31 de agosto de 2026
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Carapebus transforma memória de Tuani em proteção para outras mulheres

CEAM recebe o nome da jovem assassinada em agosto e passa a ser referência de acolhimento, orientação e proteção

Algumas homenagens não terminam quando a cerimônia acaba. Em Carapebus, a memória de Tuani Maia Nascimento passa a fazer parte de um espaço criado para acolher justamente mulheres que precisam de ajuda para romper o ciclo da violência. Assassinada no dia 1º de agosto, a jovem teve seu nome eternizado no Centro Especializado de Atendimento à Mulher, o CEAM, inaugurado como parte das ações de encerramento do Agosto Lilás.

A homenagem carrega dor, mas também um compromisso com a vida. A partir de agora, o espaço que leva o nome de Tuani será uma das principais portas de entrada para mulheres de Carapebus em busca de orientação, acolhimento, proteção e caminhos para sair de situações de violência.

O prefeito Bernard Tavares destacou que a homenagem representa um compromisso do município com a proteção das mulheres e com o fortalecimento da rede de atendimento.

“Tuani jamais será esquecida. Transformar sua memória em um espaço de acolhimento é uma forma de reafirmar que Carapebus não aceita a violência contra a mulher e que precisamos estar preparados para acolher, orientar e proteger quem precisar de ajuda. Que o nome de Tuani represente vida, esperança e a força de uma rede que precisa agir antes que seja tarde.”

Tuani foi morta dentro da loja onde trabalhava, no dia 1º de agosto. Segundo a Polícia Civil, o ex-companheiro, Ezequiel, entrou no estabelecimento e a atacou com uma faca. A investigação aponta que a vítima sofreu mais de 20 golpes.

O caso ganhou ainda mais gravidade porque, segundo as informações da investigação, Tuani já possuía uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça contra o acusado. A existência da medida reforça a importância de ampliar os mecanismos de proteção e de garantir que mulheres em situação de risco tenham acesso rápido à rede de atendimento.

Para a procuradora-geral de Carapebus, Kênia Quintal, o novo espaço representa um avanço na construção de uma política permanente de proteção.

“Esse espaço nasce de uma dor que jamais deve ser esquecida, mas também de uma decisão de transformar essa memória em proteção e cuidado. O CEAM será um lugar de escuta, orientação e acolhimento para mulheres que precisam saber que não estão sozinhas.”

É nesse cenário que o novo CEAM ganha significado. Mais do que uma estrutura pública, o espaço representa um ponto de apoio para quem muitas vezes enfrenta medo, insegurança, dependência emocional ou financeira e dificuldade para denunciar uma situação de violência.

A inauguração integrou o encerramento do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A programação reuniu autoridades, representantes do poder público e moradores em um momento de mobilização pela defesa da vida e dos direitos das mulheres.

O prefeito de Macaé, Welberth Rezende, também participou da mobilização e lamentou profundamente a morte de Tuani. O chefe do Executivo macaense destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa envolver ações permanentes de prevenção, atendimento e proteção.

“Recebemos com muita tristeza a notícia da morte da Tuani e nos solidarizamos com toda a família neste momento de dor. Macaé tem desenvolvido ações permanentes para amparar as mulheres, fortalecer a rede de proteção e oferecer atendimento para quem enfrenta situações de violência. Precisamos trabalhar cada vez mais para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida por uma violência que poderia ter sido evitada.”

O novo CEAM representa, portanto, um ponto de apoio para mulheres que precisam falar, buscar orientação ou encontrar ajuda para enfrentar uma situação de violência.

A proposta é que nenhuma mulher precise enfrentar esse caminho sozinha. O atendimento especializado permite orientar sobre os direitos, os serviços disponíveis e as medidas que podem ser adotadas de acordo com cada situação.

A memória de Tuani, portanto, passa a ocupar um lugar diferente. Em vez de permanecer apenas associada à tragédia de uma jovem que perdeu a vida, seu nome agora identifica um serviço destinado a proteger outras mulheres.

A homenagem também deixa uma mensagem direta para a sociedade: feminicídio não pode ser tratado como um episódio isolado. Por trás de cada caso existe uma história, uma família e, muitas vezes, sinais anteriores de violência que precisam ser reconhecidos e enfrentados antes que seja tarde.

O CEAM Tuani Maia Nascimento nasce nesse contexto, entre a dor da perda e a esperança de impedir novas tragédias. Um espaço que carrega um nome, uma memória e uma responsabilidade: estar de portas abertas para mulheres que precisam de apoio e socorro.

Carapebus por Tuani. Juntos na luta contra a violência contra as mulheres. Feminicídio, não. Antes que seja tarde. 

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