Saneamento transforma comunidades e impulsiona a Economia Azul no Rio
Especialistas mostram no Rio Innovation Week como investimentos em água e esgoto ampliam oportunidades, fortalecem a saúde pública e aceleram a recuperação ambiental
Da Maré à Baía de Guanabara, o saneamento foi apresentado como um vetor de transformação no último dia da Rio Innovation Week, na Praça Mauá, Zona Portuária do Rio. Nesta sexta-feira (7), especialistas mostraram como investimentos em infraestrutura vêm ampliando o acesso à água tratada e à coleta de esgoto, reduzindo doenças, criando oportunidades para milhares de famílias, valorizando territórios e impulsionando a recuperação ambiental. Entre eles estavam Renan Mendonça, diretor-executivo da Águas do Rio, e Tatiana Carius, diretora de Relações Institucionais da Aegea, grupo ao qual pertence a concessionária.
Para Mendonça, inovação no saneamento significa encontrar soluções capazes de levar infraestrutura onde ela historicamente não chegava. Durante o painel “A Economia da Periferia: inovação, potência e novos mercados”, ele afirmou que adaptar a engenharia à realidade dos territórios é o caminho para ampliar o acesso aos serviços essenciais e criar condições para mais saúde, qualidade de vida e oportunidades.
Como exemplos, Renan apresentou soluções utilizadas pela Águas do Rio em áreas de difícil acesso. Uma delas é o uso de equipes treinadas com técnicas de rapel para implantar redes de água e esgoto em encostas de comunidades. Outra é o método não destrutivo conhecido como “tatuzinho”, empregado nas obras da Maré, a maior intervenção de saneamento já realizada em comunidades do Rio de Janeiro. O equipamento perfura o solo e instala tubulações em profundidade sem abrir longas valas nas ruas, reduzindo impactos na rotina dos moradores e acelerando uma obra que beneficiará cerca de 200 mil pessoas.
“As favelas não precisam que ninguém venha ‘descobrir’ sua força, ela já existe. O saneamento apenas entrega a estrutura necessária para que esse potencial se realize, gerando saúde e oportunidades”, afirmou ele durante o evento que é uma das maiores conferências de tecnologia e inovação da América Latina.
Ainda segundo o diretor-executivo, a universalização do saneamento também cria condições para uma prosperidade compartilhada, estimulando novos negócios, fortalecendo o comércio local, valorizando os imóveis e ampliando as oportunidades para quem vive nesses territórios.
“Quando tiramos o esgoto da porta dos moradores, estamos também contribuindo para a redução das doenças de veiculação hídrica. Basta olhar para os indicadores das unidades de saúde próximas para ter noção dos resultados do saneamento básico”, afirmou.
Um dos pilares para a Economia Azul
Se os impactos do saneamento começam dentro das comunidades, eles também se refletem nos rios, nas praias e na economia. No painel “Saneamento e Águas Fluviais”, a diretora de Relações Institucionais da Aegea, Tatiana Carius, destacou que a universalização dos serviços é um dos pilares para fortalecer a Economia Azul e tornar as cidades mais resilientes diante das mudanças climáticas.
Às vésperas de a concessão completar cinco anos, ela lembrou que a Águas do Rio já investiu R$ 6,3 bilhões nas 27 cidades onde atua. Entre os resultados alcançados, está a retirada de 134 milhões de litros de esgoto por dia da Baía de Guanabara, volume equivalente a 53 piscinas olímpicas diariamente, contribuindo para a recuperação gradual da qualidade da água e para o fortalecimento de atividades ligadas ao turismo, ao esporte, ao lazer e à economia local.
“Quando falamos nessas ações, estamos falando em Economia Azul, porque tudo isso se reverte na balneabilidade das praias e na recuperação ambiental”, disse.
Tatiana também ressaltou que a inovação tem papel estratégico para acelerar a universalização do saneamento. Entre os exemplos apresentados está o Centro de Operações Integradas (COI) da Águas do Rio, um dos mais modernos do mundo, que conecta uma série de sistemas automatizados e utiliza até informações obtidas por satélite para localizar vazamentos ocultos e reduzir perdas de água. Segundo ela, o uso dessas tecnologias fortalece a eficiência operacional e ajuda o setor a enfrentar desafios como a escassez hídrica e as mudanças climáticas.
“O monitoramento por satélite contribui para identificar perdas de água potável, que poderia estar atendendo à população. Reduzir as perdas nos ajuda a avançar em direção às metas de universalização. Esse tipo de tecnologia ganha importância diante de desafios como a escassez hídrica e as mudanças climáticas.”
Ao longo da semana, a programação da Águas do Rio e da Aegea no Rio Innovation Week também contou com a participação do CEO da Aegea, Radamés Casseb; do diretor institucional da Águas do Rio, Sinval Andrade; do presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos; da diretora da Aegea Adriana Albanese; e do diretor da Regenera, Maurício Batista, em debates sobre inovação, recuperação ambiental, saúde pública, equidade de gênero e economia circular.

