Lei da ALERJ reforça prevenção ao Burnout entre servidores públicos
Assunto voltou à pauta após caso da cantora Maria Rita chamar atenção sobre o cuidado com a saúde mental.
A síndrome de burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional provocado pelo estresse crônico no trabalho, ganhou destaque nos últimos dias após a cantora Maria Rita anunciar o retorno aos palcos, quase dois anos depois de interromper a carreira para tratar o esgotamento profissional.
No Estado do Rio, servidores públicos contam com uma legislação específica voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento da síndrome. A Lei 11.211/26, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), estabelece diretrizes para ampliar a assistência e fortalecer as políticas de saúde mental no serviço público.
A norma determina o acompanhamento dos casos por equipes multidisciplinares, reunindo profissionais de diferentes áreas da saúde para garantir um atendimento integral. O texto também prevê a realização de campanhas educativas sobre as causas, sintomas e formas de prevenção do burnout, além da capacitação contínua dos profissionais de saúde para aprimorar o diagnóstico e o tratamento.
Outro ponto previsto pela legislação é a integração entre setores como saúde, educação, segurança e medicina do trabalho, incentivando a produção de estudos e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção do esgotamento profissional.
Especialista explica os sinais da síndrome
Segundo a psicóloga Cláudia Távora, do Departamento Médico da Alerj, o burnout é uma condição caracterizada pelo esgotamento físico e mental decorrente do estresse crônico relacionado ao trabalho. “Os sintomas podem surgir de forma gradual e incluem cansaço excessivo, dificuldade de concentração, sentimento de incompetência, insônia, dores de cabeça, alterações na pressão arterial, entre outros sinais físicos e emocionais”, explica.
A especialista ressalta que, embora o estresse faça parte da vida e possa representar uma resposta natural diante dos desafios cotidianos, o burnout indica que a pessoa atingiu um limite. “O psicólogo e o psiquiatra são os profissionais indicados para realizar o diagnóstico e orientar o tratamento. Também é fundamental compreender os próprios limites, fortalecer as redes de apoio e adotar práticas de autocuidado”, destaca.
Entre as medidas preventivas, Cláudia recomenda manter uma rotina equilibrada, com pausas durante o trabalho, sono de qualidade, prática regular de atividades físicas, momentos de lazer e redução do tempo de exposição às telas.
Maria Rita relata recuperação
O debate sobre a síndrome voltou ao centro das atenções após Maria Rita revelar que precisou interromper a carreira para cuidar da saúde mental. Em entrevista ao jornal o Globo, a cantora contou que o quadro se agravou em 2024, após o roubo do caminhão que transportava os equipamentos de seus shows, causando forte impacto emocional e financeiro.
A artista afirmou que continuou trabalhando mesmo após o diagnóstico, decisão que hoje não recomenda, e relatou ter enfrentado medo de subir ao palco, insegurança e uma profunda crise existencial.
Depois de quase dois anos de tratamento, Maria Rita retomou a agenda de apresentações com a turnê Redescobrir Vol. 2, reforçando a importância da busca por ajuda profissional e do cuidado com a saúde mental.

