Suspeitos de aplicar golpe do cartão em passageiros de táxi são presos
Três integrantes de uma quadrilha especializada em aplicar golpes contra passageiros de táxi foram presos em flagrante na Zona Sul do Rio, nesta quarta-feira (23). O grupo, formado por criminosos de São Paulo, utilizava máquinas de cartão adulteradas para pegar senhas e trocar os cartões das vítimas, principalmente idosos.
Agentes da 9ª DP (Catete) localizaram e interceptaram o táxi usado pela quadrilha próximo à praça do Largo do Machado, no Catete. Durante a abordagem, os policiais encontraram 85 cartões bancários em nome de diferentes pessoas, dez máquinas de cartão de diferentes credenciadoras, cinco placas de veículos e um documento de outro carro – que fazia conjunto com uma das placas. O veículo também foi apreendido.
“Oitenta e cinco cartões não são 85 objetos, são 85 vítimas. Por isso, se você saiu de táxi e depois viu um extrato, uma compra que não fez ou recebeu de volta um cartão que não era seu, registre a ocorrência na delegacia mais próxima ou pela delegacia online. É esse registro que nos permite ligar o seu caso ao que foi apreendido”, afirmou o delegado Leandro Aquino, titular da 9ª DP (Catete).
Após a ação, os agentes seguiram para um imóvel alugado temporariamente pelo grupo, no Santo Cristo, na Região Central, que era utilizado como base durante a permanência dos criminosos no Rio. No local, outros dois integrantes foram presos.
Os policiais também recuperaram um objeto roubado de uma das vítimas. O item estava dentro da mochila de um dos presos.
As investigações tiveram início depois que uma vítima procurou a polícia para relatar que teve o cartão retido durante o pagamento de uma corrida e recebeu outro plástico no lugar. A partir da análise de imagens e informações de inteligência, os agentes identificaram um veículo utilizado como táxi, mas sem identificação de cooperativa.
Segundo os agentes, a quadrilha tinha um modus operandi para aplicar os golpes. Ao fim da corrida, o motorista recusava pagamentos em dinheiro ou Pix, sob a alegação de que não tinha troco, e orientava os passageiros a pagar com cartão.
A máquina adulterada simulava uma falha na leitura do cartão, enquanto um aplicativo instalado em um celular capturava a senha digitada pela vítima. Em seguida, os criminosos entregavam um cartão semelhante, que já ficava separado dentro do veículo, e ficavam com o verdadeiro.
Com os cartões e senhas em mãos, os integrantes da quadrilha realizavam compras e saques imediatamente. Entre os cartões apreendidos estão os de quatro vítimas já identificadas durante a investigação e o de um turista estrangeiro.
De acordo com a Polícia Civil, a placa do automóvel também era constantemente trocada pelos criminosos para dificultar o rastreamento. Em apenas oito dias, os investigadores identificaram o mesmo carro circulando com quatro placas diferentes.
Um golpe aplicado na última terça-feira (22) ajudou os agentes a relacionar diferentes ocorrências ao mesmo grupo. Na ocasião, uma idosa de 73 anos percebeu que seu cartão havia sido trocado imediatamente após receber o pedaço de plástico do motorista. A vítima chegou a tentar recuperar o dispositivo, mas o homem arrancou com o carro e levou a bolsa dela.
O cartão que permaneceu com a aposentada pertencia a outra pessoa que já havia sido vítima do mesmo golpe. A coincidência permitiu aos policiais estabelecer uma ligação entre os casos e confirmar a atuação da mesma quadrilha.
“Falo hoje com quem anda de táxi no Rio e falo principalmente com as famílias que tem em casa uma pessoa idosa que ainda resolve a vida sozinha. Vai ao médico, vai à farmácia e volta de táxi. Fica a orientação: não entregue o seu cartão na mão do motorista, passe você mesmo na máquina. Desconfie de quem recusa o dinheiro ou o recebimento em Pix. E sempre verifique, ao receber o seu cartão de volta, se é realmente o seu cartão, se é o seu nome que está gravado no seu cartão”, orienta o delegado.
As investigações apontaram ainda que o grupo mantinha uma estrutura organizada e se deslocava entre São Paulo e o Rio de Janeiro para praticar os golpes. Segundo a Polícia Civil, um dos presos já havia sido capturado anteriormente pelo mesmo tipo de crime. Os agentes continuam trabalhando para localizar outras possíveis vítimas e identificar outros integrantes da associação criminosa.

