14 de julho de 2024

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O Globo: Alvo da PF, família Reis vive cenário difícil na eleição em Duque de Caxias

A operação da Polícia Federal que atingiu na quinta-feira (4) o ex-prefeito de Duque de Caxias, secretário estadual de Transportes e presidente estadual do MDB, Washington Reis, desponta como novo obstáculo na tentativa dele de eleger o sobrinho para prefeito da cidade da Baixada Fluminense. Segundo maior colégio eleitoral do Rio, Caxias é governada por um tio de Washington, Wilson Reis, e a família tem como candidato à sucessão um sobrinho do ex-prefeito, Netinho Reis.

 

Centrada na suposta falsificação de cartões de vacinação — incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Washington —, a operação é mais uma a minar o capital político do ex-prefeito. Em 2022, ele chegou a resistir até os últimos momentos como candidato a vice na chapa do governador Cláudio Castro (PL), mas foi impedido pela Justiça Eleitoral por causa de uma condenação por crime ambiental.

Das três pesquisas Quaest feitas em municípios da Baixada, a de Caxias é a que mostra maior dificuldade para o representante da máquina. Não só pela liderança do adversário Zito (PV) — que tem 40%, enquanto Netinho aparece com 23% —, mas sobretudo por causa da má avaliação do governo da família Reis. Apenas 16% o consideram positivo, 32% o avaliam como regular e 35% acham a gestão negativa. Já 17% não sabem responder.

A conjuntura é diferente da que se vê em Nova Iguaçu e Belford Roxo, segunda e terceira cidades com mais eleitores na Baixada. Por lá, os apoiados pelos atuais prefeitos estão atrás nas intenções de voto mas têm como ativo a boa avaliação das prefeituras de Rogério Lisboa (PP) e Waguinho (Republicanos).

— Nosso candidato ainda é desconhecido. É um jovem de 31 anos, trabalhador. Pode anotar aí: ele vai ganhar no primeiro turno — afirma Washington Reis, que minimiza os impactos eleitorais da operação. —De jeito nenhum. Nada a temer.

A leitura do grupo político da família Reis é que, apesar da desvantagem de agora e da má avaliação da prefeitura, o adversário Zito só está à frente por causa do recall que carrega consigo de todo o histórico político na cidade — foi prefeito três vezes. Os Reis apostam na rejeição alta com que Zito deixou a prefeitura, na esteira de uma crise na coleta de lixo.

Washington foi aliado de Lula no passado e chegou a encontrar o petista depois que ele saiu da prisão e retomou a vida política, mas se manteve fiel à família Bolsonaro. Na eleição de 2022, apesar da derrota a nível nacional, o ex-presidente teve 58,3% dos votos em Caxias, contra 41,7% do atual presidente.

Pouco apoio

Interlocutores de Washington observam que foi escassa a solidariedade de aliados depois da operação, o que evidenciaria a delicadeza do momento político. O governador Cláudio Castro, por exemplo, não fez manifestação individual sobre o episódio. Também não houve nota do MDB, partido ao qual Washington é filiado há 25 anos. Dos quadros de mais peso do partido no Rio, quem se manifestou foi o vice-governador, Thiago Pampolha, hoje rompido com Castro.

Segundo a PF, a prefeitura de Caxias foi usada para registros de dados falsos de vacinação de Bolsonaro, do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e de familiares de ambos. A operação da última quinta teve como objetivo identificar outros possíveis beneficiários.

Além de Washington, do atual prefeito de Caxias e do pré-candidato Netinho, a família Reis tem dois irmãos do ex-prefeito em cargos eletivos: o deputado federal Gutemberg Reis e o estadual Rosenverg Reis, os dois do MDB.

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