Saneamento Salva: cartilha criada com agentes de saúde vira ferramenta de orientação em comunidades do Rio e da Baixada
Lançamento da publicação reúne pesquisadores e agentes sanitários e de saneamento em torno do debate sobre prevenção de doenças, soluções sustentáveis e o papel estratégico de equipes comunitárias em territórios vulneráveis
A Águas do Rio, em parceria com agentes comunitários de saúde que atuam em Clínicas da Família e Centros de Saúde municipais em comunidades do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense, lançou nesta sexta-feira (15) uma cartilha educativa sobre saneamento básico e saúde preventiva. O material foi apresentado durante o evento “Saneamento e Saúde em Diálogo”, realizado na sede da concessionária, no Centro do Rio, e contou com a participação da médica pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcolmo, da pesquisadora e doutora em Ciência da Fiocruz Maria Fantinatti Fernandes e do presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos.
O material vai auxiliar o trabalho dos agentes de saúde nas comunidades e nasceu de encontros entre os profissionais da Responsabilidade Social da Águas do Rio e da atenção básica. A publicação explica, de forma simples, como a falta de água tratada e de coleta e tratamento de esgoto afeta a saúde, além de trazer orientações práticas para o dia a dia, como identificar doenças de veiculação hídrica, entre elas hepatite A, diarreia e febre tifoide, manter a caixa d’água limpa e explicar os benefícios das obras de saneamento que avançam nos 27 municípios atendidos pela concessionária.
‘Diamantes do SUS’
Ao abrir a mesa de debates, Margareth Dalcolmo chamou os agentes comunitários de saúde de “os diamantes do SUS” e destacou o papel desses profissionais na construção de confiança dentro das comunidades. “Sem vocês, tudo que a gente faz cai por terra”, afirmou. Segundo a médica, os agentes são fundamentais para conscientizar moradores sobre prevenção de doenças e para aproximar a população das transformações levadas pelas obras de saneamento.
A pesquisadora da Fiocruz Maria Fantinatti Fernandes reforçou que investir em saneamento também significa reduzir desigualdades sociais. Ela explicou que doenças associadas à exposição contínua ao esgoto podem comprometer o desenvolvimento físico e cognitivo de crianças, afetando inclusive o desempenho escolar e as oportunidades futuras.
Já o presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos, destacou que os impactos da falta de saneamento atingem toda a sociedade, ainda que muitas vezes sejam invisíveis para quem vive em áreas já estruturadas. “Quem sempre teve saneamento nem sempre percebe a importância desse serviço. E quem nunca teve acaba naturalizando situações de risco”, afirmou.
Para a gerente de Responsabilidade Social da Águas do Rio, Tâmara Mota, a parceria construída com os agentes comunitários fortalece a capacidade de diálogo com os moradores e amplia o alcance das ações educativas desenvolvidas nos territórios. Segundo ela, a nova cartilha simboliza a construção coletiva entre conhecimento técnico e experiência prática vivida diariamente pelos agentes de saúde nas comunidades.
O agente comunitário de saúde Alexandre Silva destacou os impactos positivos desses encontros. “O nosso grupo está aprendendo muito com essas trocas de experiências e informações, porque estamos recebendo informações bem específicas sobre saneamento, o que está ajudando o desempenho do nosso trabalho. Por exemplo, a gente agora sabe como ensinar da forma mais correta sobre uma limpeza de caixa d’água e explicar para o morador a importância desse hábito”, contou.
Investimento em saneamento é investimento em saúde
Universalizar os serviços de água e de esgotamento sanitário até 2033, como prevê o Marco Legal do Saneamento, é o compromisso que orienta a atuação da Águas do Rio desde o início da concessão, em novembro de 2021. Nesse período, a empresa investiu R$6,3 bilhões e passou a conduzir uma transformação que se traduz em avanços concretos para a saúde pública, a dignidade da população e a recuperação ambiental de regiões historicamente impactadas pela ausência de saneamento básico.
Ao longo dos 35 anos de concessão, estão previstos cerca de R$24,4 bilhões destinados diretamente à ampliação e universalização dos serviços. O impacto sobre a saúde pública também se traduz em números: segundo estudo do Instituto Trata Brasil, a universalização do saneamento no estado do Rio de Janeiro deve gerar uma economia de R$101,4 milhões ao sistema de saúde até o final da concessão, em internações que simplesmente deixarão de acontecer.

