Estamos enfrentando grandes esquemas de fraudes no Brasil, afirma ministro da CGU
A Operação Sem Desconto, que desarticulou um esquema fraudulento de descontos associativos em folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS, a investigação sobre o rombo no Banco Master e a Operação Carbono Oculto, que desarticulou organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis, foram citadas pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, como exemplos do compromisso do Governo do Brasil no enfrentamento da corrupção e a garantia de políticas e serviços de qualidade para a população.
Durante o programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (12/1), transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Carvalho falou sobre a reconstrução do aparato de fiscalização, controle e investigação no atual governo.
Nós estamos enfrentando grandes esquemas de fraudes no Brasil. Estamos dificultando a vida de quem atua no mercado, de quem atua na relação com o Estado de maneira fraudulenta, de maneira a lesar a população brasileira. Esse é o nosso objetivo. Aliás, esse deveria ser o objetivo de qualquer governo no Brasil. Porque essa política tem que ser uma política de Estado. Ninguém vai acabar com a corrupção num passe de mágica. A gente tem que trabalhar constantemente, aprimorando a nossa capacidade”, afirmou o ministro
“É um governo que, de fato, não deixa as coisas embaixo do tapete, coloca a luz nos problemas, dá liberdade para que a Polícia Federal, para que a CGU, para que a Receita Federal façam seu trabalho e façam seu trabalho de maneira coordenada”.
Ressonância magnética
Para o ministro da CGU, os casos citados acima começaram em governos anteriores, que não se preocupavam com o combate à corrupção. Ele usou como exemplo desta atuação uma comparação com uma cidade que tem um aparelho de ressonância magnética e outra que não possui. Na cidade que tem o aparelho, pessoas são detectadas com câncer e existe uma atuação de combate à doença. Na cidade que não tem, não existe índice e o prefeito afirma não haver doentes.
Em que cidade vocês preferem viver? Vocês preferem viver na cidade que tem a ressonância magnética, em que o prefeito reconhece o problema e enfrenta o problema, ou vocês preferem viver na cidade negacionista? Na cidade que porque não tem o equipamento de ressonância magnética, o prefeito finge que não tem casos de câncer na cidade? É isso que está em questão quando a gente fala de enfrentamento à corrupção”
“Isso revela a presença de corrupção que está sendo investigada, ou a gente vai tratar isso como se não houvesse corrupção antes e agora há? Então, veja, o caso do Banco Master começou agora? Não. O caso do INSS começou agora? O caso da Carbono Oculto começou agora? Estou citando três, podiam citar outros. São todos casos que começaram lá atrás, na época em que a cidade não tinha ressonância magnética. Agora tem”, explicou.
Vinicius de Carvalho afirmou que o presidente Lula não politiza o combate à corrupção.
“É melhor um presidente que não politiza o tema da corrupção, como o presidente Lula não politiza e deixa as instituições trabalharem, do que um presidente que fala de corrupção todo dia, como a gente tinha no Brasil, e não fazia nada. Não enfrentava o tema na verdade. Trocava delegado da polícia (Federal) que ele não gostava do que estava investigando. Teve um ministro da Justiça dele, inclusive, que saiu reclamando disso. Que o presidente intervia na Polícia federal, que o presidente não deixava as instituições trabalharem. Ou seja, é o prefeito da cidade que não quer ter uma ressonância magnética porque não quer que o problema seja identificado. E o presidente Lula quer que o problema seja identificado, quer que nós enfrentemos o problema”.
“E nós estamos enfrentando. Enfrentando da maneira correta, da maneira séria, garantindo os direitos de defesa que têm que ser garantidos, mas fazendo um trabalho rigoroso de enfrentamento à corrupção. Que é isso que é o desejo da sociedade brasileira”, disse.
Números
As auditorias no uso de recursos públicos são ferramentas da CGU no combate à corrupção. Em 2025, a pasta publicou 628 relatórios. Isso representa um aumento de aproximadamente 40% em relação a 2022 (381). No ano passado, a pasta fiscalizou a aplicação de recursos federais em 404 entes federativos, 167% a mais que o apurado em 2022 (151).
As auditorias da CGU geraram mais de R$ 40 bilhões em benefícios, crescimento de aproximadamente 25% que o apurado em 2021 (R$ 32,2 bilhões), e mais que o dobro do apurado em 2022 (R$ 19,6 bilhões)
As operações especiais realizadas pela CGU, em conjunto com órgãos de defesa, são parcerias que fortalecem as ações do Governo do Brasil para combater a corrupção e a má aplicação na gestão dos recursos públicos federais em todo o país. As 76 Operações Especiais da CGU realizadas em 2025 identificaram mais de R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais aos cofres públicos, volume 46% maior que no ano anterior e 55 vezes mais que em 2022 (R$ 247 milhões).
A eficiência das operações aumentou. A média de prejuízos apurados em cada uma delas subiu de R$ 5,4 milhões por operação (2022) para R$ 188,6 milhões (2025). A atuação deixou de ser pulverizada para focar em esquemas sistêmicos.
“A CGU identificava nessas operações com a Polícia Federal, ao longo dos anos, uma média de prejuízo de R$ 400 milhões por ano. O ano passado, para vocês terem uma ideia, foram R$ 13 bilhões em prejuízos apurados. Isso significa que nos anos anteriores não tinha potencial de se fazer operações que chegassem a esse valor de R$ 13 bilhões? Eu acredito que não, só não se faziam”, afirmou.
Operação Sem Desconto
Durante o bate-papo com radialistas e jornalistas de várias regiões, Vinicius de Carvalho destacou a rapidez no ressarcimento de aposentados e pensionistas do INSS durante operação que desarticulou um esquema fraudulento de descontos associativos.
“Nós tivemos em 2019 denúncias sobre entidades que estavam fraudando descontos de aposentados. O que foi feito? Duas, três entidades foram suspensas, que depois reapareceram. E o dinheiro foi ressarcido aos aposentados? Nada. Se abriu investigação para saber se eram só essas três entidades, se tinham mais entidades, se determinou ou se fez alguma denúncia na CGU? Nada. Aí depois nós chegamos no governo, o problema evidentemente tinha crescido. Fizemos a apuração, a Polícia Federal e a CGU em menos de um ano. Normalmente você tem investigações de casos complexos que duram três, quatro anos”.
“Em menos de um ano a CGU e a Polícia Federal já tinham pedido autorização para o Judiciário para fazer as operações de busca e apreensão e para começar a responsabilizar os culpados. Três meses depois da operação estar na rua, o Governo Federal começa a ressarcir os aposentados. Antes disso, já começa o bloqueio judicial por meio de um trabalho muito efetivo da AGU, da Advocacia Geral da União. Já começa um trabalho de responsabilização das entidades, mas principalmente de bloqueio dos recursos que haviam sido retirados ilegalmente dos aposentados e pensionistas. Ou seja, um trabalho coordenado, bem feito, organizado pelo governo. E tudo isso aconteceu nesse caso do INSS e tem acontecido em outros casos”.
A ação conjunta da Polícia Federal (PF) e CGU desarticulou um esquema fraudulento de descontos associativos em folha de pagamento de aposentados e pensionistas, com prisões, bloqueios de bens, alterações nos normativos e ressarcimento das vítimas
Na CGU, as ações de auditoria geraram três relatórios, resultando em nove achados e 27 recomendações. Como desdobramento da operação, a CGU instaurou 40 Processos de Responsabilização (PAR) além de avocar mais 12 do INSS, com o objetivo de responsabilizar entidades e empresas beneficiadas pelas fraudes. Foram também instaurados dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs) para apuração de responsabilidade de servidores públicos no esquema, envolvendo 10 acusados, além de uma Investigação Preliminar Sumária em curso.
Quanto ao ressarcimento das vítimas, foi construído um inédito acordo judicial, chancelado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu o retorno dos valores a aposentados e pensionistas que tiveram descontos não autorizados. Até o dia 28 de janeiro, mais de 4 milhões de vítimas tiveram seus valores ressarcidos, o que totalizou, até agora, o pagamento, pelo Governo do Brasil, de R$ 2,9 bilhões.
Assista à íntegra do Programa Bom Dia, Ministro

