Rio registra alta no turismo 60+ e reforça potencial do segmento
O Rio de Janeiro registra um crescimento no turismo voltado ao público com mais de 60 anos. Dados da Secretaria Municipal de Turismo mostram que a participação de viajantes dessa faixa etária no estado passou de 21,8% em 2025 para 22,5% no acumulado parcial de 2026. Especialistas entrevistados pelo jornal O DIA destacam a importância de viajar e dão orientações para garantir mais conforto, segurança e melhor planejamento durante o passeio.
Segundo a pasta, a faixa etária de 60 a 69 anos concentra a maior parte do fluxo turístico entre os idosos, enquanto os grupos de 70 a 79 anos e de 80 anos ou mais seguem proporcionalmente menores, mas estáveis. No cenário nacional, a participação do público com mais de 60 anos passou de 14,9% em 2025 para 14,7% no acumulado de janeiro a abril de 2026.
“Apesar da estabilidade proporcional, observa-se crescimento absoluto do número de turistas idosos nacionais, que passou de aproximadamente 1,39 milhão em 2024 para 1,48 milhão em 2025. No primeiro quadrimestre de 2026, o volume já supera 515 mil visitantes idosos”, afirma a Secretaria em nota ao jornal O DIA.
O guia de turismo Elson Martins, de 29 anos, garante que o público com mais de 60 anos é essencial para diversos setores.
“O público sênior ajuda a sustentar diversos segmentos do turismo, como hotelaria, cruzeiros, turismo religioso (principalmente), cultural e de bem-estar. É um consumidor que costuma planejar melhor as viagens, permanecer mais tempo nos destinos e priorizar serviços de maior qualidade”, frisa. “Além disso, movimenta a economia em períodos menos concorridos.”
Elson Martins também ressalta que houve uma transformação no comportamento dessa faixa etária nos últimos anos.
“O perfil do turista 60+ tem mudado bastante. Hoje, é um público mais ativo, independente e conectado, que enxerga a viagem como parte da qualidade de vida. Muitos já estão aposentados ou em ritmo de trabalho reduzido, o que permite mais flexibilidade para viajar fora da alta temporada”, explica.
“Também é um viajante mais experiente, que valoriza conforto, segurança, atendimento de qualidade e roteiros bem organizados. Apesar da constante mudança o público mais maduro não fica só nos roteiros mais tranquilos, há aqueles que gostam de uma boa aventura.”
A CEO Rosa Bernhoeft, de 85 anos, conta que costuma viajar com frequência pelo Brasil e para o exterior.
“Gosto de conhecer lugares novos e por isso leio, pesquiso e procuro me informar sobre os locais que pretendo visitar. Além disso, tenho dois filhos que trabalham na área de turismo, uma filha é dona de uma agência voltada ao setor corporativo e um filho que opera com turismo de luxo e experiências de alto padrão. Eles me orientam e sugerem destinos, o que é um privilégio”, explica Rosa.
A CEO também compartilha dicas de viagem e afirma que prefere estar com a família e amigos.
“Costumo viajar em família, às vezes com amigos e, em outras ocasiões, com grupos de empresários e pessoas de áreas correlatas. Entendo que viajar ajuda a abrir a mente e promover conhecimento. Quando viajo com amigos, ampliamos e fortalecemos parcerias”, diz.
“Não deixem as viagens para depois. A vida acontece agora e viajar é uma das formas mais ricas de se manter conectado com o mundo e consigo mesmo. Planejem, pesquisem, peçam ajuda a quem entende e não tenham receio de experimentar destinos novos. Aos 85 anos, continuo trabalhando, viajando e fazendo planos para a próxima viagem. A idade não é um limite, é um ponto de vista e quanto mais lugares conhecemos, mais amplo ele se torna.”
“Muitas agências no Brasil passaram a montar grupos de viagem exclusivos para maiores de 50 anos. Elas promovem encontros pré-viagem (presenciais ou on-line) para que os passageiros se conheçam antes mesmo de embarcar. Algumas agências até enviam acompanhantes especializados (como gerontólogos ou recreadores) para garantir a integração de quem viaja sozinho.”
Procurado pela reportagem, o Ministério do Turismo afirma que “considera esse segmento um dos pilares de estabilidade e crescimento do setor no Brasil”.
“O público 60+ – que, segundo o IBGE, representa quase 15% do total de cidadãos no país e deve responder por 29% da população até 2025 – geralmente viaja fora de altas temporadas, contribuindo para o combate à sazonalidade no mercado turístico”, destaca a pasta em nota.
A Gol Linhas Aéreas informa que registrou um crescimento de 1,13 milhão de viajantes em 2022 para 1,43 milhão em 2025, um salto de 26,5%. A companhia também compartilha que os destinos mais procurados estão no eixo Rio–São Paulo–Brasília, com destaque para os aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Galeão, além de uma forte presença em capitais turísticas do Nordeste, como Salvador, Recife e Fortaleza.
A Azul Linhas Aéreas aponta que, de janeiro a dezembro de 2025, o público com idades entre 55 e 64 anos concentrou 11% dos viajantes, seguido por 8% dos clientes com 65 anos ou mais. Os passageiros com idades entre 45 e 54 anos representaram 17% do total. O levantamento aponta que o público entre 35 e 44 anos representou 28%, seguido por 21% dos clientes com idades entre 25 e 34 anos. Os menores de 18 anos foram 9% dos clientes, e 6% reuniram os jovens de 18 a 24 anos. Neste período, o público masculino representou a maior parte dos clientes e correspondeu a 57% de quem voou com a Azul, enquanto as mulheres corresponderam a 43% do total.
A reportagem entrou em contato com a Latam, que não forneceu os dados até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Dicas de viagem
“Quando uma pessoa idosa se permite conhecer lugares novos, ela está estimulando circuitos cerebrais ligados à curiosidade, ao aprendizado e à memória, o que contribui diretamente para a prevenção do declínio cognitivo: são novos estímulos”, explica.
“Além disso, a viagem rompe com a rotina e o isolamento, dois dos maiores inimigos do envelhecimento saudável, promovendo conexões sociais, senso de identidade e propósito, fatores que a ciência já associa à redução de depressão e ansiedade nessa faixa etária.”
Para quem deseja viajar sem comprometer o orçamento, Marco Lisboa, CEO e fundador da 3,2,1 GO!, rede de franquias especializada em oferecer experiências de viagem, diz que o primeiro passo é “transformar a viagem em uma meta planejada”.
“O público 60+ costuma valorizar conforto, segurança e tranquilidade, então o ideal é começar a organização com antecedência para conseguir melhores tarifas em passagens, hospedagens e passeios”, destaca.
“Criar uma reserva específica para a viagem, mesmo com aportes mensais menores, ajuda bastante no controle financeiro e evita comprometer o orçamento do dia a dia. Outro ponto importante é considerar todos os custos envolvidos, incluindo seguro viagem, deslocamentos internos, alimentação e possíveis despesas médicas. Quando existe planejamento, é possível viajar com mais qualidade e sem apertos financeiros.”
Marco Lisboa também frisa que um dos erros mais comuns é deixar a compra para muito perto da data da viagem.
“Isso reduz as opções e encarece praticamente todos os serviços. Outro problema frequente é focar apenas no valor da passagem ou do pacote e esquecer custos extras, como taxas, transporte local, alimentação e compras.”

