Esquema de adulteração de taxímetros no Galeão é alvo de operação
A Polícia Civil realiza, nesta quinta-feira (8), uma operação contra um esquema de adulteração de taxímetros que tinha como alvo passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador. Segundo investigações, a fraude acontecia por meio de um dispositivo eletrônico escondido atrás de um botão do porta-malas, utilizado para aumentar o valor das corridas.
As equipes têm como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros do Rocha e Piedade, na Zona Norte do Rio, no Centro da cidade e no terminal aeroportuário. As diligências contam com o apoio da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant). Até o momento, 15 taxistas e 18 pessoas que captavam passageiros, nomeados de “joqueis”, foram conduzidos para prestar depoimento.
A ação é realizada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj) e Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat).
Dispositivo aumentava valor da corrida
A investigação teve início a partir da denúncia de um passageiro que acabava de desembarcar e foi abordado por um homem que se identificou como taxista. Ele entrou no veículo e, durante o trajeto, notou um salto repentino no valor indicado no taxímetro. Ao chegar ao destino, havia pagado cerca de 50% a mais do que a tarifa regular.
No decorrer das diligências, os agentes localizaram o carro, que passou por perícia. Os exames do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro e capaz de multiplicar os pulsos enviados pelo sensor do automóvel, fazendo com que a tarifa aumentasse. Escondido atrás de um botão do porta-malas, o dispositivo podia ser acionado discretamente pelo motorista e acrescentar, de uma só vez, cerca de 20% ao valor da corrida.
Entenda o esquema
O aprofundamento das investigações revelou que o mecanismo não seria utilizado de forma isolada por motoristas, mas faria parte de uma estrutura organizada. Documentos apreendidos indicaram que a instalação do dispositivo era exigida pela empresa responsável pela locação dos táxis e realizada em uma oficina indicada pelo próprio grupo.
Há indícios de que a frota vinculada a categoria alcance cerca de 200 veículos. Além disso, também se apura a possibilidade de que o mecanismo já viesse instalado em modo automático antes mesmo da entrega do carro ao motorista locatário, o que permitiria que a fraude operasse de forma contínua e silenciosa.
Os agentes identificaram ainda a atuação de “jóqueis” no aeroporto, que abordavam passageiros, especialmente turistas e pessoas que não conheciam a cidade, e recebiam comissão por direcioná-los aos veículos sem autorização para operar no terminal aeroportuário. O material coletado pelos agentes identificou diversas cobranças abusivas, incluindo corridas superiores a R$ 900 para a Zona Sul do Rio.
De acordo com as apurações, a atuação dos “jóqueis” é coordenada por um integrante do tráfico de drogas que atua na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, localizada ao lado do aeroporto. A organização criminosa vem tentando, ainda, impor aos taxistas regularmente autorizados que passem a atuar em conjunto com os captadores, submetendo também o serviço legalizado ao seu controle. Segundo os agentes, essa prática, até o momento, não se concretizou.
Os alvos das ações desta quinta-feira abrangem a sede operacional e o pátio de frota de um grupo empresarial de locação de táxis, uma pessoa jurídica a ele vinculada e a oficina responsável pela instalação do dispositivo fraudulento.
Delegado detalhe ação
Segundo o delegado Victor Tuttman, da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), um dos taxistas investigados revelou o esquema após ser denunciado por um passageiro, em janeiro deste ano. Na ocasião, ele teria tentado se livrar do equipamento instalado no carro durante uma abordagem.
“Esse táxi era alugado pelo motorista de uma empresa, que exigia a instalação desse equipamento em uma oficina no bairro da Piedade, onde obtivemos mandados de busca e apreensão não só nessa loja, mas também no pátio da empresa, que tem mais de 200 táxis. Essa empresa usa pessoas como laranjas e aluga os veículos para motoristas interessados em trabalhar com táxis”, explicou.
O delegado destacou ainda que há diversos registros de ocorrências relatando práticas semelhantes, principalmente envolvendo turistas que não conhecem a distância dos deslocamentos e acabam surpreendidos por cobranças exorbitantes.
Ele ressaltou que a maior parte dos taxistas investigados é legalizada, mas não tem autorização para atuar no aeroporto. “Eles atuam ilegalmente na região do aeroporto. Ou seja, não ficam parados no Galeão. Ficam nos arredores, e os ‘jóqueis’ fazem a intermediação”, afirmou.
O grupo é investigado por organização criminosa, estelionato, crimes contra as relações de consumo e contra a economia popular.
“Agora nós vamos analisar a situação de cada um. Há vários táxis que serão periciados, além da documentação. Em um dos táxis, apreendemos dez celulares roubados, que provavelmente são de passageiros que esqueceram os aparelhos e eles não devolveram”, disse o delegado.
A orientação aos passageiros é sempre utilizar os serviços credenciados do aeroporto, dando preferência aos táxis parados nos pontos autorizados e às cabines localizadas no interior do Galeão.

