Crachá vitalício mantém aposentados conectados à história da ALERJ
Credencial permanente homenageia servidores que dedicaram décadas de suas vidas ao Parlamento e simboliza a continuidade da memória institucional aos pratas da Casa.
A história da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) não se resume apenas ao histórico Palácio Tiradentes ou, mais recentemente, ao imponente Edifício Lúcio Costa: tem a ver, principalmente, com as pessoas que dedicaram suas vidas ao Parlamento fluminense. Os aposentados da Assembleia, mesmo fora da rotina diária da Casa, seguem ligados a ela por um crachá vitalício. O símbolo, pouco conhecido fora dos corredores da Alerj, tem coloração diferente das demais credenciais em atividade, garante acesso permanente ao prédio e funciona como uma homenagem e um agradecimento institucional.
Esse espaço para renovação surgiu com o Programa de Incentivo à Aposentadoria (PIA), iniciativa destinada a promover a aposentadoria voluntária dos servidores efetivos do Legislativo fluminense. A ex-servidora Lúcia Helena da Gama é uma dessas pessoas: sempre que visita a Assembleia, faz questão de usar o crachá.
Aprovada no concurso público de 1985, ela integrou a primeira turma de agentes de segurança do Poder Legislativo. Dos 40 aprovados, apenas cinco eram mulheres. Ao longo de 40 anos de carreira, passou pela Diretoria de Segurança, pelo Departamento de Legislação de Pessoal e dedicou mais de três décadas ao Departamento de Apoio às Comissões Permanentes (DACP), responsável por prestar suporte aos trabalhos das comissões da Casa.
Deixar o serviço público após quatro décadas não foi uma decisão fácil. Lúcia aderiu ao PIA em 2025, após conversar com familiares e colegas de trabalho. “Conhecer a política e o processo legislativo de perto foi um privilégio. Por isso, deixar a rotina de trabalho foi difícil, mas saí tranquila por saber que fiz a escolha certa, já que não quis perder a oportunidade de aderir ao programa. Grande parte da minha vida foi vivida naquele espaço. Fiz grandes amigos e sempre trabalhei amando o que fazia”, conta.
A aposentadoria, no entanto, não significou um rompimento com a instituição. Lúcia participa mensalmente de encontros com antigos colegas de trabalho e continua representando os servidores na diretoria do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Sindalerj).
Memória do Legislativo
Entre as lembranças mais marcantes da carreira, Lúcia destaca os debates que antecederam a aprovação do Sistema de Cotas no Estado do Rio de Janeiro, uma iniciativa pioneira no país. Na época, ela atuava junto à Comissão de Educação, que promoveu diversas audiências públicas com representantes de universidades, sindicatos, professores e demais integrantes da comunidade educacional. “Foi um debate muito rico. Tenho muito orgulho de ter participado desse momento da história”, afirma.
Para ela, a renovação do quadro funcional é fundamental para fortalecer a instituição, desde que a memória construída pelos servidores efetivos seja preservada. “É muito importante que haja uma oxigenação na Casa. Ao mesmo tempo, o servidor efetivo é a memória do Legislativo. Nas comissões, por exemplo, os secretários são servidores da Alerj, e não do presidente da comissão. Isso garante continuidade, imparcialidade e segurança aos trabalhos legislativos”, explica.
Aos futuros servidores, ela deixa um conselho baseado na experiência de quem dedicou quatro décadas ao Parlamento fluminense. “Que tenham consciência da oportunidade que receberam. Eles podem fazer a diferença como servidores públicos de excelência e contribuir para fortalecer o Poder Legislativo” Questionada sobre quais características considera essenciais para um bom servidor, ela responde sem hesitar: “Competência, responsabilidade e ética”.

