Sessão pelos 200 anos da relação Brasil-EUA destaca democracia e economia

Os 200 anos da relação diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos foram celebrados nesta terça-feira (28) com uma sessão solene do Congresso Nacional. Temas como economia, democracia, justiça social e meio ambiente foram enfatizados na relação bilateral.

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado e do Congresso, ressaltou que os dois países possuem os maiores Produtos Internos Brutos das Américas e estão entre as oito maiores economias mundiais, além de terem uma longa história em comum.

— Após a independência do Brasil, em 1822, os Estados Unidos foram um dos países precursores no reconhecimento da soberania de nossa nação, estabelecendo relações diplomáticas formais em 1824 — momento em que nascia a primeira Constituição brasileira, a Constituição do Império, que, inclusive, criou esta Casa, o Senado Federal, que também comemora, neste ano de 2024, os seus 200 anos de existência — disse Pacheco.

Ele também lembrou que em maio de 1824 o então presidente norte-americano, James Monroe, recebeu o encarregado de negócios brasileiro José Silvestre Rebello em Washington. Naquele momento, os Estados Unidos reconheceram formalmente a independência do Brasil.

Cooperação e cultura
Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), autor do requerimento para a realização da sessão, relembrou a visita do Imperador D. Pedro II aos Estados Unidos em 1876 e a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, lutando lado a lado com as forças norte-americanas na Itália. E também enfatizou a atual cooperação entre os dois países.

— Exemplos notáveis dessa cooperação incluem o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica, que facilita o comércio bilateral e promove investimentos, e o programa Fulbright, que, há décadas, promove intercâmbios educacionais e culturais entre as duas nações — afirmou o senador paraibano.

A embaixadora dos EUA no Brasil, Elizabeth Frawley Bagley, lembrou que os norte-americanos têm o maior volume de investimento direto estrangeiro em solo brasileiro, totalizando mais de R$ 1 trilhão. Ela prestou solidariedade pela catástrofe no Rio Grande do Sul e informou que a missão diplomática daquele país tem enviado doações para as pessoas mais afetadas. A diplomata enfatizou setores estratégicos nos quais os dois países podem aprofundar o relacionamento bilateral, como o combate ao narcotráfico.

— Os Estados Unidos treinam centenas de policiais brasileiros por meio de programas de intercâmbio. Também fazemos parceria com a Polícia Federal para descobrir e impedir redes criminosas que traficam grandes quantidades de entorpecentes pelo Brasil — disse Elizabeth Bagley, que também ressaltou os esforços conjuntos em defesa das instituições democráticas, da defesa dos direitos humanos e justiça social, e o enfrentamento da crise climática.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, reforçou a importância do fortalecimento da relação entre os dois países e enumerou ações do governo federal na esfera internacional.  Ela citou a justiça social, o meio ambiente e a sustentabilidade como temas centrais do debate atual e destacou a cultura como afinidade entre as duas nações.

— A nossa relação com os Estados Unidos sempre teve a cultura como ponto de aproximação, pela música, arte-culinária, arquitetura, audiovisual. Somos países com uma vibrante diversidade cultural, linguística e étnica, e temos a preocupação de celebrar e valorizar essa diversidade — disse a ministra, que também agradeceu ao Senado e à Câmara pelo apoio que vêm dando às ações do Ministério.

Intercâmbio
Cidadãos brasileiros que tiveram algum tipo de relação com os EUA foram convidados para a sessão. Um deles foi o consultor legislativo no Senado Fernando Lagares Távora. Em 2005 ele participou de um programa de lideranças naquele país para debater políticas agrícolas. No fim daquele ano, após mais de uma década de negociações, foi rejeitada a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Ela havia sido proposta pelo ex-presidente George W. Bush para eliminar barreiras alfandegárias entre os 34 países americanos.

Fernando explicou que a visita realizada por ele foi altamente produtiva para o diálogo entre representantes dos dois países.

— A experiência nos Estados Unidos nos proporcionou aprimorar os conhecimentos e fazer com que, ao longo dos anos, essa parceria produzisse melhores insights para a legislação [brasileira] e para o processo de fiscalização aqui na política agrícola brasileira — afirmou Fernando.

Outro convidado que também vivenciou as políticas públicas e o marketing político norte-americano foi Márcio Coimbra, presidente do Instituto Monitor da Democracia. O primeiro intercâmbio dele foi ainda jovem, na Califórnia. Em 2008, ele trabalhou na campanha de candidatos republicanos. Márcio acredita que a atual relação do Brasil com a China é mais próxima do que com os EUA, mas acha que o entrosamento com esse país tende a se aprofundar ainda mais.

— A relação entre Brasil e Estados Unidos é muito profunda. Até porque o Brasil foi o primeiro país que reconheceu a importância da mudança do eixo de Londres para Washington como o novo epicentro político do mundo. É uma relação que tem altos e baixos, dependendo dos políticos que estão no poder, especialmente no Brasil. Nos Estados Unidos nós vemos que existe claramente uma política de aproximação com o Brasil.

 

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