7 de agosto de 2026
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ALERJ impulsiona preparação de trabalhadores para o avanço da inteligência artificial

Entre os debates promovidos pelo Rio Innovation Week, durante esta semana, está a adaptação do mercado de trabalho às IAs, o que já é política de estado no território fluminense.

Em 2026, parte considerável da população mundial já entendeu que o prompt certo dado à uma inteligência artificial pode transformar ideias em projetos reais em questão de segundos. Passado o estado de êxtase causado pela facilidade, o debate público se acendeu para o medo de que o avanço tecnológico substitua profissionais e dizime carreiras. No Estado do Rio, a inserção da IA no universo laboral já se tornou política pública com a criação de diretrizes que preparam trabalhadores diante das transformações provocadas por ela. É o que prevê a Lei 11.225/26, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro (Alerj) em junho.

A tensão entre o avanço da IA e o cotidiano humano foi tema central na edição deste ano da Rio Innovation Week (RIW), maior conferência global de inovação e tecnologia, que se encerra nesta sexta-feira (07/05). Nesse cenário, a proteção que o poder público pode oferecer às relações humanas foi tema da palestra dada pela presidente da Comissão de Inteligência Artificial e Inovação do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Ana Amélia Menna Barreto, no evento. Ela participou do painel que abordou as políticas regulatórias que tratam da IA e defendeu que a transição tecnológica precisa de suporte legislativo.

“O Estado do Rio pode ser um indutor de destaque na regulação e criação de normas sobre inteligência artificial. Precisamos conceder estímulo financeiro, linhas de crédito e incentivo fiscal. Por outro lado, é importante promover o letramento em IA, a formação de mão de obra qualificada e a adaptação dos trabalhadores às novas demandas do mercado”, disse a especialista.

Segundo Ana Amélia, cerca de 30% do mercado de trabalho brasileiro já apresenta algum nível de exposição à inteligência artificial. “Calcula-se que 15% da força de trabalho estará mais exposta à substituição direta, especialmente em tarefas mecânicas ou repetitivas. Mas surge também um movimento de valorização de características puramente humanas, como a inteligência emocional, o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas complexos”, enfatizou.

Talento é insubstituível

Entre as profissões que são impactadas pelos avanços da IA, está a do designer gráfico. Atuando há oito anos na área, Lucas Lima acredita que a função social do design vai além da estética e está fortemente ligada às soluções de problemas que impactam demandas da sociedade, como acessibilidade, educação e sustentabilidade.

“O design pode ser usado em projetos culturais e educacionais atuando como um facilitador tanto no acesso quanto na assimilação da informação. Por exemplo, cores, imagens, formas, ilustrações são elementos que ajudam na compreensão da mensagem. Já no que diz respeito à sustentabilidade, o design irá pensar em todo o ciclo de vida do produto tendo em mente os impactos que ele pode causar ao meio ambiente, propondo soluções que minimizem o impacto ambiental negativo e viabilizem a reciclagem de materiais”, esclareceu o profissional.

Ainda segundo Lucas, o avanço da IA ainda passa longe de uma substituição exatamente por não possuir emoções humanas e replicar apenas padrões e dados. “Para desenvolver um projeto de comunicação visual, não basta apenas criar uma imagem, é preciso estar atento à funcionalidade. A inteligência artificial produz imagens muito genéricas que você facilmente identifica que foram feitas por um sistema”, pontua.

Apocalípticos ou integrados?

Se a inteligência artificial já é inseparável do cotidiano, a melhor solução é frear seus avanços ou abraçá-la como parte da nova Era Digital? No texto “Apocalípticos e Integrados”, publicado em 1964 pelo filósofo italiano Umberto Eco, o mundo é dividido entre aqueles que rejeitam um fato inevitável e os que aceitam tudo sem critérios. Para o autor, no entanto, a solução para a adaptação humana diante de novas realidades é o desenvolvimento de uma crítica consciente.

É o que buscam a legislação e as normatizações aprovadas pelo Parlamento fluminense e também a nível nacional. Afinal, de acordo com o ranking global da EY, empresa referência em auditoria e consultoria, 95% dos entrevistados afirmam que estão usando IA. A porcentagem aponta dez pontos percentuais acima da média global em relação ao uso, que é 85%. No contexto da utilização da IA com treinamento, 47% dos brasileiros relatam que possuem preparo prévio relevante em torno dela.

A absorção da tecnologia no cotidiano aliada à valorização do trabalho humano é o ponto de equilíbrio que os profissionais e a Alerj perseguem atualmente. Na busca pela existência saudável entre os dois extremos, Lucas acredita que a legislação é uma iniciativa que pode fomentar o uso da IA no ambiente de trabalho com mais segurança, além de contribuir para que o avanço dessas novas tecnologias também sirva a propósitos positivos.

Na sua área, ele destacou que as novas tecnologias podem ser úteis, por exemplo, na geração de imagens dentro de contextos específicos. “É comum que profissionais da área recorram a bancos de imagens para compor projetos, mas nem sempre encontramos uma foto adequada, principalmente em sites de imagens gratuitas que não costumam fornecer fotos de pessoas de determinadas nacionalidades”, concluiu.

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