Tecnologia 5G conecta não só pessoas, mas tudo o que está ao redor
Baixar um vídeo em segundos, ter uma conversa por videochamada sem travar, poder jogar online sem ser derrotado pelo adversário por falta de velocidade nas jogadas. Tudo isso é possível graças ao 5G, a quinta geração da tecnologia de rede móvel. Ele permite mais velocidade, tempo de resposta quase nulo e maior estabilidade, conectando milhares de dispositivos simultaneamente, uma evolução em relação ao 4G.
“Se o 4G foi responsável por popularizar o uso de aplicativos, redes sociais e streaming no celular, o 5G é a base para uma nova economia digital, conectando não só pessoas, mas também máquinas, cidades, hospitais, escolas e indústrias em tempo real”, explica o assessor do Departamento de Investimento e Inovação do Ministério das Comunicações, Thyago de Oliveira Braun Guimarães.
Na prática, é como se o 4G e o 5G fossem estradas por onde trafegam milhares de veículos: na primeira, haveria menos faixas e mais congestionamentos; na segunda, superestradas com o mínimo de engarrafamento. “O 5G não melhora só a velocidade, ele melhora a qualidade da experiência e permite coisas que antes simplesmente não funcionavam bem”, complementa Braun.
“O 4G conectou pessoas. O 5G conecta pessoas e tudo ao redor delas, com velocidade e estabilidade muito maiores. Isso significa que o 5G não é apenas uma melhoria incremental — ele viabiliza aplicações que antes não eram possíveis, como cirurgias remotas, veículos autônomos, automação industrial avançada e agricultura de precisão, entre outros”, elenca Thyago Braun.
Ele explica que esses avanços estão diretamente ligados às políticas públicas de conectividade e inclusão digital conduzidas pelo Ministério das Comunicações, que buscam transformar infraestrutura em desenvolvimento social e econômico.
“A tecnologia 5G pode contribuir para a redução das desigualdades digitais no Brasil, ampliando o acesso a serviços digitais de qualidade, permitindo conectividade de alta qualidade em regiões antes mal atendidas e viabilizando políticas de inclusão digital com maior eficiência”, destaca.
Importância das Políticas Públicas
No entanto, o 5G, por si só, não resolve os problemas de desigualdade. Ele precisa estar articulado a políticas públicas estruturantes, como as desenvolvidas pelo Ministério das Comunicações, incluindo a expansão de redes de fibra óptica do Programa Norte Conectado, os programas de conectividade em escolas e os incentivos à instalação de infraestrutura em áreas remotas, como os promovidos por iniciativas como Wi-Fi Brasil, políticas nacionais de conectividade em rodovias, data centers e cabos submarinos.
Segundo Braun, a expansão do 5G no Brasil envolve desafios relevantes, mas que já estão sendo enfrentados dentro de uma estratégia estruturada de política pública.
“Do ponto de vista técnico e operacional, os principais desafios continuam sendo a necessidade de densificação de infraestrutura, com a instalação de um número maior de antenas, especialmente em áreas urbanas; a ampliação da rede de transporte de dados (backhaul) de fibra óptica; e a atualização das leis das antenas nos municípios para viabilizar a instalação desses equipamentos”, complementa.
O 5G é uma tecnologia em fase de implantação acelerada no Brasil. Já são mais de 1.452 municípios com o 5G em funcionamento, o que representa 76% da população brasileira.
Segundo Braun, o modelo adotado no Brasil para o leilão do 5G — com compromissos de investimento em vez de foco arrecadatório — garantiu que a expansão ocorra de forma planejada e com obrigações claras, inclusive em regiões menos atendidas.
“Um marco central foi a realização do leilão do 5G, conduzido pela Agência Nacional de Telecomunicações, com um modelo que priorizou compromissos de investimento e cobertura, e não apenas arrecadação. Esse desenho permitiu acelerar a implantação da rede com foco em impacto social e territorial”, ressalta.
Outro ponto relevante, segundo Thyago Braun, é que o Brasil optou pela implementação do 5G Standalone (SA), um dos padrões mais avançados disponíveis globalmente. “Diferentemente do modelo inicial adotado em alguns países, o chamado Non-Standalone (NSA), que ainda depende da infraestrutura do 4G, o 5G SA opera com uma rede totalmente nova, independente e otimizada para as capacidades do 5G”, explica.
Futuro
O mundo agora caminha para a tecnologia 6G, que está em fase de pesquisa e vem sendo estudada por universidades, empresas e governos. Ela promete velocidades até mil vezes superiores ao 5G, latência na ordem de microssegundos e integração nativa com inteligência artificial (IA). Espera-se que a tecnologia se torne comercial a partir de 2030, com foco em realidade estendida, holografia e sensoriamento inteligente.


