Operação de Israel na Cisjordânia deixa ao menos 10 palestinos mortos

Uma operação militar de Israel no norte da Cisjordânia ocupada deixou ao menos dez palestinos mortos nesta quarta-feira (22) em Nablus, informou o Ministério de Saúde palestino. As vítimas tinham entre 14 e 72 anos. Há ainda mais de cem feridos, seis deles em estado grave.

O episódio é mais um na crise regional, que se acirra desde o começo deste ano. Em janeiro, sete pessoas foram assassinadas em frente a uma sinagoga em Jerusalém —ataque que aconteceu após dez palestinos serem mortos em uma ação do Exército de Israel.

Israel anunciou a operação desta quarta-feira pouco antes das 10h30 no horário local (5h30 de Brasília) e afirmou que as tropas reagiram após serem atacadas enquanto tentavam deter suspeitos de planejar ataques. Os soldados deixaram a cidade quase três horas depois.

O grupo terrorista Jihad Islâmica disse que dois de seus comandantes foram cercados em uma casa por tropas israelenses, provocando um confronto que atraiu outros homens armados. De acordo com o jornal Times of Israel, o Exército disparou um míssil contra a construção.

Um jornalista da agência AFP viu soldados israelenses lançando bombas de gás lacrimogêneo no centro de Nablus na direção de jovens palestinos que atiravam pedras contra veículos blindados e queimavam pneus. Fontes palestinas disseram que os dois comandantes da Jihad Islâmica foram mortos junto com outro atirador e que ao menos três das demais vítimas são civis.

Nos últimos meses, tropas israelenses ampliaram operações apresentadas como “antiterroristas” para procurar suspeitos no norte da Cisjordânia —em particular nas cidades de Jenin e Nablus, redutos de grupos armados.

Desde o início do ano, o conflito palestino-israelense provocou as mortes de mais de 50 palestinos e de nove civis israelenses, de acordo com um balanço da AFP com base em fontes oficiais dos dois lados.

“Impedir mais violência é uma prioridade urgente”, afirmou na segunda (20) Tor Wennesland, mediador da ONU para o Oriente Médio. Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, criticou as forças israelenses. “Condenamos a operação em Nablus e pedimos o fim dos contínuos ataques contra nosso povo.”

O Hamas, insinuou possíveis represálias. “A resistência em Gaza está monitorando a escalada de crimes cometidos pelo inimigo contra nosso povo na Cisjordânia ocupada e está ficando sem paciência”, disse Abu Ubaida, porta-voz do braço armado do grupo, no Telegram.

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