Zé Nogueira, grande saxofonista e produtor musical do Boca Livre e da MPB, morre aos 68 anos no Rio

Zé Nogueira levou a vida no sopro do sax soprano, sendo o único instrumentista brasileiro que tocava exclusivamente esse tipo reto de saxofone. Mas, como se sabe, a vida é também um sopro. E a do saxofonista e produtor musical carioca José Augusto Nogueira (21 de julho de 1955 – 26 de abril de 2024) se extinguiu na madrugada de hoje. O artista tinha problemas de coração – até então sob controle – e não resistiu a uma convulsão, de acordo com o produtor Marcus Preto. Tinha 68 anos e morava na cidade natal do Rio de Janeiro.

Até às 23h de ontem, Zé Nogueira trocou mensagens com Marcus Preto, com quem formatou Rasgamundo, o álbum que o grupo Boca Livre lançará em 17 de maio com inédito repertório autoral.

Com a morte inesperada de Zé Nogueira, o quarteto carioca lançará o disco sem a presença física deste músico e produtor tão associado à discografia do Boca Livre – com quem trabalhou desde o começo da carreira do grupo – e à trajetória do vocalista Zé Renato, cujo álbum solo Bebedouro (2018) foi produzido pelo saxofonista, para citar um entre tantos possíveis exemplos dessa longa e forte conexão musical.

“Eu perdi um irmão e o Brasil, um dos maiores músicos de todos os tempos”, lamentou Zé Renato em rede social.

De fato, a presença de Zé Nogueira está em toda a música brasileira a partir da década de 1980, como pode ser comprovado nas fichas técnicas de discos antológicos como Luz (1982), de Djavan, e Simples e absurdo (1991), songbook da obra de Guinga e Aldir Blanc.

Músico formado em instituições como o Conservatório Brasileiro de Música (RJ), a Escola Nacional de Música da UFRJ e a sempre cobiçada Berklee College of Music (Boston, EUA), Zé Nogueira iniciou a carreira nos palcos, no teatro carioca da década de 1970, integrando como músico a equipe técnica de espetáculos musicais como Gota d’água (1975) e Ópera do malandro (1978).

A partir dos anos 1980, Zé Nogueira tocou e/ou gravou com os maiores nomes da MPB, em lista que inclui Chico Buarque, Djavan, Edu Lobo, Ivan Lins, MPB4, Ney Matogrosso, Simone e Zizi Possi, entre outras estrelas.

Entre 1986 e 1988, o saxofonista integrou a Banda Zil com Zé Renato (violão e vocais) e músicos como Jurim Moreira (bateria), Marcos Ariel (teclados), Ricardo Silveira (guitarra).

Como artista solo, Zé Nogueira deixa álbuns relevantes como Disfarça e chora (1995) – dedicado ao choro –e Carta de pedra – A música de Guinga (2008).

Devoto da arte maior de Moacir Santos (1906 – 2006), Zé Nogueira teve atuação decisiva para revitalizar a obra do saxofonista e maestro pernambucano ao produzir, com Mario Adnet, os álbuns Ouro negro (2001) e Choros & alegria (2005).

Enfim, a vida pode ser sopro, mas, ao longo de 68 anos, Zé Nogueira soprou arte da melhor qualidade como saxofonista e produtor musical.

 

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