2 de agosto de 2026
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ALERJ: Depressão pós-parto acomete 25% das mulheres no Brasil

Através de uma lei aprovada pela Alerj, as unidades de saúde do estado irão adotar diretrizes para o diagnóstico e o tratamento da depressão pós-parto.

O nascimento de um bebê é um momento de muita expectativa e felicidade. Mas, às vezes, a vida não segue um roteiro planejado. Tristeza persistente, choro frequente, desânimo, perda de interesse em atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, irritabilidade e sentimentos de culpa podem ser sintomas que acometem as mulheres no puerpério e devem acender um alerta de uma possível depressão pós-parto. De acordo com dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a condição atinge cerca de 25% das mulheres brasileiras.

A jornalista Ana Luiza Abreu reforça esta estatística. Ela engravidou aos 19 anos e, após o nascimento da Duda, notou que não estava bem. “Eu não conseguia ouvir a palavra mãe. Toda vez que ela chorava, machucava meu peito, sentia o maior arrependimento, tinha pensamentos horríveis, mas achava que precisava lidar. Então, no retorno à obstetra, ela me informou que eu estava passando pela depressão pós-parto e me passou alguns remédios para me ajudar, além de terapia”, relata.

A procura por ajuda profissional qualificada é fundamental para conseguir vencer a depressão. A psicóloga Wanessa Quintanilha explica que é preciso buscar atendimento e acolhimento quando os sintomas persistem. “Esses sintomas costumam seguir por mais de duas semanas e interferem na rotina da mulher. Assim, é preciso procurar um profissional para iniciar o tratamento”, afirma.

Wanessa também ressalta que há fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença. “A depressão pós-parto é uma condição multifatorial, ou seja, pode ser desencadeada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Entre os principais fatores de risco estão as alterações hormonais após o parto, histórico pessoal ou familiar de depressão, ansiedade durante a gestação, falta de apoio familiar ou do parceiro, estresse, dificuldades financeiras, complicações na gravidez ou no parto, privação de sono e dificuldades na adaptação à maternidade. Vale destacar que a presença desses fatores não significa que a mulher necessariamente desenvolverá depressão pós-parto, mas aumenta a probabilidade de seu surgimento”, pontua.

Ana diz que receber o diagnóstico foi difícil, mas também libertador, pois descobriu que aquele sentimento tinha nome e tratamento, além de ter recebido o apoio da família. “Foi difícil. Quando um filho nasce, nasce a ideia de que automaticamente a gente vai amá-lo, mas ele te dá umas demandas que, às vezes, você não está preparada e que realmente exige mental e físico. Tive amigas mulheres que conseguiram me compreender mais, minhas irmãs também. Alguns me ajudaram me levando para ir caminhar, conversar sobre a dor e os pensamentos sem julgamento e me ajudando a ter um tempo pra mim mesma no meio disso tudo”, conta.

Wanessa Quintanilha destaca que o tratamento envolve terapia e, em alguns casos, uso de medicamentos. “O tratamento da depressão pós-parto pode incluir acompanhamento psicológico, especialmente por meio da psicoterapia, apoio familiar e social e, quando necessário, uso de medicamentos antidepressivos prescritos por um médico. Em alguns casos, também é importante o acompanhamento psiquiátrico. O tratamento deve ser individualizado,considerando a gravidade dos sintomas e as necessidades de cada mulher”, diz.

Informação e Acolhimento

Através da Lei 11.275/26, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), as unidades de saúde estaduais terão que adotar diretrizes sobre o diagnóstico e o tratamento da depressão pós-parto. A norma estabelece medidas de acolhimento, acompanhamento e orientação às pessoas parturientes, incluindo ações de capacitação de profissionais para identificação precoce dos sintomas emocionais relacionados ao pós-parto.

Entre as diretrizes previstas estão a disseminação de informações sobre o tema, busca ativa de mulheres que faltarem às consultas pós-parto, garantia de atendimento domiciliar em casos de sintomas, acesso a medicamentos e acompanhamento psicossocial para mães e familiares.

“Você não está sozinha”

Hoje, Ana Luiza está bem, Duda já tem sete anos, e elas vivem juntas todas as fases da maternidade. A jornalista ressalta que compreender cada etapa do processo é, também, se respeitar e que toda mãe precisa saber que não está sozinha.

“Eu sei que nos primeiros meses é muito difícil, mas passa. O tempo passa muito rápido e, quando a gente vê, perdemos diversos sentimentos que só temos quando um filho vem ao mundo. O importante é viver o agora, fazer o que está dentro do seu alcance para resgatar os momentos que foram perdidos ou confusos, quando não conseguimos lidar com a demanda e a exaustão que uma gravidez e o puerpério demandam. Procure ajuda, converse com outras mães, a troca de experiências nos faz perceber que nenhuma situação é individual. Vai dar tudo certo”, conclui.