Desenrola MEI: entenda como funciona o programa e quem pode participar
Iniciativa tem potencial para alcançar cerca de 3,5 milhões de microempreendedores individuais
Lançado pelo governo federal, o Desenrola MEI tem potencial para alcançar cerca de 3,5 milhões de microempreendedores individuais. Com o objetivo de facilitar a renegociação de dívidas tributárias e promover a regularização dos pequenos negócios, o programa permanecerá aberto até 30 de setembro. O jornal O DIA conversou com especialistas para entender a importância e o impacto da medida.
Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Memp), a transação será limitada a dívidas de até R$ 20 mil, com parcelamento em até 145 vezes e descontos de até 70%. Formalizado em 3 de julho, o programa oferece condições especiais para a renegociação de débitos que somam R$ 12,4 bilhões.
O coordenador de Soluções Financeiras do Sebrae Rio, Marcos Mendes, afirma que a inadimplência, normalmente, resulta da combinação de fatores econômicos e de gestão.
“A Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios mostra aumento da queda de faturamento, crescimento da inadimplência e maior comprometimento do caixa com dívidas. Quando o empreendedor enfrenta redução das receitas, aumento dos custos e dificuldade para manter clientes, a tendência é que a capacidade de pagamento seja afetada”, diz.
“Muitas vezes faltam planejamento financeiro, controle do fluxo de caixa e utilização estratégica do crédito. Por isso, renegociar é importante, mas reorganizar a gestão financeira é fundamental para evitar um novo ciclo de endividamento”, completa.
Em nota ao jornal O DIA, o Sebrae Rio informa que, de acordo com a última pesquisa realizada pela entidade em 2025, 60% dos empreendedores do Estado não conseguiram empréstimos nos últimos meses, 33% conseguiram e 7% aguardam retorno da solicitação.
Em relação às dívidas, 57% estão com débitos em aberto, com parcelas em dia ou atrasadas, enquanto 43% não possuem empréstimos no momento. Dentro desse percentual, 73% alegam que esses passivos representam até metade dos custos mensais da empresa. Já para 20%, esse valor é superior a 50% dos gastos da empresa.
A microempreendedora e esteticista Karine Almeida Marins Rosa, de 38 anos, diz que pretende aderir ao programa.

