13 de julho de 2024

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Moradores denunciam despejo de minério de ferro na Baía de Sepetiba

Moradores de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio, denunciam o despejo de minério de ferro durante o embarque em navios no Porto de Itaguaí, na Baía de Sepetiba. Além do assoreamento, a poluição e o esgoto, essa seria mais uma das dificuldades que eles passaram a enfrentar.

Com mais de 300 quilômetros quadrados, o local é um corpo de água salobra rica em áreas de mangue. A Baía de Sepetiba fica entre a Serra do Mar, a Baixada Fluminense e a Restinga da Marambaia.

Pescadores que sempre viveram do que retiram da baía, dizem que o problema não é só esgoto. A poluição das indústrias e de navios da região também atrapalha as atividades. A área fica perto do Porto do Sudeste, em Itaguaí, um dos portos mais importantes para o embarque e exportações de minério.

“Muita coisa mudou na Baía de Sepetiba. Nós tínhamos uma Baía que era um polo pesqueiro, hoje ele é um polo industrial”, conta o pescador Anderson Luiz de Souza.

 

“A trágica poluição da Baía de Sepetiba é antiga e se agrava, com a poluição industrial com os minérios que vai pra dentro da baía, óleo, óleo derramado. O fundo da baía está completamente contaminado. Fazem dragagens e jogam esse material em outro ponto, da mesma baía, prejudicam o peixe, o pescador. Isso também diminui o número de botos e de golfinho cinzar. Sepetiba pede socorro e ação urgente”, diz o deputado estadual Carlos Minc.

Despejo de minério no mar

Na semana passada, pescadores flagraram parte do minério sendo descartado nas águas da baía. Quem vive na Colônia de Sepetiba diz que isso acontece sempre. Eles contam que já estão cansados de protestarem. Enquanto isso, a poluição aumenta e a quantidade de peixes diminui.

“Hoje, o pescador artesanal ele tem que buscar o pescado como pescador industrial, longe da casa. Então, pra gente ficou muito difícil. Antigamente tirávamos dois salários por mês, hoje a gente está tirando menos de um salário”, afirma Anderson Luiz.

Muitos rios e canais que desaguam na Baía de Sepetiba despejam água poluída, lixo e esgoto.

A marisqueira Rosemeire Peixoto foi criada na Baía de Sepetiba com o dinheiro da pesca artesanal. Neta e filha de pescadores, ela catava mariscos para sobreviver.

“Hoje, a situação da Baía de Sepetiba está assim, poluída. Não existe mais marisco, as marisqueiras hoje para se alimentarem, cuidar da família, tem que buscar outros trabalhos, porque não tem como. Dá tristeza, eu me emociono”.

Moradores pedem socorro

O presidente da Colônia de Pescadores de Sepetiba lembra que já denunciou a situação da baía para o Ministério Público. No entanto, o órgão não faz nada.

“A gente sempre pede ajuda. Vai ao Ministério Público e faz queixas. Eu mesmo, já procurei o Ministério Público denunciando esse tipo de irregularidades, essas mineradoras. Fiscalização é só pra nós pescadores, se o pescador saiu para pescar e encostar perto do cais, vem fiscalização, apreendem o material. Agora em relação a poluição, a gente não vê ação nenhuma do poder público . Eu queria que a Baía de Sepetiba voltasse a ser o que era antes, há 30, 40 anos atrás”.

Pelo menos nos últimos 20 anos, a Praia de Sepetiba tem qualidade da água péssima e impropria para banho, na avaliação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

“Uma tragédia anunciada, como essa matéria eu já vi inúmeras nos últimos 10, 20 anos. Ou seja, as causas da degradação continuam acontecendo, crescimento urbano desordenado e ordenado, falta de saneamento eficiente em relação ao esgoto, a fiscalização mais eficiente, mais proativa em cima do polo industrial, e quem acaba pagando toda conta é o meio ambiente e quem depende do meio ambiente que são os pescadores”, conta o biólogo Mário Moscatelli.

Moscatelli diz que ainda dá tempo para salvar a baía e a biodiversidade da região.

Moradores da Colônia de Sepetiba reclamam da falta de fiscalização — Foto: Reprodução/TV Globo

“O processo de degradação é completamente reversível, mas desde que você tenha todos os atores: poder público, iniciativa privada, pescadores, a sociedade, articulados para combater as causas. Agora, não dá para entender, sabendo que as causas são aquelas já conhecidas, há décadas, porque esse processo continua”.

O outro lado

O Inea informou que faz monitoramento mensal da balneabilidade das praias da Baía de Sepetiba, que historicamente são impróprias para banho.

A Zona Oeste Mais Saneamento informou que trata 104 milhões de esgoto por dia, e que 40 milhões de litros de esgoto tratados são despejados na Baía de Sepetiba diariamente.

A Fundação Rio-Águas informou que até maio, foram retiradas cerca de 45 mil toneladas de resíduos de mais de 29 quilômetros de canais que deságuam na Baía de Sepetiba.

Minério vazando para dentro da Baía de Sepetiba — Foto: Reprodução/TV Globo
Minério vazando para dentro da Baía de Sepetiba

Sobre o despejo de minério, a Porto Sudeste disse que conteve rapidamente o que chamou de “queda incomum e pontual de minério de ferro no mar”, e que uma equipe removeu o material da água. A empresa disse que está fazendo uma investigação interna sobre o ocorrido, e que fiscais do Inea estiveram no terminal e constataram que não há poluição.

Por fim, a Porto Sudeste disse que faz monitoramento constante da qualidade da água e dos sedimentos da Baía de Sepetiba.

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