Em encontro de rivais, Trump fala em ‘amizade verdadeira’, e Xi Jinping defende política de não confronto
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping – os dois maiores rivais geopolíticos da atualidade – se reuniram nesta quinta-feira (24) em Washington e sinalizaram que pretendem cooperar para um “futuro comum”.
Xi Jinping reconheceu a rivalidade entre as duas principais potências econômicas mundiais, mas pediu que os dois países evitem um confronto.
“A China e os Estados Unidos devem manter a linha de não conflito e não confronto entre si”, afirmou o líder chinês, recepcionado com pompa por Trump durante a visita de dois dias que faz ao país rival.
Após ser recebido com tapete vermelho em sua chegada aos EUA, na quarta-feira (23), Xi Jinping ganhou uma cerimônia inteira na Casa Branca — protocolo reservado a poucos líderes mundiais.
Acompanhado de Donald Trump e sua esposa, a primeira-dama Melania Trump, Xi passou tropas em revista e assistiu a uma apresentação com direito ao sobrevoo do poderoso “avião invisível” dos EUA, como é chamado o bombardeiro B-2 Spirit, capaz de passar incólume a radares de defesa do mundo inteiro. Assista abaixo:
Mais tarde, o líder chinês será homenageado com uma recepção e um jantar oferecidos pelo governo Trump, ambos também na Casa Branca.
Em discurso em cerimônia dentro da Casa Branca, Trump repetiu que mantém “uma verdadeira amizade” com seu rival, “baseada no respeito mútuo e o interesse do nosso povo”.
Já Xi Jinping, que se referiu à relação com o homólogo apenas como uma relação de respeito, falou ter vontade de “se entender melhor” com os EUA e disse que os dois países, embora rivais, devem evitar ao máximo um conflito.
O presidente chinês se disse pronto para, junto de Trump, “conduzir o gigantesco navio das relações sino-americanas” em uma rota firme rumo ao futuro. “Os interesses da China e dos Estados Unidos estão profundamente entrelaçados, e há muito espaço para trabalharmos juntos”.
“A China e os Estados Unidos, como duas grandes nações, assumem a responsabilidade histórica de promover o desenvolvimento e o progresso humanos”, disse Xi.
Sobre a inteligência artificial, que Trump disse que seria o tema central da reunião entre os dois, Xi indicou ter preocupação em regular o avanço da tecnologia — o norte-americano, pelo contrário, tem feito apelos para o avanço rápido da IA nas últimas semanas, com o argumento de não perder a corrida tecnológica para Pequim.
“Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerir a IA para o bem e garantir que o desenvolvimento da IA permaneça sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas”, disse o líder chinês.
Xi Jinping não falará na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece nesta semana também nos Estados Unidos. Especialistas avaliam que ele prefere tratar diretamente com outros líderes por meio de reuniões bilaterais.

