14 de julho de 2024

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Espaço de acolhimento para mulheres em situação de rua fecha na Tijuca; frequentadoras criticam

A Prefeitura do Rio de Janeiro fechou nesta segunda-feira (8) um abrigo na Tijuca, Zona Norte do Rio. O local, que fica na Rua Haddock Lobo, era voltado exclusivamente para mulheres em situação de rua e se tornará um espaço de acolhimento para pessoas do sexo masculino.

g1 ouviu as frequentadoras do local. Elas manifestaram que estão sendo prejudicadas com o fechamento do albergue por possuírem vínculos com o bairro.

É o que conta Rosana Rodrigues, 48 anos, paciente no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Mané Garrincha, localizado no bairro do Maracanã. Ela diz que essa mudança atrapalha a continuidade do tratamento.

“Eu vou lá para o abrigo na Ilha do Governador e faço tratamento aqui na Tijuca. Vai me atrapalhar muito. Eu já tô aqui há 4 anos”, diz.

 

O Centro Provisório de Acolhimento (CPA) V foi inaugurado em 2020, durante a pandemia de covid-19. Ele era um dos três abrigos exclusivamente femininos e conta com uma capacidade total de 76 vagas.

Entretanto, de acordo com as frequentadoras do local, as vagas são insuficientes para atender a população de rua. É o caso de Mariana, 29 anos, que frequenta o abrigo há três meses e afirma que sempre morou no bairro. Ela descobriu o fechamento quando chegava no local.

“Eu ia pra Ilha e disseram meu nome não estava na lista. E agora, onde eu vou dormir hoje,” lamenta.

Leo Motta, um ex-morador de rua que atua em projetos sociais com mulheres em situação de vulnerabilidade, aponta que o fechamento do abrigo é um grande problema para a população de rua feminina.

“Retirar a população feminina, que não é o corpo mais vulnerável da calçada uma vez que todos são vulneráveis, mas é o corpo mais exposto, para se transformar em abrigo masculino é uma péssima ideia. São aquelas que carregam diversos traumas. São violentadas. Fisicamente, verbalmente, mentalmente o tempo inteiro. A rua é casa de muitos, mas não deveria ser de ninguém”, relata.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) informou que ao considerar o perfil das mulheres atendidas na unidade ao longo de um ano, observou que a maioria das usuárias necessitava de cuidados prolongados. A taxa de ocupação do albergue, por meio dos controles internos, não atingia seus objetivos de forma plena.

Segundo a SMAS, houve o redirecionamento para unidades que têm a expertise com mulheres mais vulneráveis no cenário da nossa cidade, inclusive em trabalho articulado com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

A direção do CPA da Tijuca ofereceu como opção de remanejamento as duas Unidades de Reinserção Social (URS) para o público exclusivamente feminino existentes atualmente: URS Irmã Dulce, localizada no Rio Comprido e apenas com 16 vagas, e a URS Ilha do Governador, que terá sua capacidade ampliada de 50 para 100 vagas.

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