Constituinte do Chile, nascida após protestos da esquerda, terá controle da direita

O grande vencedor das eleições deste domingo (7) para o Conselho Constituinte do Chile foi o Partido Republicano, da direita radical.

Com isso, o partido contribuirá com 22 dos 51 deputados (50 representantes dos partidos políticos e um dos povos indígenas) que terão a tarefa de redigir uma nova Constituição ao longo do ano.

A coalizão de esquerda de Boric, Unidade para o Chile, obteve 28% dos votos e 17 deputados, menos que os 21 que lhe dariam o direito de veto no processo de redação da Carta Magna.

O grupo conservador Chile Seguro obteve 21,5% dos votos e garantiu os 11 deputados restantes, enquanto as alianças Todo por Chile e Partido de la Gente — centro-esquerda e liberal, respectivamente — permanecem sem representação.

Uma vitória-chave

As coligações de direita e centro-direita terão 33 deputados no total, o que lhes dá ampla autonomia para redigir a Carta Magna que será submetida a plebiscito em substituição à atual, aprovada em 1980.

 

Além disso, a vitória do partido de direita radical é considerada especialmente simbólica, num momento em que a popularidade do governo de Boric está em baixa.

A votação teve ainda grande número de votos nulos e brancos, que ultrapassou 2,2 milhões, mais de 21% do total.

O pleito foi realizado em 38.665 seções eleitorais distribuídas em 2.932 locais de votação em todo o Chile.

Os 51 membros do Conselho devem redigir uma nova proposta de Constituição para substituir a promulgada durante o regime militar do general Augusto Pinochet.

Esta é a segunda tentativa, já que em setembro do ano passado os eleitores descartaram uma primeira proposta com 62% de votos contra.

Esse texto constitucional havia sido redigido por uma comissão dominada por representantes de esquerda e independentes. A derrota desse grupo levou a uma reconsideração da estratégia para concretização de uma nova Carta Magna.

As reações

 

Após a divulgação dos resultados, Kast discursou em Santiago do Chile diante de seus partidários, aos quais dedicou o “triunfo” de seu partido.

Ele garantiu que a vitória deste domingo é “um sinal forte e claro do rumo que (os chilenos) querem para o nosso país”. Apesar disso, destacou que “não há o que comemorar, porque o Chile não está bem” e aludiu aos problemas econômicos e de segurança que afetam o país.

Boric, por sua vez, reconheceu a derrota que, garantiu, “foi marcada pela crise de segurança e de imigração que penetrou profundamente no espírito dos nossos compatriotas”.

O presidente convidou os partidos de direita que liderarão o novo Conselho Constituinte a “conseguir grandes acordos para nossa pátria”.

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