Japeri: Reunião Intersetorial debate o Maio Laranja

A conscientização do Maio Laranja debatida por profissionais de diversas áreas como educação, assistência social, saúde e segurança pública das instâncias municipal e estadual; agricultura, conselhos de direitos e pela sociedade civil, marcou a manhã da última quinta-feira, (23), no auditório do Centro Municipal de Especialidades, em Engenheiro Pedreira.  

A Reunião Intersetorial, ‘Construindo Fluxos e Tecendo a Rede de Proteção às Violências e suas Vulnerabilidades’, foi realizada neste mês para fortalecer e valorizar a conscientização sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Responsável pela organização e articulação da reunião, a equipe do Programa Viva Japeri, da Secretaria Municipal de Saúde, destacou a importância do encontro e do número de órgãos e pessoas representadas que serão multiplicadores das informações e do conceito de proteção.

“Hoje, somos cerca de 50 ou 60 pessoas nesse auditório. Mas,  que possamos multiplicar para milhares de outras pessoas as formas de combate à exploração e ao abuso sexual. Vamos dividir experiências, refinar nossa escuta, valorizar os meios e os procedimentos de denúncia e notificação como o Disque 100 e a ficha de notificação do Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificação)”, disse a coordenadora do Viva Japeri, a psicóloga Silvana Amaro. 

A palestrante e coordenadora do Abrigo Municipal, Matilde Lima, apresentou dois casos concretos de histórias vivenciadas por famílias de Japeri e como se comportaram as instituições governamentais e a sociedade civil diante da denúncia, da proteção, da necessidade de acolhimento institucional, da punição e principalmente do trabalho de redução de traumas para que as vítimas não levassem por toda a vida as dores e lembranças dos momentos de violência vivenciados.  

“A maior lição é termos sempre um olhar diferenciado e acolhedor. O amor é um sentimento e realizamos nosso trabalho com esse sentimento, mas amar é uma ação. E assim agimos para proteger, cuidar e mudar situações vivenciadas por crianças, adolescentes e suas famílias”, relatou Matilde que é psicóloga e atua com esse público há mais de 24 anos. 

 

Momentos do encontro 

A subsecretária de Vigilância em Saúde, Renata Lameira, destacou que embora sua pasta atue muito com números e informações, fez questão que os agentes de endemias recebessem o convite para a reunião, que se estendeu para os agentes comunitários de saúde.  

“Nosso maior objetivo é fortalecer a rede e contribuir para o refinamento dos olhares. E mesmo que nosso trabalho envolva muito os números e estatísticas, esses profissionais estão nas ruas, nas casas e em contato com as famílias. Se cada profissional for formado e orientado, seremos sim, uma grande rede. Vocês estarem aqui é uma resposta de que nossa cidade não aceita nenhuma forma de violação de direitos”, explicou. 

A dona de casa Daniela Cristina, relatou como sofreu abusos em diversas épocas dos seus 32 anos. E como os abusadores, membros da sua família, fizeram de épocas da sua vida os piores momentos. Hoje, grávida de seu primeiro filho, ela só quer aprender formas de melhor protegê-lo. “É a primeira vez que venho em uma reunião que fala exatamente do que passei, do que vivi em várias fases da minha vida. Foram violências praticadas por pessoas da minha própria família. Às vezes você pensa que vão te acolher, mas vão praticar as mesmas maldades. Hoje eu vou ser mãe. Quero ter mais informação para proteger e dar a ele a segurança que não tive”, expôs a gestante convidada pela agente de saúde. 

Para a assistente social do Programa Segurança Presente, Vanessa Rosa, os vínculos das famílias com os órgãos públicos são muito importantes. “O vínculo com a atenção primária e com as escolas, unidos ao olhar diferenciado e a escuta qualificada faz toda a diferença na vida das famílias. E hoje nosso encontro reúne inúmeros profissionais dessas áreas que estão em contato direto com as crianças e adolescentes”.  

A psicóloga do Programa Viva Japeri, Ana Paula, deu ênfase aos papéis dos diversos setores que realizam o atendimento às crianças e adolescentes e a necessidade das notificações serem feitas para gerar estatísticas e promover a criação, aprimoramento e incentivo de uso de políticas públicas. Já o grupo de psicólogos e assistentes sociais da educação chamaram a atenção para os sinais que as crianças e adolescentes apresentam, como mutilações, isolamento e até agressividades.  

Consolidação do trabalho 

O evento foi saudado por muitas palmas que no dia a dia são mãos que trabalham para que datas como o Dia 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que marca a violência sexual contra a menina Araceli, de apenas 8 anos, em 1973, no Espírito Santo, não se repita. 

O caso que marcou o país teve início quando Araceli desapareceu e seis dias depois foi encontrada morta com sinais de abuso sexual. Os suspeitos do crime pertenciam a duas famílias influentes do Espírito Santo e nunca foram condenados. Em 1993, o caso prescreveu sem que ninguém fosse punido. Em 2024, o crime completou 51 anos. 

No ano 2000, a Lei nº 9.970 foi promulgada em 17 de maio de 2000 e instituiu o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes como o dia 18 de Maio, e tem sido um marco anual para conscientização da população. 

O evento foi encerrado com a mensagem de Matilde Lima, que citou a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 227. “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”, que bom que estamos juntos nessa luta”.

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