14 de julho de 2024

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Disputa na Baixada Fluminense tem largada com nomes apadrinhados pelos atuais prefeitos atrás de rivais

As disputas pelo comando dos maiores colégios eleitorais da Baixada Fluminense desafiam, no momento, pré-candidatos apadrinhados pelos atuais prefeitos, de acordo com pesquisas Quaest divulgadas ao longo da semana para as corridas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo. Nessas cidades, nomes com o apoio da máquina aparecem atrás de rivais na pré-campanha. Os levantamentos indicam, no entanto, que há espaço para ampliarem suas intenções de voto quando associados a figuras nacionais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e caciques locais.

Maior município da Baixada e segundo colégio eleitoral mais populoso do Estado do Rio, Caxias tem na liderança um embate entre os dois principais grupos políticos que comandaram a cidade nas últimas décadas: o ex-prefeito Zito, agora no PV, foi abraçado por Lula e enfrenta o sobrinho do ex-prefeito Washington Reis (MDB), Netinho Reis (MDB), endossado por Bolsonaro. A cidade é hoje comandado pelo tio-avô de Netinho, Wilson Reis (MDB).

Intenções de voto — Foto: Editoria de Arte

Segundo o levantamento da Quaest, Zito está à frente na disputa, com 40% das intenções de voto, contra 23% de Netinho. Quando a pesquisa menciona o apoio de Lula a Zito, o pré-candidato oscila positivamente e vai a 42% — a margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos. Ao citar que Bolsonaro e Washington Reis estão com Netinho, o neófito na política eleitoral chega a 29%.

 

O nome da família Reis enfrenta um problema que não assola pré-candidatos da máquina nas outras cidades: a má avaliação de Wilson Reis. O governo é positivo para apenas 16% dos entrevistados, segundo a Quaest.

Bem avaliados

A situação é diferente das observadas em Nova Iguaçu e Belford Roxo. Nas duas cidades, os escolhidos pelos prefeitos Rogério Lisboa (PP) e Waguinho (Republicanos) aparecem em desvantagem, mas contam com padrinhos que desfrutam de índices de avaliação razoáveis. Lisboa vai apoiar Dudu Reina (PP), enquanto Waguinho colocou no jogo o sobrinho Matheus Carneiro (Republicanos), que virou “Matheus do Waguinho”.

A conjuntura é embolada em Nova Iguaçu. Nome de Lula, Tuninho da Padaria (PT) tem 18% dos votos, assim como Clébio Jacaré (União). Já Reina aparece numericamente atrás, com 13%, mas empata com os demais na margem de erro. Ele conta, porém, com a força do prefeito e de Bolsonaro como cabos eleitorais: vai a 38% quando associado aos dois, enquanto Tuninho chega a 29% com Lula e o ex-prefeito Lindbergh Farias (PT).

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Belford Roxo nunca recebeu tantos holofotes nacionais sobre a política local quanto em 2022. Waguinho chamou atenção ao ser o único prefeito da Baixada a apoiar Lula no segundo turno, logo depois de ter feito os deputados mais votados no Rio para a Assembleia Legislativa, Márcio Canella, e para a Câmara, Daniela do Waguinho. Canella, no entanto, rompeu com o prefeito e agora lidera disputa à prefeitura com 51% — mais que o dobro dos 25% de Matheus.

Waguinho tem, por outro lado, sua administração considerada positiva por 42%, e 30% a consideram regular.

No PT, o discurso é que Lula será incluído nas campanhas das três cidades. O PL também vaticina um envolvimento de Bolsonaro. Em jogo, além da conquista das prefeituras, está a construção de cabos eleitorais para as eleições de 2026.

— A Baixada é um território importantíssimo para nós, e estamos com candidaturas competitivas. Já nascemos para 2026 no Rio com um alicerce muito maior do que tínhamos antes de 2022 — avalia o presidente estadual do PT, João Maurício de Freitas.

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A Baixada deu votações expressivas ao PT em eleições presidenciais entre o segundo turno de 2002 e o de 2014, mas foi tomada pela onda bolsonarista em 2018 e, apesar de Bolsonaro ter fôlego na região em 2022, ela permaneceu à direita há quatro anos. Entre suas características está a forte penetração de igrejas evangélicas.

Professor da UFRJ, o cientista político Josué Medeiros aponta a Baixada como central para Lula.

— Tem a capital, onde o Eduardo Paes acaba sendo o principal ator, a região de Niterói e entorno, onde a esquerda está bem posicionada, e a Baixada vira então um grande campo de disputa — observa.

Sobre os pleitos municipais, Medeiros avalia que a máquina tende a fazer a diferença.

— Governos costumam melhorar sua avaliação ao longo do processo eleitoral, porque a campanha permite mostrar realizações. Além disso, tem a mobilização de quem está nas estruturas do governo, o que na Baixada faz uma diferença significativa.

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