Inca integra consórcio nacional de pesquisa em câncer com 11 instituições
Representantes de 11 instituições brasileiras de referência – entre elas, o INCA – se reuniram, em Brasília, a convite da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) , para articular a criação de um consórcio nacional de pesquisa em câncer. Diante do aumento dos casos de câncer e da necessidade de respostas mais rápidas para a população, a proposta foi criar uma rede colaborativa formada por hospitais, universidades e centros científicos nacionais e internacionais. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de vacinas, exames, diagnósticos e tratamentos voltados aos pacientes do SUS.
A proposta não é criar um projeto temporário, mas estabelecer uma governança colaborativa e infraestrutura capaz de atender todas as regiões do País. “A forma como essa rede foi estruturada permite viabilizar investimentos, garantir a continuidade das pesquisas e assegurar o funcionamento permanente do projeto”, explicou Fernanda De Negri, secretária da SCTIE.
Estrutura do consórcio
A concepção do consórcio nacional surgiu após a assinatura de acordo estratégico entre o Ministério da Saúde e a Universidade de Oxford, voltado ao desenvolvimento de vacinas contra o câncer. Com o avanço da proposta, foi instituído um grupo de trabalho responsável pela elaboração do projeto operacional da iniciativa de pesquisa, que inclui modelo de gestão, princípios, metodologia e definição dos comitês técnicos.
O projeto conta com apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit), vinculado à SCTIE, e é coordenado pelo Hospital do Coração (HCor). Além do INCA, integram o consórcio A.C. Camargo Cancer Center, Beneficência Portuguesa, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Albert Einstein Hospital Israelita, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Sírio-Libanês, Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Federal de Minas Gerais.
Plataforma colaborativa
O consórcio será implantado em etapas. A primeira fase prevê a criação de uma infraestrutura integrada de pesquisa, considerada um dos principais diferenciais do projeto. Atualmente, os dados sobre estudos oncológicos no Brasil ainda estão fragmentados entre diferentes instituições.
A proposta é desenvolver uma grande plataforma nacional de oncologia, reunindo informações padronizadas em um ambiente compartilhado e seguro. A estrutura permitirá acompanhar os pacientes ao longo do tempo e tornar mais rápida a avaliação da eficácia dos tratamentos e dos resultados das pesquisas.
Na plataforma colaborativa terá um biobanco nacional, com armazenamento de materiais como DNA, sangue, plasma, tecido tumoral e outras amostras biológicas, além de dados de ensaios clínicos e análises científicas. A expectativa é que a centralização dessas informações acelere a produção de conhecimento e facilite o desenvolvimento de novas terapias para a população brasileira.

