14 de abril de 2026
NotíciasPolítica

Brasil assume pela primeira vez presidência de comitê de tecnologia da ONU sobre mudança do clima

O secretário Pedro Ivo Ferraz da Silva, coordenador de assuntos científicos e tecnológicos do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores, foi eleito nesta terça-feira (14/4), por consenso, para presidir o Comitê Executivo de Tecnologia (TEC) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Trata-se da primeira vez que o Brasil assume a presidência do órgão. A francesa Céline Phillips, da Agência Francesa de Transição Ecológica, assumiu a vice-presidência.

O TEC desempenha papel central no Mecanismo de Tecnologia da UNFCCC, sendo responsável por produzir análises e recomendações voltadas ao desenvolvimento e à transferência de tecnologias para enfrentar a mudança do clima. O Comitê reúne especialistas indicados por países desenvolvidos e em desenvolvimento e atua em áreas como inovação, tecnologias emergentes, capacitação, financiamento e fortalecimento de ecossistemas tecnológicos.

A eleição de um representante brasileiro ocorre em meio ao crescente protagonismo do País nas discussões internacionais sobre tecnologia e clima. O resultado também reflete o engajamento do Brasil na promoção da cooperação internacional e no avanço de soluções tecnológicas voltadas a uma transição sustentável e inclusiva.

A presidência brasileira coincide com um momento de maior pressão por resultados concretos na agenda tecnológica da UNFCCC, especialmente no que diz respeito à implementação de soluções em países em desenvolvimento. Nesse contexto, espera-se que o Brasil contribua para impulsionar iniciativas voltadas à aplicação prática de tecnologias e ao fortalecimento de parcerias internacionais.

Durante o mandato, o presidente do TEC terá entre suas atribuições a condução dos trabalhos do Comitê e o apoio à implementação de decisões das Conferências das Partes, incluindo o Programa de Implementação Tecnológica de Belém (BTIP), um dos principais resultados da COP30 voltado à aceleração da difusão de soluções tecnológicas para a ação climática.

A liderança brasileira também tende a ampliar a visibilidade de temas prioritários para países em desenvolvimento, como o acesso a financiamento, o fortalecimento de capacidades nacionais e a promoção de abordagens colaborativas que integrem inovação tecnológica e conhecimento local.

A escolha de um diplomata brasileiro para liderar o Comitê também ocorre em um contexto de maior articulação entre agendas de tecnologia, desenvolvimento e clima no cenário internacional. O tema tem ganhado destaque nas negociações multilaterais, com ênfase na necessidade de alinhar inovação tecnológica a objetivos de sustentabilidade e inclusão, especialmente diante dos desafios impostos pela mudança do clima.

Nesse cenário, a presidência brasileira no TEC abre espaço para o fortalecimento do diálogo entre países e para o avanço de iniciativas em áreas estratégicas, como digitalização, aplicações de IA voltadas à ação climática e o desenvolvimento e a difusão de tecnologias de baixo carbono, com potencial de ampliar o impacto das soluções em escala global.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *