CAPS Jorge Tannus Rejame celebra 25 anos da Luta Antimanicomial em Japeri
Evento reuniu usuários, familiares e profissionais em defesa do cuidado em liberdade, do acolhimento e da importância dos CAPS na saúde mental
A Secretaria Municipal de Saúde de Japeri (Semus) realizou, na manhã desta quinta-feira, (21), no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Jorge Tannus Rejame, em Japeri, uma celebração em referência ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, lembrado em 18 de maio. O encontro reuniu usuários, familiares e profissionais da saúde mental para destacar os avanços conquistados no tratamento humanizado e reforçar a importância do cuidado em liberdade, da autonomia e da dignidade dos pacientes.
Durante a programação, uma palestra abriu espaço para relatos emocionantes dos usuários sobre experiências vividas em instituições psiquiátricas e sobre a transformação proporcionada pelo acolhimento no CAPS. A reflexão teve como ponto de partida a pergunta: “Quem já foi internado em manicômio?”. Os participantes compartilharam memórias marcadas pela exclusão e também falaram sobre a convivência, as oficinas e o apoio encontrado no serviço de saúde mental de Japeri.
A subsecretária de Atenção Especializada à Saúde, Cristiane Souza, destacou a importância da participação familiar no tratamento. “Esse é um espaço que nos dá muito orgulho. E, junto a tudo que realizamos, as pessoas podem ter a certeza de que o melhor tratamento é aquele que conta com a participação da família”, afirmou.
A coordenadora de Saúde Mental, Angela Barboza, reforçou a necessidade de romper o preconceito em torno do tratamento psicológico e psiquiátrico. “Não desistam de se tratar e de se cuidar. O CAPS é para aproximar a saúde da vida de vocês. Aqui é o lugar de acolhimento e cuidado”, ressaltou.
Com forte vínculo com os usuários, a oficineira Gleice Ribeiro contou que muitos pacientes enxergam o CAPS como uma segunda casa. “Estamos aqui para incentivar, motivar e ajudar cada um deles a enfrentar a doença com acolhimento, convivência e apoio familiar, como eles dizem: é a segunda casa”, disse.
Os usuários também destacaram a importância do atendimento recebido na unidade. “O CAPS me traz saudade. Fiquei afastado e me deprimi. Hoje estou de volta. Minha casa é aqui também. Aqui eu tenho amigos e pessoas que me escutam”, relatou Gabriel da Silva.
Já Celso Trindade, paciente mais antigo em tratamento na unidade, destacou os laços construídos ao longo dos anos. “Sem o CAPS eu não seria nada. Aqui eu fiz amigos e encontrei apoio”, afirmou ao lado de Alan da Cruz que também relatou mudanças positivas desde que começou o tratamento no equipamento. “Passei a me controlar mais com o atendimento médico, as oficinas e as conversas com os colegas. Eu gosto de estar aqui porque aprendemos muito, nos soltamos mais e reconhecemos que precisamos de ajuda. É um lugar feito para nós”, declarou.
Para a administradora da unidade, Grasiele de Jesus, o trabalho realizado pela equipe fortalece vínculos e promove qualidade de vida aos pacientes. “É gratificante perceber que nosso trabalho faz diferença. Estamos juntos para apoiar os nossos usuários e também aprender com cada um”, afirmou.
A celebração relembrou os avanços da Reforma Psiquiátrica Brasileira, consolidada pela Lei Paulo Delgado (Lei nº 10.216/2001), que garantiu direitos às pessoas com transtornos mentais e priorizou o tratamento em serviços comunitários, como os CAPS. A legislação marcou o fim do modelo manicomial e fortaleceu políticas públicas voltadas ao cuidado humanizado, à reinserção social e à liberdade dos pacientes.

