Câmara do Rio: Artistas de rua transformam espaços públicos em palcos de cultura
Quem anda pelas ruas com a pressa que o dia a dia exige pode se esquecer de olhar para um Rio de Janeiro de pessoas quase invisíveis. São trabalhadores que, por meio de um ofício, dão cores e sons à cidade, e nos ajudam a lembrar da importância da cultura nas nossas vidas. Estamos falando dos artistas que usam a rua como palco e dela tiram o sustento.
É o caso da Júlia Klein, multi-instrumentista, atriz e formada em Dublagem, Cinema e pós-graduada em Direção de TV. Ela continua com as apresentações ao ar livre, em busca de aplausos e da doação da plateia. “Eu comecei a tocar com 16 anos. E era essa a relação: a minha caixa, meu violão aberto, violino aberto. Na época não tinha PIX, então era deixar o dinheiro ali. Qual o problema de eu chegar e fazer isso? Qual a vergonha, qual o preconceito? Nenhum. Minha mãe também me incentivava, falava isso é trabalho honesto”, conta. Júlia é um dos muitos personagens que a Reportagem Especial da Semana apresenta.
Circulamos pelo Rio para mostrar quem são e o que motiva os artistas de rua. Alguns apresentam trabalhos autorais, outros preferem atrair a atenção com covers de artistas mais famosos, como Lucas Rafael Oliveira, que é sósia de Michael Jackson. “Levo umas 3 horas pra poder ficar pronto. Mega produção mesmo. Não é um processo simples. Para ficar do jeito e estilo do MJ é um processo trabalhoso”, revela.
Cada um do seu jeito, eles transformam – rotineiramente – calçadas, praças e até semáforos em palcos ou galerias a céu aberto. No Rio de Janeiro, desde 2012, uma lei municipal aprovada na Câmara de Vereadores garante que artistas ocupem os espaços públicos sem precisar de autorização prévia. E, desde 2023, a profissão virou Patrimônio Cultural Imaterial do estado. Os reconhecimentos dão importância ao trabalho feito por quem ajuda a consolidar a rua como espaço plenamente democrático.
A programação completa da emissora pode ser acompanhada ao vivo pelo YouTube da Rio TV Câmara ou pelo canal 10.3 da TV aberta. Confira outros destaques da semana, que também vão ao ar às 20h:
O Meu Lugar: Maracanã
Próxima parada: Maracanã! Esse anúncio é bem familiar aos torcedores dos clubes cariocas e aos turistas que se dirigem de metrô ou de trem, em dias de jogos, para aquele que já foi considerado o maior estádio do mundo. E serve também para indicar onde as equipes de O Meu Lugar desembarcaram para contar a história de fundação, o processo de desenvolvimento e a relação afetiva e de identificação dos moradores com mais uma região importante da cidade.
O episódio da semana mostra que muito antes de estar associada ao complexo esportivo que recebeu duas finais de Copa do Mundo, uma abertura e um encerramento de Olimpíada, a palavra Maracanã já dava nome ao rio que corta a região – ligando o Maciço da Tijuca ao manguezal e desaguando na Baía de Guanabara. A origem dela seria a denominação dada a uma espécie de pássaro característico da área.
O programa reforça ainda que, além de atrair uma população flutuante gigantesca – por causa dos eventos de esportes, semanalmente –, o bairro oferece muitas outras opções de lazer e serviço. Ele é sede da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), considerada um dos principais centros de produção de conhecimento e ciência do país. Nele também se localiza uma gama gigantesca de centros de educação que são referência no Rio e fora dele, como Colégio Pedro II, Cefet, Instituto Federal de Educação, Colégio Militar e universidades privadas.
Além de estar no imaginário da carioca pelos lances de bola nas redes, o Maracanã abriga endereços fundamentais para a trajetória e a preservação do samba no país. Um deles é a casa onde morou Donga, compositor que ficou conhecido como primeiro a gravar uma música do gênero brasileiro.
É por lá também, na Rua Dona Zulmira, que fica um bar que mais parece um camarim da Marquês de Sapucaí. Com paredes e teto apinhados de adereços, instrumentos musicais, fantasias e pedaços de carros alegóricos que passaram com as escolas de samba na avenida, o ambiente faz com que mesmo quem nunca pisou no Sambódromo tenha experiência parecida com a de quem costuma desfilar.
Especialistas debatem quando cuidar da saúde vira uma busca pela perfeição
A busca por um estilo de vida mais equilibrado sempre acompanhou a evolução da humanidade. E ao longo dos séculos fomos aprimorando a forma como enxergamos saúde e procuramos alcançar longevidade. Se houve um tempo em que o conceito era o dueto simples “mente sã em corpo são”, essa regra parece já não bastar. Sai o fitness e agora o que tem ganhado mais força é a cultura wellness.
Além de se alimentar bem e praticar esportes regularmente, para atingir um corpo ideal, é preciso cuidar do mental, do emocional e do espiritual. O pensamento não é tão novo. Foi criado nos anos 70 por um estudioso americano.
Mas o acesso crescente a fontes de informação e, sobretudo, a consolidação das plataformas digitais e a espetacularização das rotinas em múltiplos formatos de telas têm ajudado a retomar e consolidar a ideia. O problema é que esse comportamento, principalmente digital, vem estimulando a necessidade de performances e de perfeição.
Para quem gosta de corrida, apenas um percurso de 5km não é suficiente. É preciso passar por uma meia maratona ou maratona. Qual é o limite saudável da procura por bem-estar? Essa é a discussão que chega ao nosso Câmara Rio Debate, que será exibido na próxima terça-feira (06/10).
Quando a escolha por uma vida mais saudável se torna obsessão? Vamos receber no estúdio de vidro Rodrigo Acioli, psicólogo do esporte e diretor da Associação Brasileira de Psicoterapia – Abrap, e a educadora física, integrante da Câmara Técnica de Atividade Física e Saúde e especialista em Neurociência aplicada à Reabilitação (UFRJ), Núbia Cassani.
Sambista e pesquisadora, Nilze Carvalho fala sobre sua trajetória na Rio TV Câmara
A música vem de berço. Aos 5 anos de idade, ela já espantava o círculo de amigos da família pela exímia habilidade com um cavaquinho. Costuma dizer que o instrumento era a boneca dela. Com essa idade foi parar nos programas de TV. E aos 57 anos continua na tela, tanto que é o destaque do Câmara Rio Entrevista da semana.
Do choro e do samba, Nilze Carvalho tem uma carreira nacional e internacional consolidada, em projetos solo ou com grupos. O álbum Verde Amarelo Negro Anil foi indicado ao Grammy Latino, em 2015. Um ano antes, já havia conquistado o Prêmio da Música Brasileira com o Sururu na Roda, coletivo criado no início dos anos 2000. A instrumentista e cantora teve outras duas indicações à premiação nacional.
O primeiro disco veio aos 11 anos, quando iniciou a gravação de uma série de quatro volumes chamada Choro de Menina, e teve a companhia do Conjunto Época de Ouro, um dos mais importantes na divulgação do chorinho, fundado por Jacob do Bandolim. Nilze tem um programa de rádio onde ajuda a divulgar a música brasileira, além de ser pesquisadora. Ela é formada em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio) e uma das precursoras do movimento que ajudou a revitalizar o bairro boêmio da Lapa.
Até novembro, a artista se apresenta nos palcos do Sesc, pelo estado do Rio, com o show do álbum Nos Combates da Vida, com repertório que reúne músicas autorais e de compositores como Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Caetano Veloso e Teresa Cristina. O espetáculo esteve recentemente em Singapura. Mais um país para onde Nilze leva nossa música, como já fez ao passar por Itália, Espanha, França, Suíça, Holanda, Argentina, Japão, Estados Unidos, China e Austrália.
Rolezinho Carioca mergulha na história e na tradição das rodas de samba
O Rolezinho Carioca desta semana celebra um Patrimônio Imaterial da Cidade – são quase 6 anos desde a conquista desse reconhecimento. Mas até chegar aqui, esta manifestação tradicionalmente carioca percorreu muito chão e história. Estamos nos referindo às rodas de samba.
Muito mais do que meramente lazer, desde as primeiras formações, elas são espaços de socialização, de resistência, de preservação de identidade e de transmissão de cultura e saberes entre muitas gerações. Em todas as regiões da cidade, elas se multiplicam. E não importa o dia da semana, sempre existe uma roda acontecendo na agenda cultural carioca. Nossa equipe visitou duas delas para confirmar tudo isso.
A primeira tem agitado as segundas-feiras da Lapa. Com mesas e cadeiras na calçada da Rua do Lavradio, foi lá que conversamos com Alysson Geraes. O representante da nova geração de sambistas é filho de Toninho Geraes e comanda semanalmente um encontro de novos e tradicionais nomes da música. Durante nossa visita, presenciamos a participação do próprio Toninho, Marquinhos Diniz (um dos herdeiros de Monarco), Chico Alves e Alana Moraes.
Outra roda visitada tem menos edições no calendário, e acontece apenas nas segundas sextas-feiras de cada mês. Organizada por professores, a Sim pro Samba, inicialmente, queria reunir profissionais da educação. Mas como toda boa roda que se preze, agregou muito mais pessoas de todas as áreas profissionais e de todos os cantos da cidade, ali atrás das construções centenárias da Biblioteca Nacional, no Centro da cidade.
Músicos, frequentadores assíduos e turistas contam para a nossa equipe porque as rodas sempre estão entre os principais programas do Rio. Nosso bate-papo ganha o reforço de Flávio Galiza, da Rede Carioca de Rodas de Samba, uma associação cultural criada há mais de uma década para ajudar a preservar e promover os encontros como ferramenta de desenvolvimento socioeconômico territorial do Rio.
Resumo da Semana
Tudo o que foi discutido, aprovado e transformado em lei ao longo da semana legislativa para melhorar o dia a dia da cidade e a vida dos cariocas é sintetizado no Resumo da Semana, exibido aos sábados, a partir das 16h20. O programa reúne os principais debates, votações, audiências públicas e demais acontecimentos do Legislativo municipal em uma linguagem dinâmica e objetiva.
Além da TV aberta, pelo canal 10.3, toda a programação da Rio TV Câmara pode ser acompanhada simultaneamente pelo canal @tvcamarario, no YouTube, e pelo portal tv.camara.rio

