reacendeu o embate político em torno das conexões entre empresários investigados e lideranças partidárias de diferentes campos ideológicos.

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