16 de junho de 2026
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Comissão da ALERJ leva debate sobre reindustrialização à UERJ e reúne especialistas do setor

Encontro reuniu ainda pesquisadores, sindicalistas, estudantes e professores para discutir caminhos para o desenvolvimento econômico do estado

O estado do Rio de Janeiro atravessa um momento decisivo de redefinição de sua matriz econômica. Após décadas de forte dependência da economia do petróleo e do setor de serviços, a pauta da reindustrialização surge como uma estratégia importante para garantir maior estabilidade econômica, geração de empregos e desenvolvimento sustentável.

Com o objetivo de debater o papel estratégico das universidades públicas no desenvolvimento econômico, tecnológico e industrial do estado, a Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, nesta segunda-feira (15/06), uma audiência pública na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Presidido pela deputada estadual Dani Balbi (PCdoB), o encontro reuniu representantes da Reitoria da Uerj e do campus Zona Oeste da universidade, professores, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições públicas. Também participaram representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), da Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj), do Diretório Central dos Estudantes (DCE), do Instituto Pereira Passos e membros da comunidade acadêmica.

Durante a audiência foram discutidas novas possibilidades para a retomada industrial fluminense, como a instalação de um complexo industrial da saúde, o fortalecimento de indústrias ligadas à sustentabilidade e à transição energética e a recuperação da indústria de transformação metalúrgica, com destaque para o setor naval. Os participantes apontaram essas áreas como capazes de inaugurar um novo ciclo de industrialização no estado. Dani Balbi destacou a importância da valorização dos profissionais da universidade para que a instituição possa cumprir seu papel estratégico no desenvolvimento do estado.

Ao longo dos debates, os participantes destacaram que o Rio de Janeiro enfrenta um processo de desindustrialização marcado pela perda de setores considerados estratégicos, pela redução de postos de trabalho qualificados e pelo enfraquecimento de territórios historicamente ligados à atividade produtiva. Segundo os especialistas, esse cenário também tem contribuído para a saída de profissionais qualificados e pesquisadores do estado.

Outro ponto abordado foi a situação financeira das universidades estaduais fluminenses. Representantes da comunidade acadêmica defenderam a ampliação dos investimentos em ensino superior, ciência, tecnologia e inovação, argumentando que o fortalecimento dessas instituições é fundamental para sustentar um novo ciclo de desenvolvimento econômico.

Políticas de valorização profissional

Durante a audiência, foi ressaltado que a insuficiência de recursos destinados às universidades impacta diretamente a manutenção da infraestrutura dos campi, o financiamento de pesquisas e as condições de trabalho de docentes e técnicos-administrativos. Os participantes defenderam a construção de políticas permanentes de valorização profissional e o fortalecimento da autonomia financeira das instituições estaduais de ensino superior.

As potencialidades industriais do estado também ocuparam parte central das discussões. Foram destacadas áreas como a indústria do petróleo e gás, a economia do mar, a indústria naval, a indústria de transformação e o complexo industrial da saúde. Os participantes defenderam a criação de um modelo de desenvolvimento capaz de integrar universidades, empresas e poder público na elaboração de projetos voltados ao crescimento econômico regional.

Grupo de trabalho e programa-compromisso

Ao final da audiência, foram definidos dois encaminhamentos principais. O primeiro prevê a criação de um grupo de trabalho intersetorial reunindo a Comissão de Trabalho da Alerj, representantes das universidades estaduais, entidades sindicais e estudantis para elaborar um plano de investimento e desenvolvimento das universidades voltado à reindustrialização do estado.

O segundo consiste na construção de um programa-compromisso das universidades estaduais, que deverá ser apresentado aos futuros candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, com propostas voltadas ao fortalecimento do ensino superior, da ciência, da tecnologia e do desenvolvimento industrial fluminense.