Sem citar nomes, Lula diz não ter dúvida sobre ‘responsável maior’ por atos golpistas

Na data que marca o primeiro mês dos ataques às sedes dos Três Poderes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que é possível “conviver democraticamente na diversidade”. Lula se reuniu no Palácio do Planalto com o Conselho Político, parte da base do governo no Congresso Nacional.

No encontro, sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula disse que tem a certeza de que a invasão à sede dos Três Poderes no dia 8 de janeiro foi arquitetada “pelo responsável maior de toda a pregação do ódio.”. O petista disse os atos foram uma tentativa de golpe que teria sido organizada para o dia 1º de janeiro, data em que tomou posse como presidente da República.

— Eu tenho dito para todas as pessoas que estou com muita fé que vamos superar toda e qualquer dificuldade que se apresentou. É bom a gente esquecer quem governou esse país até o dia 31 de dezembro. A gente não esquecer nunca da tentativa de golpe que foi tentada no dia 8, que possivelmente poderia ter sido organizada para o dia primeiro, e não foi —afirmou, completando: — Mas essas pessoas resolveram dar um passo adiante e resolveram fazer uma tentativa de golpe nesse país. Hoje não tenho dúvidas e foi arquitetado pelo responsável maior, de toda a pregação de ódio, indústria de mentira, de notícia falsa que aconteceu nesse país nos últimos quatro anos.

Participaram da reunião com o presidente os ministros Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Marian Silva (Meio Ambiente), Fernando Haddad (Fazenda) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia). O vice-presidente Geraldo Alckmin, a presidente do PT, Gleisi Hoffman, e os líderes do PT, Zeca Direceu, do governo na Câmara, José Guimarães, do Congresso, Randolfe Rodrigues, e do Senado, Jaques Wagner, também participaram ao lado de outros parlamentares e líderes partidários.

— Queria terminar fazendo esse apelo para vocês. Temos a chance de mostrar ao Brasil que é possível conviver democraticamente na diversidade. Temos a obrigação de mostrar ao Brasil que fomos eleitos porque no dia da eleição o humor da sociedade brasileira e a quantidade de informação permitiu que estivéssemos aqui.

Aos parlamentares presentes, o petista afirmou que nunca perguntaria “para alguém em quem votou” e que as expectativas para o futuro devem prevalecer. O ex-presidente Jair Bolsonaro falava repetidamente que não dialogava com parlamentares de esquerda. Lula disse ainda que espera que haja divergência com o parlamento e que não há uma expectava de que todas as propostas do governo serão aprovadas.

— Queremos que haja divergência, que é normal, faz parte do jogo democrático. Não temos que concordar com tudo que um deputado ou senador deseja, mas também é verdade que os senadores e deputados não tem que aprovar tudo que o governo manda

Ao ministro Padilha, Lula afirmou que deixou a missão de junto com os líderes da Câmara (José Guimarães), Senado (Jaques Wagner) e Congresso Nacional (Randolfe Rodrigues) manter uma relação “harmônica, sincera e verdadeira” com os parlamentares e pediu celeridade nas soluções das demandas.

— Queremos restabelecer a relação mais civilizada possível com o Congresso Nacional. Temos que entender que o Congresso Nacional não é inimigo do governo e o governo não é inimigo do Congresso Nacional — afirmou, completando: — A gente não tem que ficar contando história, protelando soluções. Temos que ser precisos.

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