1 de julho de 2026
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São João de Meriti debate o fim do trabalho infantil e a proteção ao futuro de crianças e adolescentes

Seminário reuniu especialistas, assistentes sociais para debater a desconstrução do trabalho invisível e apresentar novos comitês de fiscalização.

O que muitas vezes se esconde sob o manto da “ajuda familiar” ou da invisibilidade das ruas ganhou um debate urgente e necessário pela Prefeitura de São João de Meriti. O auditório do Centro Cultural Municipal foi palco, nesta quarta-feira (30) do seminário ´Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil: A Urgência de Desconstruir o Trabalho Invisível´.

Realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, o evento contou com a presença de palestrantes que debateram caminhos práticos por meio de propostas de políticas públicas e da consolidação de redes de proteção.  Um levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, a incidência de casos de trabalho infantil em São João de Meriti atinge crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

Além das palestras de conscientização, o seminário também contou com a apresentação oficial dos membros do Comitê Intersetorial de Acompanhamento das Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e da Comissão de Monitoramento e Avaliação do Plano Municipal de Medida Socioeducativa.

O olhar de quem protege

Para a secretária municipal de Assistência Social de São João de Meriti, Roberta Queiroz, o seminário reforça o compromisso da gestão em não fechar os olhos para o problema.

“O trabalho infantil rouba o futuro e o tempo de desenvolvimento que nunca mais volta. Nosso papel aqui, mais do que debater, é estruturar uma rede que acolha e dê oportunidades reais para que esses jovens e adolescentes permaneçam na escola e construam suas histórias com dignidade”, destacou a secretária.

A urgência do debate também foi a tônica da fala de Joana Guerreiro, Juíza do Trabalho e gestora do PETI no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), que atuou como uma das palestrantes principais. Ela ressaltou a importância de combater o conformismo social diante do tema.

“Precisamos desnaturalizar o trabalho infantil. O ‘trabalho invisível’, aquele que acontece dentro de casa, nos semáforos ou em pequenas frentes informais, destrói o potencial de milhares de crianças todos os dias. A erradicação só acontece com a união entre a justiça, o município e a sociedade”, pontuou a magistrada.

Completando o painel de reflexões, o assistente social e palestrante Deildo Jacinto trouxe a perspectiva do chão da rua e do atendimento direto às famílias vulneráveis.

“Quem está na ponta sabe que o trabalho infantil é um ciclo de pobreza que se repete. Quando propomos políticas públicas eficazes e fortalecemos comitês como o PETI, estamos quebrando esse ciclo e devolvendo a essas famílias o direito de ver seus filhos apenas como crianças”, defendeu Deildo.