Praça Paris é reconhecida como patrimônio cultural e turístico imaterial do Rio
A Praça Paris, na Glória, passou a integrar oficialmente o patrimônio cultural, histórico e turístico de natureza imaterial do Rio. Aprovado pela Câmara, o Projeto de Lei foi promulgado pela Câmara Municipal, nesta segunda-feira (22).
O reconhecimento legal cria um instrumento formal de proteção e abriu caminho para políticas públicas de conservação e manutenção do local. A lei também prevê que o Poder Executivo realize os registros necessários junto aos órgãos competentes.
Em entrevista ao DIA, Wilson Guedes, presidente da Associação de Moradores Amigos da Glória, ressaltou a relevância do local para os cariocas.
“Ir a essa praça é como sair do caos e entrar em um lugar tranquilo. Quando você olha para um lado, tem a vista do Outeiro da Glória, com a própria igreja. Eu não sou religioso, mas é uma imagem belíssima. Quando olha para o outro lado, vê o Centro da cidade. Existe uma dualidade muito interessante ali. De um lado, um morro histórico, que é o Outeiro da Glória, do outro, o Centro, com seus prédios”, diz Wilson.
O presidente da associação, no entanto, ressalta os desafios que o local enfrenta. “A praça está precisando de muitos cuidados. Os gradis estão todos arrebentados. Além disso, com as chuvas mais intensas, vários pontos da praça ficam alagados. Pessoas que antes usavam o espaço para atividades físicas, como eu, deixaram de caminhar por dentro da praça e passaram a fazer o percurso por fora, mesmo sendo um pouco mais arriscado”, conta.
O engenheiro ambiental Phillipe Rocha, de 38 anos, mora no bairro há dez anos, e observa que o local precisa de mais atenção das autoridades. “A praça está sempre muito abandonada. Um aspecto de muito abandono, e às vezes até suja, então fica difícil você ficar num lugar que é tão bonito”, observa o morador.
Porém, para ele, mesmo com as críticas, receber o título de patrimônio cultural, histórico e turístico de natureza imaterial do Rio é muito importante para a região. “É um espaço aberto, um espaço verde e próximo das residências. O Aterro do Flamengo, por exemplo, fica mais distante e exige que as pessoas atravessem pistas para acessá-lo. Já a praça não. Ela está sempre muito acessível para os frequentadores, e eu acho que isso tem um valor fundamental para todos que a utilizam”, diz o engenheiro ambiental.
Autora do PL, a vereadora Tainá de Paula (PT) ressaltou a importância da decisão. “A Praça Paris não é só beleza: é memória, identidade e direito ao espaço público”, afirmou Tainá, que complementou: “Esse tombamento é um compromisso da cidade com as gerações futuras.”
Vale lembrar que em julho do ano passado, o setor gastronômico da tradicional Feira da Glória foi transferido para o local. Neste mesmo período, o evento também foi declarado patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado. Em 2023, a praça foi revitalizada após passar por um período de falta de segurança e preservação.
Projetada pelo arquiteto Alfredo Agache (1875-1959), a Praça Paris foi inspirada nos clássicos jardins franceses e inaugurada em 1929.

