Lula e Flávio Bolsonaro preparam mudanças de estratégia para debate na TV Globo
Após o confronto na Band, candidatos devem reduzir provocações e ampliar espaço para propostas, com foco em economia, segurança pública e programas sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23), com estratégias voltadas a reduzir as provocações e ampliar a discussão sobre propostas de governo. O encontro será o segundo e último debate da campanha presidencial e ocorre após o confronto na Band, no último domingo, marcado por ataques e críticas entre os candidatos.
Segundo reportagem de Jeniffer Gularte e Luísa Marzullo, publicada em O Globo, integrantes das duas campanhas avaliam que os presidenciáveis devem adotar uma postura diferente diante das câmeras. Lula pretende concentrar as intervenções em seu histórico de governo e nos projetos para um eventual quarto mandato, enquanto Flávio foi orientado a responder diretamente às perguntas e dedicar mais tempo às propostas.
Flávio muda preparação para o último debate
A preparação de Flávio Bolsonaro, conduzida pelo marqueteiro Duda Lima, passou a contar com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O influenciador Pablo Marçal, que havia participado de treinamentos anteriores e provocado desconforto na equipe, ficou de fora desta etapa.
Tarcísio participou dos ensaios em Brasília para auxiliar principalmente na elaboração de respostas sobre economia e administração pública. A campanha pretende utilizar dados e experiências de programas do governo paulista que o senador apresenta como referências para uma eventual gestão federal. Os treinamentos continuam no Rio de Janeiro nesta sexta-feira.
A equipe também estabeleceu como prioridade reduzir a duração das provocações e ampliar o espaço dedicado às propostas. No debate da Band, Flávio caminhou atrás de Lula enquanto o presidente falava, demonstrou reprovação às declarações do adversário e, na avaliação interna de sua campanha, gastou tempo excessivo com ataques.
Economia, segurança e programas sociais entram na pauta
Entre os temas que Flávio pretende abordar está a manutenção e o reajuste do Bolsa Família. O senador também deverá defender mecanismos para que beneficiários que consigam emprego ou abram um negócio não percam imediatamente os pagamentos do programa.
A preparação inclui ainda respostas para questionamentos sobre investigações envolvendo o candidato do PL. A campanha espera que Lula explore o financiamento do filme Dark Horse e a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Na estratégia de confronto com o presidente, Flávio pretende abordar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.
Sigilos bancários e telefônicos também podem ser discutidos
A abertura dos sigilos bancários e telefônicos dos candidatos entrou na preparação das duas campanhas após o desafio lançado por Lula no debate da Band, durante uma troca de acusações relacionadas à corrupção.
Na quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respondeu a uma solicitação sobre o assunto e afirmou que não cabe à Justiça Eleitoral divulgar os dados. Segundo o ministro, a iniciativa precisaria ser conduzida pelos próprios candidatos.
As equipes se prepararam para possíveis questionamentos sobre o tema e sobre as suspeitas levantadas pelos adversários. O assunto poderá voltar ao centro do debate, dependendo das escolhas e das intervenções de Lula e Flávio.
Lula pretende evitar provocações e destacar realizações
A campanha petista prepara o presidente para apresentar uma postura tranquila durante o encontro na TV Globo. A estratégia é usar o tempo disponível para explicar as ações realizadas durante seus governos e detalhar as propostas para um eventual novo mandato, evitando responder a ironias e provocações de Flávio.
A preparação é coordenada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, com a participação de conselheiros e aliados. Lula também contará com a jornalista Olga Curado, que utiliza técnicas de comunicação, princípios do aikido, psicologia Gestalt, budismo e meditação no treinamento de candidatos.
Integrantes da campanha defendem que o presidente compare os resultados de sua administração com as propostas do adversário, sem transformar o confronto em uma sequência de bate-bocas. Aliados também sugerem que Lula questione as relações de Flávio com milicianos e com o advogado Willer Tomaz.
Em relação a Roberta Luchsinger, a orientação é que Lula, caso seja questionado novamente, afirme que a atuação da empresária está sob investigação da Polícia Federal, sem entrar em detalhes.
A campanha pretende aproveitar o último debate para ampliar a rejeição a Flávio, comparar os projetos dos dois candidatos e apontar o que considera riscos de um retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto. O desempenho do presidente no encontro integra a estratégia para tentar reverter o cenário eleitoral na reta final.
Regras da TV Globo limitam movimentação dos candidatos
Mediado pelo jornalista César Tralli, o debate terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Três blocos terão temas determinados, enquanto o último será dedicado a assuntos livres.
No primeiro bloco, serão realizadas seis rodadas com temas relacionados às diferentes regiões do país e a um assunto prioritário de âmbito nacional. Cada candidato terá três minutos por rodada, distribuídos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica.
No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolherão os temas apresentados no telão para formular suas perguntas, mantendo a mesma dinâmica de tempo. Nos três primeiros blocos, quem estiver com a palavra poderá circular pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer no púlpito.
No quarto bloco, dedicado ao tema livre, cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções, e poderá se movimentar pelo próprio lado do cenário.
As restrições de circulação foram estabelecidas após acordo entre as campanhas e devem impedir que um candidato fique atrás do adversário enquanto ele fala, como ocorreu no debate da Band. A equipe de Lula pretende mantê-lo principalmente atrás do púlpito, com maior liberdade de movimentação no último bloco.

