Defensoria Pública do RJ recebeu mais de 30 queixas de violência obstétrica entre 2019 e 2023

Levantamento realizado pelo órgão, em parceria com a Associação de Doulas do RJ, denuncia casos de abandono, falta de opção de escolha da mulher fazer parto cesariano ou normal, abusos verbais, até xingamentos.

Entre os anos de 2019 e 2023, 31 gestantes denunciaram terem sido vítimas de violência obstétrica no Rio de Janeiro. Uma parceria entre a Associação de Doulas do RJ e da Defensoria Pública do RJ realizou o levantamento.

Foram inúmeros relatos de violações que gestantes sofreram no momento que devia ser afetuoso e seguro para elas. Há denúncias de abandono, falta de opção de escolha da mulher em fazer um parto cesariano ou normal, abusos verbais, até xingamentos.

Nesta semana, uma médica foi demitida de uma maternidade em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, após imagens de uma gestante que deu à luz no chão da recepção da unidade, serem denunciadas em reportagem do RJ1.

O bebê acabou nascendo sem assistência médica, mesmo dentro de um hospital. O pai, que ia gravar o momento do parto, registrou a hora em que ele precisa, sozinho, ajudar a esposa a parir.

A pequena Pietra, atualmente com 7 meses, é uma criança saudável e não teve sequelas.

Muito se pretende associar essa violência obstétrica a um erro médico, a uma imperícia, mas nem sempre ela está associada a isso. É uma conduta inadequada e que muitas vezes pode ser uma conduta violenta”, disse Flávia Nascimento, coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do RJ.

Site acolhe denúncias 

A Associação de Doulas do Rio de Janeiro em parceria com a Defensoria Pública do RJ criou um site para acolher denúncias de violência obstétrica.

A presidente da Associação de Doulas do RJ, Gabriela Santoro orienta que as mulheres devem procurar pelo site do grupo e fornecer seu nome, telefone, data em que aconteceu a violência e fazer um relato de como foi.

“Esse relato deve ser encaminhado à Defensoria Pública e, alguns casos, pode ter uma tratativa judicial e ir em busca dos danos morais e dos danos físicos que essa mulher possa ter passado”, disse Gabriela.

De acordo com Gabriela, não basta que a mulher e o bebê sobrevivam ao parto, é fundamental também que elas sejam submetidas a atendimento digno.

“Um atendimento humanizado, atendimento baseado em evidências científicas e respaldado em suas melhores práticas. Isso é o mínimo que todo o profissional de saúde, toda a instituição deve oferecer. Então, quando isso acontece, nós temos a violência obstétrica”, garantiu Gabriela.

 

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