17 de julho de 2026
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Governo apresenta ações para fortalecer setores afetados por tarifas dos Estados Unidos

O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira (16/7) ações previstas para reduzir os impactos sobre empresas, trabalhadores e setores exportadores brasileiros dos efeitos da tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, um dos negociadores brasileiros com os EUA, informou que será estruturado um programa de apoio aos setores afetados. Entre as medidas avaliadas estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, o apoio financeiro às empresas e o reforço das ações de promoção comercial para a abertura de novos mercados.

Segundo Alckmin, instituições como a ApexBrasil e o BNDES deverão intensificar o trabalho de diversificação dos destinos das exportações brasileiras. O vice-presidente também afirmou que o governo adotará, no momento adequado, os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. O Brasil também retomará o questionamento da medida no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os exportadores mais atingidos desta vez são os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis e mobiliários, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Eles deverão contar com linha de crédito para capital de giro, investimentos e com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países.

Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apontam um total de 2,4 mil empresas nacionais diretamente atingidas pelo tarifaço, que respondem, juntas por cerca de 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA, o que corresponde a transações estimadas de US$ 7,4 bilhões, na comparação com números de 2024. 74% delas já comercializam produtos com outros países

No ano passado, esses mesmos setores já haviam reduzido para US$ 5,5 bilhões o volume total de exportações aos norte-americanos. 57% das exportações brasileiras aos EUA, como carnes, café, óleos e itens de aviação, continuarão sem incidência de tarifas adicionais. Outros 24% já estão submetidos a medidas específicas dos Estados Unidos, especialmente nos setores de aço, alumínio e automotivo.

A participação dos EUA nas exportações brasileiras, que era de 12,1%, até o ano passado, caiu para 9,4% em 2026.

Apoio

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o Governo Federal dispõe de instrumentos para apoiar empresas e preservar empregos nos setores atingidos. Segundo ele, representantes das atividades afetadas serão chamados para novas reuniões, que subsidiarão a definição das medidas específicas.

Entre as possibilidades estão a ampliação do Plano Brasil Soberano, a utilização de linhas de crédito e outros mecanismos de apoio produtivo e financeiro. Durigan acrescentou que, embora determinados setores possam sofrer efeitos relevantes, a avaliação da equipe econômica é de que a medida não compromete a estabilidade macroeconômica do país.

Já o ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC, afirmou que a determinação do Governo Federal é apoiar os setores mais afetados pelas novas tarifas, entre eles madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.

Negociações

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apresentou um histórico das negociações e informou que o Brasil manteve mais de 30 contatos com autoridades norte-americanas desde março de 2025, nos níveis presidencial, ministerial e técnico.

Segundo o chanceler, o governo brasileiro apresentou propostas, participou das consultas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos — o USTR — e manteve disposição para buscar uma solução negociada. O ministro afirmou que o Brasil continuará aberto ao diálogo e às tratativas diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos.

Pix

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, respondeu aos questionamentos apresentados na investigação norte-americana sobre o Pix. Segundo Galípolo, o sistema é uma infraestrutura pública de pagamentos disponível às instituições financeiras que operam no Brasil. Desde a implantação do Pix, o mercado brasileiro de cartões de crédito cresceu 150%, o que, de acordo com o presidente do Banco Central, demonstra que o sistema de pagamentos instantâneos não impediu o crescimento de outros meios de pagamento.

Galípolo informou também que o Banco Central mantém acordos de cooperação com mais de 47 autoridades monetárias interessadas em conhecer a experiência brasileira. O Pix continuará sendo oferecido de forma gratuita para as pessoas físicas, segura e instantânea, com aprimoramentos técnicos voltados à inclusão financeira.

Meio ambiente e combate à corrupção

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, apresentou os dados brasileiros sobre o combate ao desmatamento e contestou as informações ambientais utilizadas na investigação norte-americana. O ministro afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um sistema rigoroso de fiscalização. E ressaltou que, nos últimos três anos, o desmatamento foi reduzido em 50% no Brasil.

A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, explicou as informações encaminhadas pelo Brasil sobre as políticas e os mecanismos nacionais de prevenção e combate à corrupção. Segundo a secretária, os esclarecimentos apresentados pelas autoridades brasileiras não foram considerados de forma adequada na conclusão da investigação.

Investigação comercial

A tarifa adicional foi definida após investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O processo abordou temas como pagamentos digitais, regulação de plataformas, tarifas comerciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e políticas ambientais.

Durante a investigação, o Brasil apresentou duas manifestações escritas e participou de consultas bilaterais em Washington. Nas consultas públicas realizadas pelo USTR, 63 das 78 manifestações apresentadas por empresas e entidades dos dois países posicionaram-se contra a aplicação de novas tarifas.

O Governo Federal seguirá acompanhando os efeitos da medida, dialogando com os setores produtivos e adotando as providências comerciais, diplomáticas e jurídicas cabíveis.

As informações foram apresentadas em entrevista coletiva na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília, com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, o ministro das Relações Exteriores (MRE), Mauro Vieira, o ministro da Fazenda (MF), Dário Durigan, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e a secretária nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Maria Rosa Guimarães Loula.

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