Intestino, inflamação e peso: como a doença celíaca pode impactar a saúde metabólica
Cerca de 2 milhões de brasileiros convivem com a doença; especialista explica como a inflamação intestinal impacta na saúde e no metabolismo
São Paulo, maio de 2026 – O Dia Internacional da Doença Celíaca, lembrado no dia 16 de maio, é uma iniciativa global que busca ampliar a conscientização sobre a condição que atinge cerca de 80 milhões de pessoas em todo o mundo. Muito além da restrição ao glúten, a doença celíaca tem efeitos profundos no organismo, especialmente quando o assunto é saúde metabólica. Caracterizada por uma resposta imunológica ao glúten que danifica o intestino delgado, a condição pode levar a alterações na absorção de nutrientes, inflamação sistêmica e mudanças importantes no peso e na composição corporal.
Segundo o Dr. Alfio Souza Borghi, médico nutrólogo e coordenador de pós-graduação em Nutrologia da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic, “a doença celíaca não deve ser vista apenas como uma questão gastrointestinal. Existe um impacto metabólico relevante, que começa na inflamação intestinal e pode repercutir em todo o organismo. Quando o intestino não funciona bem, o corpo entra em desequilíbrio”.
Um estudo publicado na revista Intestinal Research mostrou que pacientes com doença celíaca apresentam maior risco de desenvolver síndrome metabólica e gordura no fígado, risco que pode aumentar após o início da dieta sem glúten. Após um ano de dieta, a prevalência de síndrome metabólica subiu de 11,4% para 18,2%, enquanto os casos de esteatose hepática passaram de 14,3% para 29,5% entre os pacientes avaliados.
Embora classicamente associada à perda de peso e desnutrição, a doença celíaca também pode estar relacionada a um cenário oposto após o diagnóstico. Isso porque, ao iniciar uma dieta isenta de glúten e recuperar a capacidade de absorção intestinal, muitos pacientes passam a ganhar peso de forma desregulada. O próprio estudo aponta aumento significativo de peso, índice de massa corporal e gordura corporal após a introdução da dieta sem glúten.
“Após o diagnóstico e início da dieta sem glúten, o paciente costuma melhorar a absorção. Mas isso não significa, automaticamente, equilíbrio metabólico. Muitas vezes, há um ganho de peso associado ao consumo excessivo de produtos ultraprocessados sem glúten, que são pobres nutricionalmente”, explica o especialista.
Nesse contexto, o acompanhamento com a nutrologia se torna estratégico. A especialidade atua na avaliação detalhada do estado nutricional, correção de deficiências, ajuste alimentar individualizado e monitoramento de parâmetros metabólicos ao longo do tratamento. “A inflamação crônica da mucosa intestinal compromete a absorção de nutrientes essenciais, como ferro, vitamina B12, vitamina D e proteínas, todos fundamentais para o metabolismo energético e a manutenção da massa muscular. Além disso, alterações na microbiota intestinal podem influenciar processos como resistência à insulina e regulação do apetite”, complementa o médico.
Com cerca de 2 milhões de brasileiros vivendo com a doença celíaca, o tema ganha relevância como um desafio de saúde pública que vai além da alimentação. Estimativas da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra) indicam que grande parte dos casos permanece invisível, o que reforça a importância da conscientização e do diagnóstico precoce.
Nesse cenário, especialistas alertam que o tratamento não deve se limitar à exclusão do glúten. O acompanhamento nutricional e metabólico adequado é essencial para evitar complicações e garantir qualidade de vida: “Não basta retirar o glúten. É preciso reequilibrar o organismo como um todo. A nutrologia entra justamente para garantir que esse paciente recupere a saúde intestinal sem desenvolver outros problemas, como sobrepeso, deficiência nutricional ou alterações metabólicas”, finaliza Dr. Alfio.
Sobre a São Leopoldo Mandic
Considerada, por 15 anos consecutivos, uma das dez melhores instituições de ensino superior do país segundo o Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC, a Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas, reúne, em seu corpo docente, professores doutores com vasta produção científica formados pelas melhores instituições de ensino do Brasil e do exterior. Estruturada com laboratórios de última geração, clínicas odontológicas completas, cenários de prática em hospitais e Unidades Básicas de Saúde conveniados, a instituição oferece aos alunos vivência prática nos cursos de Odontologia e de Medicina desde o 1º ano, bem como atividades de pesquisa e prestação de serviços comunitários. Dispõe de laboratórios de simulação realística, recursos modernos para diagnóstico e treinamento e HUB de inovação, que estão a serviço dos cursos de graduação e pós-graduação. Conta também com projetos de extensão como o Barco da Saúde, que leva atendimento médico e odontológico às comunidades carentes. A Faculdade São Leopoldo Mandic faz parte do Grupo Mandic, que possui outras nove unidades de pós-graduação distribuídas pelo país e uma em Portugal. Também fazem parte do Grupo mais três Faculdades de graduação em Medicina, nas cidades de Araras-SP, Limeira-SP e a Faculdade de Medicina do Sertão (FMS) em Arcoverde-PE.

