Secretaria de Atenção Primária anuncia novos cursos na plataforma Educa e-SUS APS

A plataforma Educa e-SUS APS, voltada para ensinar o que gestores, profissionais de saúde e estudantes precisam saber sobre o sistema, foi mais uma novidade anunciada durante a programação do XXXVII Congresso Nacional das Secretarias Municipais de Saúde, em Goiânia (GO). Serão 12 cursos gratuitos na modalidade de ensino à distância, resultado de uma parceria da Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A iniciativa busca garantir a qualidade do registro de dados em saúde, bem como o melhor uso da ferramenta no apoio ao cuidado e na gestão do território, por meio de capacitação periódica dos profissionais que utilizam os sistemas do e-SUS APS. Entre as ferramentas utilizadas estão podcasts, vídeos, infográficos e jogos com ajuda do amigo virtual dos cursos. O conteúdo é voltado para seis trilhas formativas: profissionais de saúde, profissionais de saúde bucal, profissionais de Tecnologia da Informação (TI), agentes de saúde, técnicos da atenção primária e gestores.

“A plataforma traz recursos diferenciados, como o agente Edu, que utiliza inteligência artificial para conseguir encontrar o conteúdo que o profissional precisa saber. Estamos lançando hoje a plataforma, mas já pensando em como aprimorar essa ferramenta de maneira contínua”, explicou Rodrigo Gaete, coordenador-geral de Projetos e Inovação do Ministério da Saúde. O primeiro curso será disponibilizado em outubro. Por ora, interessados podem entrar no site e deixar cadastrado o e-mail para ser informado quando o curso estiver disponível.

Organização das ações e serviços de saúde

“O que seria do SUS se, neste momento, não tivéssemos mais de 50 mil equipes de saúde na atenção primária fazendo 26 consultas médicas por dia, em média? Para onde esse cidadão iria? Nós fazemos muito, mas podemos fazer mais e melhor”, ponderou o secretário da Atenção Primária do Ministério da Saúde, Nésio Fernandes, durante a mesa de debate sobre o tema ‘Organização das ações e serviços de saúde’.

A fala aconteceu em resposta à assessora técnica do Conasems, Marcela Alvarenga, que apresentou um panorama da atenção primária no Brasil e explicou que o processo de escuta de gestores municipais ocorreu em todas as regiões, com mais de 3.600 profissionais ouvidos, o que representa 62% dos gestores brasileiros.

O secretário ressaltou ainda que, mesmo diante das dificuldades apresentadas, é importante conhecer a trajetória da saúde pública até aqui, principalmente na complexidade da gestão tripartite. “Quem conhece a realidade dos pequenos municípios vai entender grande parte das dificuldades que temos no SUS e a urgência de recuperar a relação entre União e estados em apoio aos municípios”, afirmou Nésio.

Também foram debatidas as barreiras de acesso nas regiões de saúde brasileiras, assim como as forças, as ameaças e as oportunidades na APS. Entre as fraquezas, está a priorização das demandas que atropelam o dia a dia da unidade básica de saúde (UBS), o que demonstra que planejamento, gestão do tempo e melhoria do processo de trabalho podem contribuir na qualidade do serviço prestado para a população.

Na mesa, uma nova organização, em rede, para a integralidade do SUS também foi proposta como alternativa para a fragmentação do cuidado e o desafio no enfrentamento das condições crônicas. Os palestrantes também debateram sobre como garantir acesso e satisfação do usuário e os desafios que tudo isso inclui, já que o sistema é único, mas diverso em cada região e para cada comunidade.

“A atenção primária pode coordenar ações, ser financiada de acordo com a complexidade que a APS exige, investir em tecnologia e, principalmente, na formação dos profissionais. Essas são grandes contribuições que podemos ter para a integralidade do cuidado”, complementa o presidente eleito do Conasems, Hisham Mohamed Hamida.

Também participaram do debate Helvécio Magalhães, secretário da Atenção Especializada; Ethel Maciel, secretária Vigilância em Saúde e Ambiente; Conceição Resende, diretora do Departamento de Gestão Interfederativa e Participativa (Dgip) da Secretaria Executiva; Eugênio Vilaça, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e Giselda Monteiro, do Hospital do Coração (HCor).

Atendimento de dúvidas

Durante o evento, a Secretaria de Atenção Primária disponibilizou um espaço específico para tirar dúvidas dos gestores e profissionais sobre o Mais Médicos, com foco nos novos editais. O objetivo foi oferecer suporte do corpo técnico do Ministério da Saúde para a resolução dos desafios enfrentados nos municípios, no âmbito dos programas federais de provimento (Mais Médicos e Médicos pelo Brasil).

O secretário municipal de saúde de Piúma, no Espírito Santo, Weriton Soroldoni, considerou extraordinário esse contato próximo com os técnicos. “O Brasil tem alguns desafios, especialmente se tratando de políticas públicas de saúde. Por mais que a gente tenha as referências nos estados, essa proximidade faz a diferença, além da possibilidade de dialogar de uma forma tranquila sem ser por e-mail ou telefone. No meu caso, representando o meu município, foi extraordinário. Tive as minhas necessidades solucionadas”, contou.

Capacitação no congresso

A secretaria ainda ofereceu palestras diversas sobre a atenção primária ao longo do evento. Entre os assuntos abordados, estiveram: projetos estratégicos e planos executivos de ampliação e qualificação da APS do futuro; a importância da cooperação do Ministério da Saúde com os municípios por meio da Saps; o envolvimento e o apoio das equipes nas diversas localidades; proposições da Política Nacional de Saúde Bucal;  equipes multiprofissionais (eMulti); e desafios e potencialidades para fortalecer a alimentação e nutrição na APS, com a nutricionista, sanitarista e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz Ana Laura Brandão.

“A gente precisa compreender que duas questões estão relacionadas: para ter uma atenção primária forte é importante ter ações alimentares e de nutrição fortalecidas e vice-versa. Para isso, é importante a gente pensar e fomentar o trabalho interprofissional, multiprofissional no território, que faça uso de planejamento local, regular, com espaço para a participação da população”, destacou.

Também foram abordados os desafios para a recuperação das coberturas vacinais. “É necessário que nossos gestores conheçam seus territórios e trabalhem de forma coordenada com os diversos atores ali presentes, como assistência social, educação, esporte, entre outros”, disse o coordenador de Apoio à Imunização e Monitoramento das Coberturas Vacinais na Atenção Primária, Ricardo Gadelha.

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