Ultradireita e trabalho: ministros estão preocupados com brasileiros em Portugal

e-mail enviado à Embaixada com ameaças contra os brasileiros em Portugal é só uma das pontas de um problema que aumenta no mesmo ritmo dos desembarques da maior comunidade e grande força de trabalho estrangeira no país.

Ao mesmo tempo em que a maioria é alvo de xenofobia, racismo e discriminação, uma parte dos brasileiros engajou nas pautas da ultradireita xenófoba, liderada pelo partido Chega, recentemente enquadrado ao lado de grupos neonazistas pelo relatório do Projeto Global Contra o Ódio e Extremismo.

Os extremos despertaram a preocupação de ministros brasileiros que participam nesta semana do XI Fórum Jurídico de Lisboa. Para Gilmar Mendes, um dos organizadores do evento e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), os brasileiros podem estar sendo captados pelo Chega em troca de votos.

— Está na pauta das nossas preocupações. Pessoas que estão sofrendo discriminação, mas também o uso de eleitores brasileiros, que, de alguma forma, estão engajados com a pauta mais extremista. Alguém me explicou que aquele radicalismo que o André Ventura (líder do Chega) manifestou contra o presidente Lula tinha um pouco a ver com esse eleitorado, que tem dupla nacionalidade e vota em Portugal. Portanto, tem um viés eleitoral — disse Mendes.

O decano informou que irá incluir o tema nos próximos fóruns que organizará em Portugal para alertar e debater com autoridades locais.

Outros problemas que já começaram a ser discutidos são a discriminação de maneira geral e as dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho.

— Temos acompanhado a discriminação contra brasileiros e também o problema do visto para procurar trabalho, que, às vezes, ao invés de ajudar, agrava a situação. Devemos estar atentos a isso. Faz parte da nossa missão, certamente — disse Mendes.

Outro organizador do Fórum, o ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, alertou para a vulnerabilidade dos brasileiros que emigram sem planejamento em busca de trabalho e melhores oportunidades de vida e acabam vítimas de tráfico humano e recrutamento da ultradireita.

— São temas que preocupam muito, porque ficam à mercê de grupos criminosos e ideológicos devido à situação em que se encontram. E há uma preocupação ainda maior em Portugal, onde não há a barreira do idioma. Como desdobramento, grupos radicais de ultradireita norte-americanos e europeus estão em articulação. E isso passa pelo recrutamento dessas pessoas — explicou Salomão.

Na última segunda-feira, o ministro da Justiça, Flávio Dino, e o ministro da Administração Interna de Portugal, José Luís Caneiro, assinaram um acordo de cooperação que prevê o combate à violência contra mulheres e todas as formas de violência doméstica. As mulheres brasileiras estão entre os principais alvos de discriminação em Portugal.

Também estão previstas medidas de cooperação e intercâmbio nas seguintes áreas: prevenção e combate à criminalidade, segurança de fronteiras, policiamento de proximidade, gestão de grandes eventos e prevenção e segurança rodoviária.

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