27 de julho de 2026
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Ato público contra o feminicídio marca primeiro dia da reunião anual da SBPC em Niterói

O primeiro dia da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi marcado por um ato público contra o feminicídio, nesta segunda-feira (27), em Niterói. A mobilização contou com a presença do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves; da primeira-dama Fernanda Neves; das ministras da Mulher e do Supremo Tribunal Federal (STF), Márcia Lopes e Cármen Lúcia; além de pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições científicas em uma manifestação em defesa da vida das mulheres e do fortalecimento de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.

A ministra do STF, Cármen Lúcia, participou da mesa “Enfrentamento às Violências de Gênero e os Desafios Cotidianos”, na qual defendeu o fortalecimento da igualdade entre homens e mulheres, destacou a importância da participação feminina na democracia e ressaltou que a efetivação dos direitos das mulheres depende da transformação das garantias constitucionais em igualdade concreta no cotidiano.

“A Constituição brasileira assegura a igualdade entre homens e mulheres. Nosso desafio é transformar esse princípio em realidade. Não basta que a igualdade esteja prevista na lei. É preciso que ela seja vivida no dia a dia, dentro de casa, no mercado de trabalho, na política e em todos os espaços da sociedade. As mulheres conquistaram o direito ao voto, ampliaram a participação na vida pública e seguem ocupando espaços fundamentais para a democracia, mas ainda enfrentam diferentes formas de violência e discriminação. Superar essa realidade exige o compromisso de toda a sociedade, com a corresponsabilidade entre homens e mulheres e o fortalecimento de políticas que garantam respeito, dignidade e igualdade de oportunidades”, explicou Cármen Lúcia.

Durante a mobilização, a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, destacou que a ciência deve estar a serviço da sociedade e contribuir para a formulação de políticas públicas capazes de transformar realidades. Ela também ressaltou o simbolismo da realização do ato em Niterói, cidade que completou 18 meses sem registrar feminicídios.

“Este ato representa um momento de profundo significado para a nossa história e para o compromisso da ciência com a sociedade. Ao homenagearmos as mulheres que perderam suas vidas em decorrência da violência de gênero, reafirmamos que a produção de conhecimento e as evidências científicas devem orientar políticas públicas capazes de transformar realidades. Niterói demonstra que essa mudança é possível ao registrar 18 meses sem feminicídios, resultado de um trabalho articulado e comprometido com a proteção das mulheres. Mais do que um gesto simbólico, este é um chamado para que cada um de nós siga engajado na construção de um país mais justo, diverso e igualitário, deixando esse compromisso como legado para as próximas gerações”, afirmou a presidente da SBPC.

A atividade integrou a programação do núcleo “Gênero, Diversidade e Equidade”, da SBPC, que promove debates sobre temas relacionados aos direitos das mulheres, inclusão e diversidade, reafirmando o compromisso da comunidade científica com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Representando a Prefeitura de Niterói, a secretária municipal da Mulher, Thaiana Ívia, destacou que o município vem fortalecendo sua rede de proteção por meio de políticas públicas voltadas ao acolhimento, à prevenção e à garantia de direitos.

“Este é um momento histórico para Niterói e para todo o Brasil. Estamos unidas, aquilombadas e aldeadas por um único objetivo: defender a vida das mulheres e das meninas, garantindo o direito à existência e a uma vida plena. Em Niterói, esse compromisso se traduz em trabalho diário, com políticas públicas eficazes que fortalecem a rede de proteção às mulheres, como o auxílio social para vítimas de violência, o aplicativo SOS Mulher, o Caminho Lilás e diversas outras iniciativas que promovem acolhimento, dignidade e respeito. Esses avanços são fruto de vontade política e de um planejamento estratégico”, ressaltou Thaiana Ívia.

De acordo com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, uma mobilização permanente da sociedade pode garantir que todas as mulheres possam viver com liberdade, segurança e dignidade.

“Queremos as mulheres vivas. Este é um compromisso que assumimos por todas aquelas que perderam suas vidas para a violência e por todas as mulheres brasileiras que têm o direito de viver com dignidade, liberdade e sem medo. Precisamos construir um país em que elas sejam protagonistas de suas próprias histórias, com políticas públicas que respeitem a diversidade, combatam todas as formas de violência e não deixem ninguém para trás. Niterói demonstra que esse caminho é possível ao investir em iniciativas que fortalecem a rede de proteção às mulheres e inspiram outras cidades. Seguiremos trabalhando para que governos democráticos, a ciência, as universidades e toda a sociedade estejam unidos nessa luta. Que cada vez mais homens se somem a esse compromisso, porque o enfrentamento à violência contra as mulheres é responsabilidade de todos”, disse a ministra.

O ato também contou com a presença da presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader.

“Espero que, em um futuro próximo, não precisemos mais realizar atos contra o feminicídio porque essa realidade terá sido superada. Mas, para isso, é fundamental que toda a sociedade esteja comprometida, especialmente os homens, no enfrentamento dessa barbárie. O feminicídio não se resume ao assassinato de mulheres; ele também se manifesta em cada ato de violência, de silenciamento e de desrespeito aos seus direitos”, reforçou Helena Nader.

A pesquisadora Joyce Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), defendeu um feminismo inclusivo e destacou a importância de garantir direitos e visibilidade para todas as mulheres.

“Este é um momento de reafirmarmos nosso compromisso com todas as mulheres. Um compromisso que inclui mulheres indígenas, negras, transexuais, travestis e tantas outras que, historicamente, enfrentam diferentes formas de exclusão e violência. Defendemos um feminismo inclusivo, capaz de acolher todas as demandas e garantir dignidade, respeito, acesso à saúde e igualdade de direitos. É assim que construiremos um Brasil mais justo, livre e verdadeiramente democrático”, afirmou Joyce Alves.

A 78ª Reunião Anual da SBPC segue até o dia 1º de agosto, no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), com uma programação gratuita que reúne mais de 700 atividades científicas e culturais, incluindo conferências, mesas-redondas, exposições, oficinas e ações voltadas à popularização da ciência, sob o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”.

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