Após adiamento, Lula desembarca em Xangai na quarta-feira, para uma visita de três dias à China

Acompanhando de uma comitiva com empresários, governadores, senadores, deputados e ministros de Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à China, nesta quarta-feira. A programação da visita, considerada uma das mais importantes de Lula em seu terceiro mandato, inclui visitas oficiais, conversas bilaterais e assinaturas de diversos acordos.

Segundo o Palácio do Planalto, o objetivo do governo brasileiro é relançar as relações com aquele que é o principal parceiro comercial do país desde 2009. Em 2022, a China importou mais de US$ 89,7 bilhões em produtos brasileiros, especialmente soja e minérios, e exportou quase US$ 60,7 bilhões para o mercado nacional. O volume comercializado, US$ 150,4 bilhões, cresceu 21 vezes desde a primeira visita de Lula ao país, em 2004.

A viagem aconteceria no fim do mês passado, mas foi adiada por motivo de saúde. Lula estava gripado e com pneumonia. Apesar da postergação da data, os representantes do governo que haviam ido antes para a China, entre os quais o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, conseguiram conquistas importantes, como o fim do embargo às exportações de carne bovina no Brasil.

Pela nova programação, a visita da comitiva brasileira à China começa no dia 13, próxima quinta-feira, em Xangai. Pela manhã, o presidente Lula irá participar da cerimônia de posse da ex-presidente Dilma Rousseff no comando do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco de fomento dos BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). À tarde, ele terá encontros com empresários, e à noite viajará para Pequim.

Na sexta-feira, a agenda oficial na capital chinesa inclui uma reunião pela manhã com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo. Depois, Lula depositará flores em uma cerimônia na Praça da Paz Celestial.

À tarde, Lula se encontrará com lideranças sindicais e depois voltará ao Grande Palácio do Povo, onde se reunirá com o primeiro-ministro da China, Li Qiang. Em seguida, será recebido em cerimônia oficial pelo presidente Xi Jinping. A programação terá um encontro aberto, uma cerimônia para assinatura de acordos bilaterais e depois um encontro bilateral fechado. Depois disso, haverá uma cerimônia de troca de presentes, registro de fotos e, por fim, um jantar oficial.

Um acordo esperado durante a visita de Lula é a certificação digital, que deve tornar o trâmite de produtos mais rápido e confiável, diminuindo a burocracia para os exportadores brasileiros. Há, ainda, um acordo que prevê a operação direta entre o real e o yuan, a moeda chinesa, sem necessidade de dolarização, que aambém deve facilitar o comércio entre os dois países.

Outras áreas de destaque na pauta do evento incluem o turismo entre os dois países, e investimentos. Existe, ainda, a expectativa de programas brasileiros de combate à fome, de proteção ao meio ambiente e de desenvolvimento sustentável passarem a ser vistos como referência pelo governo chinês.

Entre os cerca de 20 acordos bilaterais esperados durante a visita, também se destaca a construção do CBERS-6, o sexto de uma linha de satélites construídos em parceria entre Brasil e China. O diferencial do novo modelo é uma tecnologia que permite o monitoramento de biomas como a Floresta Amazônica mesmo com nuvens.

Lula viajará acompanhado por uma delegação oficial que inclui os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social).

A delegação brasileira também irá incluir os governadores Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Elmano de Freitas, do Ceará, Carlos Brandão, do Maranhão, Helder Barbalho, do Pará, e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte.

Esta será a terceira visita oficial do presidente brasileiro à China. O ano de 2023 é o cinquentenário do início das relações comerciais entre Brasil e China. A primeira venda entre os dois países aconteceu em 1973, um ano antes do estabelecimento das relações diplomáticas sino-brasileiras.

Em 2022, o produto brasileiro mais vendido para o mercado chinês foi a soja, com 36% do total exportado, seguido pelo minério de ferro com 20% e o petróleo com 18%. O perfil da exportação mudou um pouco em janeiro e fevereiro de 2023, com o petróleo na liderança com 23%, seguido pela soja (22%) e o minério de ferro (21%).

O comércio com a China foi alavancado nos dois primeiros mandatos do presidente Lula. Em 2003, seu primeiro ano na presidência, as exportações para o mercado chinês somavam apenas US$ 4,5 bilhões e as importações, US$ 2,1 bilhões, um volume comercial de US$ 6,6 bilhões. No último ano do segundo mandato, em 2010, as exportações cresceram 582%, para US$ 30,7 bilhões, as importações foram para US$ 25,6 (aumento de 1.100%), para um volume comercial de US$ 56,3 bilhões (crescimento de 753%).

No retorno ao Brasil, o avião presidencial pousará em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. Lula fará uma visita oficial àquele país no próximo sábado.

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