23 de junho de 2026
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Motoristas de ônibus anunciam greve a partir de segunda-feira

Os motoristas de ônibus do município do Rio anunciaram greve a partir da meia-noite da próxima segunda-feira (29). A decisão foi tomada após a rejeição da contraproposta apresentada pelo Rio Ônibus durante assembleia realizada pelo Sindicato dos Rodoviários. Caso não haja entendimento de última hora entre empregados e empresários, passageiros serão afetados pela paralisação.

Segundo o presidente da entidade, Sebastião José, as negociações se arrastam há cerca de três meses sem que houvesse uma solução considerada satisfatória. Apesar de o estado de greve já ter sido decretado anteriormente, uma nova assembleia está marcada para este domingo (28), às 18h, para formalizar o início do movimento.

De acordo com o sindicato, a última oferta patronal previa reajuste de 4,39%, índice correspondente ao IPCA acumulado até abril deste ano. Com isso, o salário dos condutores de ônibus convencionais passaria de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, enquanto aqueles que operam veículos articulados da categoria “E” teriam vencimentos corrigidos de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O auxílio-alimentação subiria de R$ 660 para R$ 689.

Para a entidade, os valores estão longe das reivindicações da classe. “São mais de trinta anos cedendo aos argumentos do patronal, mas agora essa situação precisa mudar. Estamos falando de trabalhadores que muitas vezes cumprem jornadas superiores a 14 horas por dia, expostos à violência e à insegurança. A proposta apresentada é uma falta de respeito”, afirmou Sebastião José.

Entre as principais demandas dos rodoviários estão: salário de R$ 5 mil para motoristas que dirigem veículos articulados e do sistema BRT; remuneração de R$ 4 mil para os demais condutores; auxílio-alimentação de R$ 1 mil; planos de saúde e odontológico; além da mudança da data-base para março.

A pauta também inclui o fim dos contratos temporários, a contratação de funcionários do BRT pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a adoção da escala 5×2, a manutenção do passe livre e o pagamento de indenização referente ao intervalo de almoço.

Outro ponto levantado pelo sindicato é a falta de estrutura nos terminais de ônibus da cidade. “Não temos banheiro nos terminais, não temos um local digno para fazer nossas necessidades. O rodoviário está pedindo apenas respeito, valorização e condições mínimas de trabalho”, declarou.
A entidade informou ainda que tenta há cerca de dez dias uma mediação junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), mas, até o momento, não houve avanço nas tratativas.

Em nota, a Rio Ônibus informou que continua negociando com o Sindicato dos Rodoviários em busca de um entendimento. A reportagem de O DIA pediu um posicionamento da Secretaria Municipal de Transportes do Rio. O espaço segue aberto.

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