Tereza Cristina aceita ser vice de Flávio Bolsonaro, mas decisão ainda depende do PP
Senadora sinaliza apoio à chapa presidencial do PL, enquanto dirigentes do Progressistas avaliam impacto da aliança na Federação União Progressista.
A possível chapa presidencial formada por Flávio Bolsonaro (PL) e Tereza Cristina (PP) ganhou força nesta quinta-feira (30), após a senadora informar a aliados que aceitou o convite para disputar a vice-presidência. Apesar do avanço nas negociações, a composição ainda precisa do aval do Progressistas e da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.
A sinalização da ex-ministra da Agricultura representa uma mudança importante nas conversas entre os dois partidos. Até recentemente, Tereza Cristina demonstrava preferência por disputar a presidência do Senado, enquanto a Federação União Progressista mantinha a orientação de permanecer neutra na eleição presidencial para preservar alianças estaduais.
Com o posicionamento favorável da senadora, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), iniciou consultas aos diretórios estaduais para medir o apoio interno à possível aliança com o PL. A decisão final deverá ser tomada nas instâncias partidárias e durante a convenção da legenda.
Nos bastidores, porém, dirigentes do PP ainda avaliam que a coligação enfrenta resistência. A estratégia inicial da federação era concentrar esforços nas disputas pelos governos estaduais e pelo Congresso Nacional, evitando o envolvimento direto na corrida ao Palácio do Planalto.
Flávio busca ampliar apoio entre mulheres e agronegócio
A escolha de Tereza Cristina atende a uma estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro de ampliar a presença feminina na chapa e fortalecer sua imagem junto ao agronegócio e ao setor produtivo.
Levantamentos recentes apontam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre o eleitorado feminino. A avaliação da equipe de campanha é que a presença da senadora pode ajudar a reduzir essa diferença, além de aproximar a candidatura de setores tradicionalmente ligados ao campo.
Além disso, Tereza Cristina é considerada uma das principais lideranças nacionais do agronegócio e mantém bom relacionamento com empresários do setor.
Negociações avançaram após encontro reservado
Segundo pessoas próximas à senadora, ela e Flávio Bolsonaro se reuniram no início desta semana para tratar da formação da chapa. Após o encontro, Tereza comunicou a aliados que aceitaria integrar a candidatura presidencial.
A mudança de posição ocorre poucos dias depois de o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que a negociação ainda não havia evoluído porque a parlamentar pretendia disputar a presidência do Senado.
Agora, a expectativa é que o PP defina oficialmente se apoiará a aliança.
Resistências continuam dentro da federação
Apesar do avanço das conversas, lideranças da Federação União Progressista ainda discutem os impactos políticos de uma aliança nacional com o PL.
As negociações haviam perdido força nos últimos meses por causa de divergências em disputas estaduais e de desgastes políticos envolvendo dirigentes das duas legendas. Por isso, parte da cúpula partidária continua defendendo a manutenção da neutralidade na eleição presidencial.
“Vice chata” e com participação ativa
Durante as conversas mais recentes, Tereza Cristina afirmou a Flávio Bolsonaro que pretende exercer um papel ativo caso a chapa seja confirmada.
Segundo relatos de pessoas que acompanham as negociações, a senadora brincou que será uma “vice chata“, deixando claro que não pretende ocupar uma posição apenas simbólica durante uma eventual campanha ou governo.
Nos bastidores, Flávio Bolsonaro passou a chamá-la de “Vozinha“, apelido usado para demonstrar proximidade durante as negociações.
Quem é Tereza Cristina
Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias tem 72 anos, nasceu em Campo Grande (MS) e é uma das principais lideranças do Progressistas.
Empresária e produtora rural, construiu sua trajetória política com forte atuação em pautas ligadas ao agronegócio. Foi deputada federal entre 2015 e 2019 e comandou o Ministério da Agricultura durante o governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
Desde 2023, exerce mandato de senadora por Mato Grosso do Sul e lidera a bancada do PP no Senado. Seu mandato vai até 2031.

