14 de julho de 2024

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Lula participa da entrega das primeiras unidades do Morar Carioca na Cidade do Aço, no Rio de Janeiro

“A terra que Deus não passou.” Por muito tempo, assim foi descrita a Comunidade do Aço, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Lugar de gente humilde que chegou ali em 1967, depois de uma tempestade. Gente que foi se abrigar depois de tragédia e por ali viveu, décadas, em condições precárias. Neste domingo, 30 de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da entrega das primeiras 16 chaves e dos documentos dos novos apartamentos que serão construídos na região. Ao todo, está previsto um investimento de aproximadamente R$ 243 milhões, sendo R$ 45 milhões financiados pelo Governo Federal, por meio de empréstimo já assinado entre o Banco do Brasil e a Prefeitura do Rio de Janeiro.

 

“Hoje eu ia para Brasília de manhã, quando a dona Janja falou: ‘Olha, o Eduardo Paes (prefeito do Rio de Janeiro) está querendo que a gente vá ao Rio de Janeiro porque ele vai inaugurar um prédio na Comunidade do Aço, e ele acha que você tem que estar presente porque é uma coisa histórica, é uma recuperação da dignidade do povo pobre daquela região do Rio de Janeiro.”, disse o presidente.

O empreendimento que faz parte do programa Morar Carioca contempla a construção de 44 blocos, que somam 704 unidades habitacionais e irão beneficiar cerca de 4 mil pessoas com as novas moradias. Hoje, foram entregues as unidades dos três primeiros blocos e mais outros dois serão finalizados nas próximas semanas.

A previsão é de que, até o fim deste ano, sejam entregues 18 prédios. “Estar aqui para esse ato de entrega é um momento muito especial para nós do Banco do Brasil. Neste ano, foram destinados para o Rio de Janeiro mais de R$ 900 milhões para obras que incluem o projeto Morar Carioca na Comunidade do Aço”, reforçou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.

Agora, aqueles moradores que conviviam com esgoto a céu aberto, falta saneamento, de água, de infraestrutura básica e de lazer vão morar em apartamentos de, em média, 50m², com sala, cozinha, banheiro, dois quartos, área de serviço e varanda. O novo endereço também está localizado em área que foi reurbanizada e que ganhou a implantação de serviços públicos.

Além das novas moradias, 70 mil metros quadrados de vias foram pavimentadas, feitas ciclovias, instalados novos pontos de iluminação pública, rede de esgotamento sanitário e elevatória, redes de abastecimento de água, além de um reservatório com 3,3 milhões de litros. O projeto ainda contempla área de lazer, com praças, parques infantis, quadras, pista de skate, palco, academia, áreas de convivência, jardins, entre outros equipamentos.

 

 

O PROJETO – O projeto Morar Carioca prevê a melhoria da infraestrutura urbana, da conectividade viária, da iluminação pública, da coleta de lixo, além da construção de áreas de lazer e de paisagismo em 22 comunidades de Áreas de Especial Interesse Social (AEIS) da cidade do Rio Janeiro. Serão construídas mais de 20 mil moradias, impactando a vida de mais de 80 mil cariocas que vivem em situação de vulnerabilidade.

Em 2003, foi a vez de dar início às obras na Comunidade do Aço, que ganhou esse nome porque os desabrigados pelas chuvas, há mais de 50 anos, foram acomodados em casas, que, de tão grudadas umas nas outras, receberam o apelido de vagões. Com o tempo, o provisório ficou permanente. Mais famílias chegaram e, por causa dos abrigos improvisados, esta comunidade ganhou o nome de Aço.

Agora, essas casas serão desenhadas em novas formas: em blocos de apartamentos de quatro pavimentos, cada. Na cerimônia deste domingo, as primeiras famílias receberam as chaves e as escrituras. As outras terão a mesma sorte nos próximos meses. O presidente Lula prometeu voltar. “Cada vez que tiver entrega de casa, eu aqui estarei. Porque é preciso testemunhar coisas boas para a sociedade brasileira”, disse.

Em seu discurso, Lula fez questão de se lembrar da própria batalha, de quando saiu de Pernambuco para morar em São Paulo. “A primeira casa que eu fui morar era um quarto e cozinha, no fundo de um bar, e o banheiro que a minha família usava, minha mãe e oito filhos, era o banheiro que as pessoas no bar iam utilizar. Um quarto e cozinha, a gente morava em 13 pessoas e dormia naquelas caminhas de armar”, lembra. “Eu conto isso para vocês saberem que vocês não têm, como presidente da República, um estranho no ninho”, acrescentou.

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