Polícia Civil apreende 3 toneladas de cobre em operação contra família suspeita de desviar cabos de empresa de telefonia

Policiais da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) cumpriram, na manhã desta terça-feira (28), 17 mandados de busca e apreensão contra uma quadrilha suspeita de desviar cabos de uma empresa de telefonia. Os alvos são investigados por associação criminosa e lavagem de dinheiro. Agentes apreenderam 3 toneladas de cobre de origem duvidosa.

De acordo com as investigações, a quadrilha chegou a movimentar R$ 30 milhões em 1 ano. Os principais alvos da Operação Família S.A. são pai e filho: Celso Nery e Eduardo Nery.

Após o desvio, eles e um outro integrante da família revendiam o material aos ferros-velhos, dando aparência de negociação lícita. O esquema envolvia transferências entre membros da mesma família.

Os pagamentos eram feitos em espécie dentro de um galpão de reciclagem. As movimentações financeiras incluíam a rápida retirada de dinheiro das contas bancárias do filho, que era o responsável pela aquisição do material. Há indícios de lavagem de dinheiro, segundo a polícia.

O delegado Moysés Santana destaca que os desvios constantes de cobre atrapalham a prestação do serviço.

“A subtração desse tipo de material, além de afetar a continuidade da prestação de serviços essenciais, gera sérios riscos e transtornos à população em geral. Quem adquire ou comercializa materiais provenientes de furto e roubo do patrimônio de concessionárias de serviços públicos está sujeito à pena de três a oito anos de reclusão“, explicou.

Processo de investigação

A investigação — que teve início de agosto de 2023 — revelou detalhes de uma complexa rede criminosa, com estrutura familiar.

Após a prisão em flagrante de 3 indivíduos encontrados com grande quantidade de cabos de telefonia em um galpão de reciclagem na Baixada Fluminense, a Polícia Civil passou a rastrear o material. Os detidos revelaram que os cabos, identificados como pertencentes à companhia telefônica Oi, eram desviados.

A polícia detalha ainda que foram identificadas movimentações financeiras suspeitas que indicavam a prática de lavagem de dinheiro: entre outubro de 2022 e fevereiro de 2024, apenas um dos principais suspeitos movimentou mais de R$ 22 milhões (valor incompatível com a capacidade financeira dos investigados).

Segundo a polícia, o esquema contava com a participação de funcionários e ex-funcionários de concessionárias de serviço público. São 12 pessoas investigadas por envolvimento no crime.

As ações da DRF também pretendem orientar os proprietários dos ferros-velhos e recicladoras a respeito do Decreto 48.555, de 20 de junho de 2023, e da Resolução 506, de 2023, da Secretaria de Estado de Polícia Civil, que regulamentou a concessão do Cadastro de Estabelecimento de Reciclagem (CER), em conformidade com a Lei 9.169/2021.

Ao obterem o CER, os responsáveis pelos ferros-velhos recebem acesso ao aplicativo Sucata On-line, da Polícia Civil, que visa ao controle de todo o material adquirido pelos estabelecimentos, com fotos e dados dos vendedores e das mercadorias que estão sendo comercializadas.

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