Morre paciente transplantada que contraiu HIV após erro de laboratório
Uma das pacientes, que contraiu HIV com os transplantes de órgãos contaminados realizados pelo PCS LAB Saleme, morreu aos 64 anos. A mulher ficou um ano e cinco meses sendo acompanhada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que lamentou o falecimento.
A morte aconteceu no dia 18 de março depois de internação em uma unidade especializada. Segundo a SES, a paciente recebeu total assistência, com monitoramento diário da equipe multidisciplinar da Secretaria, que se solidariza com a família.
Em julho do ano passado, a mulher foi indenizada pelo Governo do Estado. A SES reforçou que continuará oferecendo suporte psicológico aos familiares.
Relembre o caso
O escândalo do PCS LAB Saleme, uma empresa privada de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, se tornou público em outubro de 2024. Na ocasião, a SES informou que investigava a contaminação de seis pessoas por HIV, após receberem transplantes de órgãos no laboratório.
Nenhuma delas estava infectada antes. O primeiro caso foi descoberto no mês anterior, quando um dos pacientes testou positivo para o vírus. Todos os exames de sangue dos doadores foram realizados pelo laboratório, contratado por licitação, e apresentaram falso negativo.
Após a descoberta do problema, o laboratório teve seus serviços suspensos e foi interditado, com os testes sendo transferidos para o Hemorio. A SES também instaurou uma sindicância para identificar e punir os responsáveis, além de criar uma comissão multidisciplinar para apoiar os pacientes afetados.
As investigações indicaram que os laudos falsificados foram utilizados pelas equipes médicas, induzindo-as ao erro, o que levou à contaminação dos pacientes. Segundo a polícia, os reagentes dos testes precisavam ser analisados diariamente, mas as apurações apontaram que houve determinação para que fosse diminuída a fiscalização, que passou a ser feita semanalmente, visando a redução de custos e aumento de lucros.
Em outubro de 2024, o Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou dois sócios e quatro funcionários pelos crimes de associação criminosa, lesão corporal grave e falsidade ideológica. Todos chegaram a ser presos. São eles:
– Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira: sócio do PCS Saleme e, segundo denúncia, responsável por assinar o contrato com a Fundação Saúde, do Governo do Estado, mesmo ciente de que o laboratório não tinha capacidade técnica para atender à demanda;
– Walter Vieira: médico e sócio do laboratório. Assim como Matheus, teria sido o idealizador de uma mudança no controle de qualidade para reduzir gastos e aumentar lucros, além de assinar laudos com os resultados falsos;
– Ivanilson Fernandes dos Santos: acumulava diferentes funções no PCS Saleme, como coordenar as análises clínicas que culminaram nos laudos errados;
– Jacqueline Iris Bacellar de Assis: supervisora administrativa que teria assinado um dos laudos com resultado errado e falsificado um diploma de biomedicina apresentado ao laboratório;
– Cleber de Oliveira Santos: seria coordenador do laboratório e teria feito as análises que culminaram nos laudos falsos;
– Adriana Vargas dos Anjos: seria a substituta de Cleber na coordenação do PCS Saleme e mentora de uma modificação nos protocolos de controle de qualidade dos exames.
Todos respondem ao processo na Justiça, iniciado em 2025, em liberdade.

