Nilton Travesso, diretor de TV, morre aos 92 anos
O diretor Nilton Travesso faleceu na sexta-feira (6), aos 92 anos, em decorrência de uma infecção generalizada. Um dos pioneiros da televisão brasileira, ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O velório acontece neste sábado (7) na Funeral Home, em Bela Vista, na capital paulista.
O profissional iniciou a trajetória na oficina técnica promovida pela TV Record, meses antes da inauguração oficial da emissora, em setembro de 1953. Ele integrou a celebrada “Equipe A” e assumiu a direção de grandes produções como “Hebe”, “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, “Família Trapo”, “Show União”, “Show do Dia 7”, “Astros do Disco” e “Jovem Guarda”.
Na década de 1970, ele se transferiu para a TV Globo, onde produziu o primeiro videoclipe exibido no “Fantástico” e consolidou um estilo próprio que exerce influência na linguagem do formato. Na emissora, o diretor também fundou o núcleo de programação paulista e colaborou na criação dos matinais “TV Mulher”, “Balão Mágico” e “Som Brasil”. Sua trajetória de sucesso incluiu passagens pelas TVs Manchete, Bandeirantes, Gazeta e Jovem Pan.
No SBT, Nilton registrou três passagens profissionais. A primeira ocorreu em 1976, época em que Silvio Santos inaugurou a TVS no Rio de Janeiro e o profissional assumiu a direção da comédia “Bacará 76”, estrelada por Ronald Golias. Em 1993, ele retornou ao canal para liderar a reformulação completa da grade infantil e a reabertura do departamento de teledramaturgia.
Na grade infantil, o diretor concebeu, desenhou e estruturou duas novas atrações: “Bom Dia e Cia”, sob o comando de Eliana, e “Sessão Desenho no Sítio da Vovó”, com Vovó Mafalda (Valentino Guzzo). Ambas as produções ocupavam o início das manhãs com foco na primeira infância e logo conquistaram a preferência das crianças de 0 a 5 anos.
Nilton prestou apoio à equipe de “Casa da Angélica” e assumiu a remodelação do “Show Maravilha”, com Mara Maravilha. O projeto trouxe duas grandes inovações ao formato infantil: o pioneiro cenário em 360 graus produzido pela emissora. No mesmo ano, deu início à remontagem do núcleo de dramaturgia com “A Justiça dos Homens”, em que casos do cotidiano eram dramatizados e um julgamento no palco determinava o desfecho.
Em 1994, estreou uma das produções mais marcantes da história da teledramaturgia brasileira: “Éramos Seis”. O remake da trajetória de Lola (Irene Ravache), Júlio (Othon Bastos) e seus quatro filhos comoveu telespectadores em todo o país. Também produziu “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Sangue do Meu Sangue”, “Razão de Viver” e “Os Ossos do Barão”.
Em 2004, Nilton retornou à emissora para o reality “Protagonistas de Novelas”, no qual novos atores eram confinados na “Casa dos Artistas” e participavam de um masterclass de interpretação com o diretor. No mesmo ano, conduziu a criação e a direção-geral do programa “Charme”, com Adriane Galisteu. Na década seguinte, colaborou com o “Teleton”. Sua última participação no SBT foi no documentário “Silvio Santos, Vale Mais do que Dinheiro”, em 2024

