Alunos e ex-alunos da Escola Firjan SESI Maracanã participam do Festival LED com palestra e projeto premiado
Ex-aluna da instituição deu uma palestra sobre o projeto ao lado de grandes nomes da educação
Fábrica de projetos educacionais premiados, a Escola Firjan SESI Maracanã reuniu neste fim de semana, durante o Festival LED – Luz na Educação, na Praça Mauá, diferentes gerações de alunos e ex-alunos reconhecidos nacionalmente por iniciativas inovadoras. O projeto True, vencedor desta edição, foi concebido por quatro ex-alunas, entre elas Ysabelle Rodrigues Gonçalves, de 18 anos, que até o ano passado estava nos bancos escolares, mas, agora, foram os professores – seus e de todo o Brasil – a ouvirem sua palestra num dos maiores festivais de educação do país.
Na sexta-feira, Ysabelle representou o grupo na mesa “Encontro com os Vencedores do Prêmio LED Globo”, onde apresentou o True, um jogo de cartas e aplicativo que debate a violência escolar, que venceu o Prêmio LED deste ano após concorrer com mais de 2.300 inscritos de todo o Brasil. O projeto foi criado há três anos na Escola Firjan SESI Maracanã com as também ex-alunas Sarah Little Cavalcanti de Albuquerque, Thaissa Moraes Gouvea e Lara Fidalgo Britto Rocha, e os professores Bruno da Silva Miguel e João Luís Almeida Glioche.
Já no sábado, Ysabelle subiu ao palco principal onde abriu a mesa de debates “Quem influencia o que crianças e adolescentes pensam, sentem e aprendem?”, na qual participaram Elisama Santos (psicanalista, escritora e palestrante), Felipe Neto (criador de conteúdo), Katia Chedid (Educadora e psicopedagoga), Tia Milena (ex-bbb) e mediação de Ana Paula Araujo (jornalista e apresentadora da Globo). Ysabelle contou sobre a concepção do trabalho e os resultados obtidos junto aos colegas.
“Tentamos mudar a ideia da violência escolar, pois muitos pensam logo e apenas em bullying. Mas existem outras formas de violência, mais comuns no Brasil, que impedem ou dificultam o direito à educação. Por exemplo, moro no Complexo da Maré, e perdi várias aulas devido a operações policiais. Assim como eu, muitos colegas não tinham noção de que isso também é uma forma de violência escolar. Então esperamos, com esse projeto, conscientizar outros colegas sobre este problema”, contou.
Fábrica de talentos
E o legado já é realidade: Lara, uma das criadoras, decidiu cursar pedagogia e passou para a Uerj. Além disso, o True continuará sendo usado na escola e numa ONG da Maré. Para estimular novas gerações, a Escola Firjan SESI Maracanã levou dezenas de alunos ao festival, entre eles João Sousa Rodrigues, 18 anos, e Maria Luiza Souza, 16, que criaram um aplicativo para incentivar a reciclagem – projeto este que já está classificado para a Olimpíada Brasileira de Tecnologia. “Eu literalmente chorei por elas, é uma inspiração, sem dúvida. A gente observa e tenta aprender com os erros e acertos para seguir esse caminho”, disse Maria Luiza.
Mas o True também é parte de um ciclo de inspirações: Ithan Freitas, 19 anos, que se formou na Escola Firjan SESI em 2024 e hoje estuda Ciências Sociais na Uerj, ficou em terceiro lugar no Desafio LED do ano passado com um jogo de cartas de RPG para ensinar matemática. “É como ver um filho crescendo. Traz esperança na educação e no impacto capaz de influenciar a evolução das pessoas e da sociedade”, disse Ithan, que também acompanhou o festival.
Sobre o projeto
A partir de um jogo de cartas e de um aplicativo criado na escola, o True leva os jovens a fazerem associações e debates sobre uma situação de violência, uma causa e uma solução – que pode envolver desde bullying, violência doméstica e policial a falta de estrutura escolar e valorização do professor. O LED foi o quinto reconhecimento nacional recebido, entre feiras e olimpíadas de tecnologia do Brasil.
“Nossa escola tem como premissa fundamental estimular o protagonismo dos alunos, a inovação e o pensamento crítico. E reconhecimentos como esse, que se repetem ano a ano, comprovam que estamos no caminho certo”, disse a coordenadora de Educação Básica da unidade Maracanã, Márcia Guedes, que acompanhou os alunos ao lado de professores e da gerente-executiva regional de Centros de Referência, Ana Cristina Monteiro de Carvalho.
A Casa Firjan também esteve presente no festival com o “Laboratório da Curiosidade: invenções para um futuro sustentável e o poder do lifelong learning”, uma oficina prática e colaborativa que levou jovens e adultos a investigarem desafios ambientais do cotidiano por meio da curiosidade, da aprendizagem por investigação e da cultura maker. Os participantes puderam criar protótipos e invenções que apontam para futuros mais sustentáveis, estimulando o pensamento crítico, a colaboração, a criatividade e a mentalidade de aprendizado contínuo.
Sobre o festival
O Festival LED é um desdobramento do Prêmio LED, ambas iniciativas da Rede Globo e da Fundação Roberto Marinho que mapeia, reconhece e financia práticas educativas inovadoras no Brasil. O festival contou com oficinas, debates, música, tecnologia e grandes nomes como Cármen Lúcia, Cortella, Daniel Munduruku, Linn da Quebrada, Felipe Neto, Elisama Santos, Dráuzio Varela, Flávia Oliveira, Tati Machado, Aline Midlej, Juliette Freire e Sabrina Sato.

