15 de outubro de 2026
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Estudo do IFF/Fiocruz destaca benefícios de alternativa não hormonal no climatério

A revisão narrativa “Oxybutynin as a non-hormonal option for hot flashes in climacteric women with overactive bladder: a narrative review”, desenvolvida pela ginecologista da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Ana Luiza Varanda, em colaboração com o ginecologista do Instituto, Jorge Elias Neto, aborda sobre o uso da oxibutinina, medicamento indicado para o tratamento da bexiga hiperativa, condição caracterizada pela vontade súbita e urgente de urinar. O estudo investiga o potencial da medicação como uma alternativa não hormonal para o tratamento dos fogachos (ondas de calor) em mulheres no climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva, marcado pela redução gradual dos hormônios femininos.

Conforme a revisão, os sintomas vasomotores (ondas de calor repentinas e suores noturnos) afetam até 80% das mulheres após a menopausa, enquanto a bexiga hiperativa acomete entre 11% e 42% das mulheres adultas, tornando-se mais frequente no climatério. Embora a terapia hormonal seja considerada o tratamento mais eficaz para os fogachos, ela é contraindicada em algumas situações clínicas, o que reforça a busca por alternativas seguras e eficazes.

“A revisão identificou que a oxibutinina também pode contribuir para a redução da frequência e da intensidade dos fogachos. Os resultados analisados apontam melhora significativa dos sintomas em diferentes estudos clínicos, inclusive com desempenho superior ao observado em alguns tratamentos não hormonais utilizados atualmente, embora sem comparação direta entre as terapias”, explica Ana Luiza.

Segundo os pesquisadores, a principal vantagem da oxibutinina é o potencial de atuar simultaneamente em dois problemas que frequentemente coexistem durante o climatério: os sintomas urinários e os fogachos. Além disso, trata-se de uma opção de baixo custo e sem uso de hormônios, especialmente relevante para mulheres que não podem realizar terapia hormonal.

Os autores destacam, entretanto, a necessidade de novos estudos voltados especificamente para mulheres no climatério com bexiga hiperativa e sem terapia hormonal. Ainda assim, as evidências atuais sugerem que a oxibutinina pode representar uma alternativa promissora para melhorar a qualidade de vida dessas pacientes.

A pesquisa constitui uma revisão narrativa da literatura, conduzida nas bases PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde, com estudos publicados entre 2007 e 2025, em inglês e português. A busca não identificou um estudo brasileiro sobre o tema e não se restringiu à produção nacional: foram reunidas 11 fontes internacionais, como três estudos primários que avaliaram a oxibutinina para o tratamento de fogachos (dois ensaios clínicos randomizados controlados por placebo e uma série retrospectiva), além do posicionamento da Sociedade Norte-americana de Menopausa, que recomenda o medicamento com nível de evidência I-II. Como próximos passos, a previsão é uma revisão sistemática com protocolo registrado e, posteriormente, um estudo prospectivo conduzido especificamente em mulheres no climatério com bexiga hiperativa e sintomas vasomotores concomitantes, população ainda não contemplada pelos ensaios disponíveis.

Por sua relevância, o trabalho foi selecionado para apresentação no 20th World Congress on Menopause – IMS, realizado de 30 de setembro a 3 de outubro de 2026, na Barra da Tijuca – Rio de Janeiro. “A seleção do trabalho representa uma oportunidade de divulgar a produção científica do IFF/Fiocruz internacionalmente e reforça a importância da pesquisa e da medicina baseada em evidências para o cuidado integral da saúde da mulher”, celebra a ginecologista.

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