Campos: Criança consegue comer pela primeira vez após cirurgia rara realizada no HFM

Na busca por melhorar a qualidade de vida de pacientes com necessidades especiais, foi realizada no início do mês um procedimento cirúrgico raro no centro cirúrgico do Hospital Ferreira Machado (HFM) pela Residência em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (CTBMF) do Centro Universitário Fluminense (Uniflu). No centro dessa conquista está um paciente do sexo masculino de 4 anos, portador de uma síndrome que resulta em macroglossia, ou seja, uma língua anormalmente grande, que afeta a deglutição, a fonética e até mesmo o simples ato de fechar a boca. Nessa quinta-feira (16), a criança, que está internada na Clínica Pediátrica da unidade, conseguiu se alimentar sozinha, após 10 dias da cirurgia.
Para resolver esses desafios e restaurar a funcionalidade oral do paciente, foi realizada uma glossectomia parcial, um procedimento que envolve a redução da língua. Embora ele conseguisse se alimentar antes da cirurgia, a macroglossia tornava esse processo difícil e prejudicava sua qualidade de vida. Após a operação, ele passou 10 dias sendo alimentado por sonda e foi recentemente liberado para comer alimentos pastosos. Essa intervenção não apenas visa corrigir as dificuldades físicas, mas também tem como objetivo melhorar o convívio social do paciente, já que as limitações anteriores afetavam sua capacidade de mastigar, falar e interagir com os outros. A cirurgia é delicada, exige necessidades e cuidados muito específicos para preservar as papilas do paladar do paciente. O procedimento foi um sucesso e durou uma hora e meia.
MAIS QUALIDADE DE VIDA
O cirurgião buco-maxilo-facial da Fundação Municipal de Saúde Luiz Rodrigo Lopes, que liderou a equipe responsável pela cirurgia, destacou a importância desse procedimento para o bem-estar do paciente. “A glossectomia parcial é uma solução vital para pessoas que enfrentam desafios diários devido à macroglossia. O intuito é proporcionar uma melhor qualidade de vida a esses pacientes, permitindo que eles desfrutem plenamente das atividades cotidianas”, explicou.
“A partir do momento em que se corrige os problemas, a criança se desenvolve melhor, alimenta-se de forma adequada e também desenvolve de maneira correta a arcada dentária”, informou o superintendente do HFM, Arthur Borges.
A avó da criança, Michele Barbosa, relatou a jornada de 4 anos até a cirurgia. “Ver o meu neto passar por tantas provações desde o seu nascimento foi uma jornada de emoções. Ele lutou bravamente contra o câncer nos rins e, graças a Deus, foi curado. E agora, testemunhar sua jornada até a cirurgia de redução da língua é um misto de alívio e gratidão. O médico, que acompanhou ele desde o início, e toda a equipe do hospital foram verdadeiros anjos em nossa vida. Ver ele comendo após a cirurgia é uma vitória que enche meu coração de alegria. Não há palavras para expressar a gratidão que sinto. Só posso dizer que estou imensamente feliz e grata”, comentou emocionada.
Além do Luiz Rodrigo Lopes, a equipe cirúrgica contou com a participação dos cirurgiões dentistas Thessio Vago, co-coordenador do curso de Especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do UNIFLU, e André Baars, professor do curso, além dos residentes Lorena, Marcos Vinicius e Ana Beatriz.

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